Imagem Blog

Esquinas do Esporte

Por Alexandre Carauta, jornalista e professor da PUC-Rio
Pelos caminhos entre esporte, bem-estar e cidadania
Continua após publicidade

O indispensável caminho da transparência

Sem o polimento da governança, clubes seculares ficarão opacos para investidores e consumidores

Por Alexandre_Carauta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 4 Maio 2022, 09h55 - Publicado em 28 abr 2022, 23h43

Doces clubes do nosso futebol encaram um Dia D. Ou tornam-se integralmente profissionais, e embarcam no século 21, ou afundam abraçados às saudosas glórias.

O embarque independe do ensaio para a sonhada liga de padrão internacional. Tampouco condiciona-se à entrada na onda da Sociedade Anônima (SAF), convertida em salvação de lavouras infestadas de dívidas.

Práticas empresariais não renegam raízes associativas. Pelo contrário, potencializam tradições e identidades sem as quais clubes não teriam virado invejáveis fontes de paixão e consumo.

Processos avançados de gestão e marketing constituem, antes de tudo, uma cultura organizacional. Uma imunização contra o patrimonialismo que entope as artérias brasileiras.

Tal cultura deveria preceder passos como uma mudança para SAF; como a criação de uma liga espelhada nas franquias americanas; como a renegociação dos direitos de transmissão imposta pelo novo tabuleiro midiático; como o incremento de produtos e experiências sob o compasso digital. Movimentos à beira do impreterível.

Continua após a publicidade

Transformações assim esboçam um divisor de águas. Redimensionam a fronteira profissional demarcada lá pelos anos 1940, cujo amadurecimento sistematicamente esbarra no clientelismo, empaca em cirandas administrativas, legislativas, jurídicas pactuadas com oligarquias políticas e econômicas.

Espanar o pó patrimonialista talvez seja o principal desafio dos clubes rumo ao futuro. Imprescindível não só para a diversificação de receitas, a captação de investimentos, o cortejo à SAF. Mas também à efetivação de um protagonismo decisório e financeiro compatível à importância simbólica e material deles na indústria esportiva.

O desafio desdobra-se no polimento da governança. Nela sustenta-se o ímã primordial para atrair consumidores e investidores: confiança.

A maturação exige desde competências gerenciais e reequilíbrios tributários até compromissos como responsabilidade socioambiental e transparência. Princípios cada vez mais preciosos nos ambientes de negócios globalizados.

Continua após a publicidade

Historicamente boicotada nos escaninhos do poder, a transparência ora confronta-se com uma epidemia de desinformação, imediatismo, superficialidade. Uma epidemia na qual germinam o linchamento nas redes e os ataques às balizas democráticas.

O caminho da governança, da responsabilidade fiscal e social, da transparência nem sempre coincide logo com o ganho esportivo ansiado pelo torcedor. Impossível, contudo, pavimentar horizontes vitoriosos fora desse percurso. Ele diz mais sobre um clube, uma marca, sobre seus valores, seu amanhã, do que gols e troféus.

___

Alexandre Carauta é doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, pós-graduado em Administração Esportiva, formado também em Educação Física.

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Domine o fato. Confie na fonte.
10 grandes marcas em uma única assinatura digital
Impressa + Digital no App
Impressa + Digital
Impressa + Digital no App

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

Assinando Veja você recebe mensalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Para assinantes da cidade de Rio de Janeiro

a partir de R$ 39,90/mês

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.