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Elisa Mendes de Almeida

Por Elisa Mendes de Almeida, jornalista e escritora Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Jornalista e autora dos livros Cozinhar é Amar e Cozinhar é Doar

No Dia do Tiramisù, aprenda a fazer esta receita clássica

A origem do doce italiano, que é celebrado dia 21 de março, é disputada por algumas regiões do país, como Toscana, Piemonte e Veneto

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19 mar 2026, 11h58 • Atualizado em 19 mar 2026, 12h05
Receita clássica é energética e deliciosa
Receita clássica é energética e deliciosa (./Divulgação)
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  • O tiramisù é a sobremesa que une os italianos. As versões são várias, mas o paladar é unânime.  A receita de hoje é para homenagear esta delícia, que é celebrada no dia 21 março – sim, existe o Dia do Tiramisù! O nome vem do italiano tirami sù, que significa literalmente “puxa-me para cima”, uma vez que este doce nos leva ao sétimo céu. O nome se deve ao fato dos ingredientes necessários para a sua preparação serem muito energéticos: ovos, açúcar, café e queijo mascarpone.

    Já a origem do tiramisù é muito incerta, porque todas as regiões da Itália gostariam de ter inventado essa delícia. Com isso, surgiu uma espécie de disputa entre Toscana, Piemonte e Veneto. Poucas sobremesas carregam uma história tão diferentes para cada versão. Ao contrário  de tantos clássicos italianos de origem bem definida, ela parece ter sido construída mais pela memória afetiva e pela tradição oral do que por um único momento de criação.

    A versão mais difundida hoje aponta para o Vêneto, na cidade de Treviso, onde o tiramisù teria surgido nos anos 1960, em um restaurante local, como uma sobremesa reconfortante à base de café, mascarpone e biscoitos embebidos. Esta é a história mais aceita, mas está longe de ser a única. Alguns registros italianos ampliam essa narrativa. Há quem relacione o tiramisù ao período da unificação da Itália, no século XIX, como uma preparação criada em Turim, em homenagem a Camillo Benso, o Conde de Cavour, utilizando o biscoito savoiardi, já fazendo uma alusão a diplomacia, já que cabia a Cavour unir a realeza de Savoia, que reinava, com a possibilidade de unir o país. Uma sobremesa energética, pensada para sustentar momentos intensos de articulação política.

    Há ainda uma versão mais antiga, quase lendária, que remonta a Siena, na Toscana. Segundo essa tradição, uma preparação semelhante teria sido criada para receber o grão-duque Cosimo III de Medici, ainda no século XVII. Uma receita pensada para impressionar e revigorar. Até denominavam diferente: sopa do duque e muito apreciada pelos nobres que lhe atribuíam propriedades afrodisíacas e excitantes. Talvez por isso ele seja tão universal. Mas saber a versão correta, para mim, nada significa, prefiro ficar com a base: foi criado como uma sobremesa energética, quase revigorante, combinando no equilíbrio prazer e energia.

    Com o tempo, o tiramisù ganhou o mundo  e, como toda boa receita italiana, passou a ser reinterpretado. Eu mesma fui conhecer já tarde, em Paris, na década de 90,  num restaurante de cozinha italiana. Não era uma trattoria, e no cardápio além do gelato, havia somente o tiramisù. Claro que a mesa toda, que ainda desconhecia, quis saber detalhes a que se referia. O garçom, um vero italiano, que não passa recibo, com muita desenvoltura, foi contornando, mas não explicava. Sua resposta foi categórica: “Só experimentando para descobrir”. Confesso que eu,  que apesar de amar beber café, detesto qualquer coisa com o seu paladar, e já teria desistido ali, caso ele descrevesse. Mas fui surpreendida e passei a amar esta sobremesa. Foi um caso de amor, talvez pelo impacto da surpresa. Aviso: detesto reinterpretações. Já vi tiramisù até de maracujá, Va-lhe me Deus! Aí já é demais.

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    Gosto de pensar no tiramisù como uma sobremesa de pausa. Não é aquela que se come correndo. Ela pede colher pequena, silêncio e aquele momento em que a gente realmente presta atenção no sabor. Talvez seja esse o verdadeiro significado do nome: mais do que “me levante”, o tiramisù nos traz a ideia de parar tudo e degustar.  Pois ele realmente modifica nosso humor, para melhor, é claro!

    RECEITA: Tiramisù

    INGREDIENTES: 1 pacote de biscoito champanhe, 4 gemas, 400 g de mascarpone, 150 g de creme de leite fresco, 70 g de açúcar, cacau em pós para polvilhar e 250 ml de café adoçado e 1 colher de Masala.

    MODO DE PREPARO: Bata o creme de leite na batedeira até engrossar, depois reserve na geladeira. Em um bowl, bata no fouet (ou na batedeira) as gemas com o açúcar até triplicar o volume e depois adicionar devagar o mascarpone. Adicione o creme de leite já batido e gelado à mistura. Faça um café, adoce a gosto e coloque 1 colher de Masala. Mergulhe rapidamente o biscoito no café, é colocar e tirar para preservar a textura que queremos e não ficar muito molengo.

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    MONTAGEM: Monte numa travessa as camadas nesta ordem: biscoito, creme e polvilhe cacau em pó. Forme os andares e termine polvilhando o cacau. Reserve o Tiramisù pronto na geladeira (coberto com filme plástico) e no momento de servir, adicione mais um pouco do cacau para ficar fresco em cima. Também fica muito charmoso e delicado se for montado e servido em copinhos, tipo “verrines”.

    Elisa Mendes de Almeida, jornalista carioca e criadora de conteúdo, é autora de dois livros de receita – Cozinhar é Doar e Cozinhar é Amar. Foi apresentadora de telejornais da TV Globo, TV Manchete, Rede TV e TVE, e hoje se dedica à sua paixão pela gastronomia e à boa mesa. Siga o perfil no Instagram  e o Canal no Youtube para mais receitas.

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