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Bruno Chateaubriand

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Parintins: a ponte de cores entre a Amazônia e o Carnaval carioca

Enquanto a Amazônia vive sua maior celebração, talentos da ilha levam aos barracões do Rio a técnica que revolucionou o movimento das alegorias

Por Bruno Chateaubriand 29 jun 2026, 11h06 | Atualizado em 29 jun 2026, 11h07
Carros alegóricos e fantasias de monstros e criaturas míticas em tons de laranja, vermelho e roxo, iluminados por luzes coloridas em um desfile noturno
Parintins: os artistas são capazes de transformar aço, espuma e tinta em emoção (Yasmim Cadore/Garantido/Divulgação)
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Quando junho chega, a pequena ilha de Parintins, no coração do Amazonas, muda de escala. As ruas que já se vestem de azul e vermelho ao longo do ano, ganham uma nova proporção: arquibancadas do Bumbódromo ganham vida e uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes passa a receber milhares de visitantes atraídos por um dos maiores espetáculos culturais do país.

Desde a última sexta-feira (26), o Festival de Parintins voltou a transformar a ilha em um palco onde tradição, tecnologia, música e arte dividem protagonismo.

O impacto ultrapassa as fronteiras do município. Em 2025, o Amazonas recebeu cerca de 360 mil turistas brasileiros, e mais de 10% desse fluxo concentrou-se justamente em junho, impulsionado pelo festival. Mas o legado de Parintins não se limita ao turismo. Ele também chega ao Rio de Janeiro, onde ajuda a construir os desfiles das escolas de samba.

Poucos sabem que artistas formados nos galpões dos bois Caprichoso e Garantido são considerados verdadeiras grifes pelos carnavalescos cariocas.

Profissionais especializados em escultura, cenografia e efeitos visuais são disputados pelos barracões da Cidade do Samba, levando para a Marquês de Sapucaí uma linguagem artística desenvolvida ao longo de décadas na Amazônia.

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A explicação está na própria natureza do espetáculo. Diferentemente do Carnaval, em que as alegorias percorrem toda a Avenida, em Parintins elas permanecem praticamente estáticas dentro do Bumbódromo.

Isso obrigou seus criadores a desenvolver soluções capazes de transmitir movimento, emoção e impacto visual por meio de mecanismos cenográficos e esculturas articuladas.

“Em Parintins, os artistas precisaram criar movimento para alegorias que permanecem paradas durante as apresentações. Essa característica acabou desenvolvendo uma linguagem artística muito própria”, explica um dos profissionais envolvidos no festival.

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Esse conhecimento atravessa o país todos os anos. Entre os nomes que também integram equipes dos barracões cariocas estão Alex Salvador, Netto Barbosa, Nildo Costa, Kennedy Prata e Juscelino Ribeiro, profissionais que conciliam o trabalho nos bois de Parintins com o Carnaval do Rio.

“Alex Salvador se tornou um grande nome do nosso time”, afirma Gabriel Haddad, carnavalesco da Vila Isabel.

Já na Unidos do Viradouro, o destaque está no trabalho escultórico desenvolvido por outro profissional.

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“O Nildo Costa é responsável por boa parte do movimento das esculturas que desenvolvemos para o desfile”, destaca Tarcísio Zanon, carnavalesco da atual campeã do Carnaval carioca.

Em Parintins, a rivalidade entre Caprichoso e Garantido ultrapassa o espetáculo. Ela organiza a vida cotidiana da cidade.

Há ruas identificadas por uma única cor, bairros que assumem seu pertencimento e moradores que carregam, durante todo o ano, a paixão pelo boi escolhido. É uma divisão simbólica, mas profundamente enraizada na identidade local.

É justamente dessa atmosfera de pertencimento, criatividade e dedicação permanente que saem artistas capazes de transformar aço, espuma e tinta em emoção. Na Amazônia, eles fazem os bois voarem. No Rio, ajudam a fazer a Sapucaí sonhar.

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