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Daniel Sampaio

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Paraty e Ilha Grande completam 5 anos como patrimônio mundial

Novo livro destaca os pontos que fizeram a região ser reconhecida pela Unesco

Por Daniel Sampaio Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
4 jul 2024, 18h41

Parece que foi ontem que Paraty e Ilha Grande foram reconhecidas como Patrimônio Mundial pela Unesco.  A agência especializada da ONU em Educação Ciência e Cultura, pela primeira vez escolheu um sítio misto, que unia a Mata Atlântica – preservada pelas águas calmas da baía da Ilha Grande  – com a cultura indígena, quilombola e caiçara que vive em harmonia com essa rica biodiversidade, em Paraty.  Isso aconteceu exatamente em 5 de julho de 2019, há cinco anos.

As duas regiões sempre estiveram ligadas, desde o início dos seus povoamentos e foram marcadas pela coexistência orgânica entre cultura e natureza. São tão unidas que, durante a campanha, o próprio Centro do Patrimônio Mundial da Unesco decidiu que era importante integrar a Ilha Grande, mesmo ela fazendo parte do município vizinho, Angra dos Reis.

 Foi por conta do encantamento que a região possui que surgiu a ideia de produzir o livro “Paraty & Ilha Grande – cultura e biodiversidade”, da Quereres Edições, que acaba de ser lançado com edição bilíngue. A obra começou a ser produzida durante a pandemia, em 2020, pelos arquitetos Andrey Schlee, seu filho, Andrey de Aspiazu e pela jornalista Maura Campanili, com organização de Luiz Prado. O projeto tem o patrocínio da Enel Distribuição Rio, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

O título do livro faz referência aos fatores que ajudaram a região a ser reconhecida como Patrimônio Mundial, por conta do exemplo de interação humana com o meio ambiente. Trata-se do primeiro bem brasileiro inscrito na categoria de sítio misto, ou seja, de uma cultura territorial que vai do Rio de Janeiro ao norte de São Paulo, abrangendo áreas e ativos que integram o patrimônio natural e cultural da região. Ao todo, o território abrange quase 149 mil hectares, e o centro histórico se cerca de quatro áreas de conservação ambiental: o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu. Sua área de entorno, com mais de 407 mil hectares, possui 187 ilhas, grande parte coberta de vegetação primária, onde também salta aos olhos rica diversidade marinha.

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O livro tem como diferencial a participação de 19 fotógrafos, todos moradores da região, que deram ao projeto sua visão local. São eles: Angelita P. Rodrigues, Ary Amarante, Augusto Froelich, Bruno Leão, Eliana Gomes Soares, Enrico Marrone, Guido Nietmann, Roberta Pisco, Guilherme Lessa, Gustavo Pedro, Herbert Serafim de Freitas, João Marcos Rosa, José Milton Serafim, Joseph Arena, Marcus Prado, Mariana Vergara, Miguel Ângelo, Ricardo Gaspar e Oscar Liberal. O resultado é um passeio por praias paradisíacas, detalhes arquitetônicos e uma grande exibição de fauna e flora, além das festas tradicionais da região e a cultura dos seus povos.

Praia com aguas verdes e cristalinas e floresta atrás
Ilha Grande – (Marcos Prado/Reprodução/Divulgação)

Ao longo de suas 260 páginas, “Paraty & Ilha Grande – cultura e biodiversidade” apresenta mais de 300 fotos, que se dividem em 10 capítulos, com destaque para temas como Tesouros da Biodiversidade, Patrimônio Natural e Cultural Inestimável, Áreas de Conservação Ambiental e Arquitetura Colonial.  Em “Fases, períodos e momentos”, os autores mostram a ocupação da região e a importância do Porto de Paraty no ciclo do ouro.  Uma das curiosidades da obra são as pinturas que o artista francês Jean-Baptiste Debret fez da região durante sua única passagem pelo Rio de Janeiro, em 1827.

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— Nossa proposta sempre foi contar a história de Paraty sem o ranço do historiador, falar da arquitetura da cidade, sem a pegada do arquiteto. Não ficamos restritos apenas às belezas naturais, mas também mostramos as comunidades que habitam ali e que fazem Paraty e Ilha Grande serem o que são. — afirma Andrey.

O livro também reserva espaço para falar das comunidades tradicionais e a transformação que a região sofreu através dos tempos. A Região da Costa Verde fluminense abriga atualmente duas terras indígenas das etnias guarani e pataxó, dois territórios quilombolas e 33 comunidades caiçaras, além de inúmeras comunidades rurais. Apesar de suas características singulares, todas têm em comum uma forte relação com a natureza, vivendo da pesca artesanal, do manejo sustentável das espécies e da agricultura familiar.

O projeto tem como complemento ações educativas, como palestras e um manual destinado a professores, para ser trabalhado em sala de aula. O objetivo é, com isso, ampliar o entendimento sobre a preservação e a sustentabilidade do território e sua importância para o desenvolvimento da região. Também será lançado um jogo para estudantes, inspirado no conteúdo do livro.  “O livro é uma celebração a este lugar, que é patrimônio cultural do mundo e a editora mais uma vez cumpre a sua missão de produzir conteúdos que promovam a diversidade da cultura brasileira”, conclui Luiz Prado.

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Sobre os autores:

Andrey Schlee – Arquiteto e urbanista, atua principalmente com a preservação do patrimônio cultural. Publicou diversos livros e artigos sobre arquitetura e urbanismo. Atualmente é diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do IPHAN.

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Maura Campanili – Jornalista e geógrafa, trabalhou em ONGs como a SOS Mata Atlântica, Instituto Socioambiental e Rede de ONGs da Mata Atlântica. É autora do blog ‘Paulistanasp’. Desde 2004, está à frente do Nuca – Núcleo de Conteúdos Ambientais.

PARATY & ILHA GRANDE – Cultura e Biodiversidade

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Autores: Andrey Rosenthal Schlee, Andrey de Aspiazu Schlee e

Maura Campalini

Organização: Luiz Prado

Quereres Edições | Edição bilíngue (português / inglês)

284 páginas  |  Tiragem: 2.000 unidades | Preço: R$ 150,00

Venda: https://www.editoraquereres.com/paraty-e-ilha-grande-home

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