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Alice Granato Por Alice Granato, jornalista, autora e editora de livros

MAM vai reabrir em setembro conectado aos novos tempos

Os diretores artísticos querem trabalhar de forma plural e integrada em sintonia com a cidade e o mundo

Por Alice Granato Atualizado em 19 ago 2020, 15h11 - Publicado em 19 ago 2020, 12h33

Quando o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro reabrir suas portas, no dia 12 de setembro, estará também inaugurando um novo tempo. Em uma ação histórica, o museu escolheu seus dois novos diretores artísticos por meio de uma chamada aberta internacional para a América do Sul. Após um processo de quatro meses, foi selecionado o projeto conjunto da carioca Keyna Eleison, de 41 anos, e do espanhol Pablo Lafuente, de 44, que vive no Rio há sete anos.

Ao lado do diretor executivo do museu, Fabio Szwarcwald, no cargo desde janeiro, eles contaram ontem, em uma primeira entrevista coletiva on-line,  dos planos de trabalhar de forma plural, social, cultural, experimental, sustentável e digital, conectando o museu com o público, com a cidade, com a periferia. “Estamos antenados com a modernidade”, define Szwarcwald.  A própria chamada aberta foi um prenúncio da mudança. “Pela primeira vez o Mam Rio terá uma direção artística selecionada por meio de um processo aberto e transparente”, destacou Szwarcwald.

O projeto conjunto de Keyna e Lafuente foi selecionado entre 103 candidaturas avaliadas por dois comitês técnicos. Jovens e com experiências múltiplas (ver abaixo o currículo completo) Keyna e Pablo, falaram do desafio que têm pela frente com propriedade e nítida satisfação. “Vamos trabalhar pelo encantamento”, afirmou Keyna. “Com afeto, conexão, prazer e aprendizado.” A retomada do Bloco Escola e a parceria com a Residência Artística Internacional Capacete também foram bastante destacados com a intenção de trazer os jovens para perto e estimular a criação artística.

“Tenho uma relação afetiva com o Mam Rio e é sobre afeto que se trata nossa direção artística. Eu e Pablo estamos juntos para pensar e desenvolver um museu vivo, situado e em rede. Estabelecer um diálogo prático e intelectual com saberes e visões de mundo, e ocupar espaços internos e externos de muitas formas”, afirma Keyna.

Lafuente falou da direção conjunta: “Uma diretoria compartilhada implica conjugar visões diversas e negociar múltiplas posições, com o intuito de representar e conectar com a realidade que nos rodeia, no Rio, no Brasil e no mundo. Temos a convicção de que só a partir da troca e da construção coletiva é possível criar instituições que façam a diferença”, reflete.

Os diretores ressaltaram que vão ocupar todos os espaços do museu, integrando também a área externa da belíssima construção de Affonso Eduardo Reidy e o paisagismo de Roberto Burle Marx. Szwarcwald afirmou que o digital veio para ficar e que todos os projetos do Mam serão também apresentados digitalmente. As mudanças serão feitas de forma coerente com a consagrada história do museu, marcada pelos movimentos de vanguarda e experimentação, e um dos mais importantes acervos de arte moderna e contemporânea da América Latina, com 15 mil obras de arte. Aberto em 1948, o Mam completou 72 anos e é para se celebrar sua história e a nova fase que começa a partir de agora, numa inteiração de passado, presente e futuro.

Abaixo os currículos completos dos novos diretores artísticos enviados pelo Museu:

Keyna Eleison, 41 anos, carioca

Curadora. Escritora, pesquisadora, herdeira Griot e xamã, narradora, cantora, cronista ancestral. Com experiência extensa em gestão de instituições de arte, cinema e cultura, e com gestão de projetos educativos. Mestre em História da Arte e especialista em História e Arquitetura pela PUC – Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro); bacharel em Filosofia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Participa da Comissão do Patrimônio Africano para laureação da região do Cais do Valongo, como Patrimônio da Humanidade (UNESCO). Curadora do 10a Bienal Internacional SIART, Bolívia (2018-19).

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Pablo Lafuente, 44 anos, espanhol

Nascido em Santurtzi, no País Basco, Pablo Lafuente vive no Brasil há sete anos, desde junho de 2013. Tem trajetória profissional nas áreas da curadoria, crítica de arte, edição e ensino, em contextos institucionais e informais, em projetos de pequena e grande escala. Em todos esses engajamentos, sejam eles de curto ou longo prazo, procurou desenvolver práticas interdisciplinares de modo colaborativo, com base em pesquisas teóricas e históricas, sempre pensando a arte desde seus contextos sociais e políticos e desde as plataformas institucionais que a fazem possível. Coordenador, Programa CCBB Educativo – Arte & Educação, Centro Cultural Banco do Brasi​l, Rio de Janeiro, de 2018 a 2020. Co-curador, 31​a Bienal de São Paulo como parte da equipe curatorial composta inicialmente por 5 pessoas (com Galit Eilat, Nuria Enguita, Oren Sagiv e Charles Esche) e mais tarde 7 (com Luiza Proença e Benjamin Seroussi). Curador Associado, Office for Contemporary Art Norway, Oslo, de 2008 a 2013, responsável pelo programa público e plano institucional em conjunto com a diretora Marta Kuzma.

 

 

 

 

 

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