Imagem Blog

Fernanda Torres

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Blog da atriz Fernanda Torres
Continua após publicidade

Olimpo

Tomada pelo espírito olímpico, resolvi encarar uma humilde maratona no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas. Qualquer queniana daria dez voltas na corredora aqui, mas não ligo – não nasci para competir. Quando encostam no meu cangote, diminuo o ritmo e deixo passar. A água translúcida levantava a suspeita de que o boato de que […]

Por Daniela Pessoa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 25 fev 2017, 17h24 - Publicado em 20 ago 2016, 01h00

Isabelle Barreto

Tomada pelo espírito olímpico, resolvi encarar uma humilde maratona no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas. Qualquer queniana daria dez voltas na corredora aqui, mas não ligo – não nasci para competir. Quando encostam no meu cangote, diminuo o ritmo e deixo passar.

A água translúcida levantava a suspeita de que o boato de que jogaram nitrato de prata para decantar a lama talvez fosse verdadeiro. Era nitrato ou o bate-tambor da Fundação Cacique Cobra Coral garantindo as correntes limpas deste agosto digno de um maio outonal.

No dia da inesquecível cerimônia de abertura, eu me encaminhava para o portão C do Maracanã quando um senhor abordou a família para tirar uma selfie com minha mãe. Foto tirada, ele se identificou como membro da FCCC, empenhada em espantar a chuva e os maus fluidos dos Jogos.

Naquele sábado resplandecente, eu corria pensando na devoção que tenho pelas curvas da cidade e na maravilha que seria poder praticar meu trote sem o risco de ser assassinada, quando alcancei o estádio de remo do Flamengo, fechado para a realização das provas.

E dá-lhe Thor, e dá-lhe Namor, e dá-lhe Aquaman e príncipes submarinos à espera do ônibus que levaria os remadores de volta para a Vila Olímpica. Que colírio, meu Deus, que colírio! Nem senti os 7 quilômetros e meio passarem.

Continua após a publicidade

A gente só entende o abismo que separa a nós, mortais, dos semideuses do esporte quando se está a um palmo deles. Era o Olimpo, a Grécia. Apolo, Ares e Afrodite.

O vôlei, o atletismo, a natação e o remo são exemplos extremos de perfeição. Mas nem todas as modalidades alcançam, ou almejam, tamanha beldade.

A ginástica artística impressiona, mas beneficia os mais atarracados. O quadril dos homens tem um terço do tamanho do tórax, e a baixa estatura contribui para o equilíbrio. O lançamento de disco, de martelo e de peso pede um perfil pançudo, que ajuda no contrapeso para zunir os objetos no espaço. Mas o hors-concours da deformidade física é o meu amado levantamento de peso.

Fernando Reis, nosso representante de 26 anos, lutou com a balança para atingir 140 quilos em Londres e está orgulhoso de ter chegado a 154 quilos, graças a uma dieta à base de carne, para enfrentar os adversários no Rio de Janeiro.

Sou fã do levantamento de peso, das barrigas protuberantes, socadas num cinto de couro para salvar a lombar, contidas em colantes de perna curta, risíveis, dignos do Telecatch. Nas finais de 85 quilos, o romeno Gabriel Sincraian parecia uma lata de Nescau inflada.

Continua após a publicidade

Que estranha anomalia é ter prazer de sustentar um Fusca nas costas.

Vindos de países pesos-pesado, como a Coreia do Norte, o Cazaquistão, o Uzbequistão e a Ucrânia, eles sofrem por dentro. Vik Muniz jura ter ouvido um traque na arena.

Meu voto vai para o iraniano Kianoush Rostami. Dono de um rosto que lembra o do gênio da lâmpada de Aladim, Rostami só largava o peso depois de sorrir de siso a siso. Isso é que é finale!

Eu quase desmaiei com os Thors da Lagoa, mas minha devoção olímpica se compadece das hostes de Vulcano vindas das profundezas do Hades.

Ouro para os brutos do halterofilismo.

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Domine o fato. Confie na fonte.
10 grandes marcas em uma única assinatura digital
Impressa + Digital no App
Impressa + Digital
Impressa + Digital no App

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

Assinando Veja você recebe mensalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Para assinantes da cidade de Rio de Janeiro

a partir de 49,90/mês

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.