Centro de Visitantes das Paineiras recebe 1 milhão de turistas

Após bater marca no 1º ano de funcionamento, complexo turístico ganha novas atrações no próximo mês

Os corredores Marcelo, Tatiana e Felipe: descanso entre os treinos

Os corredores Marcelo, Tatiana e Felipe: descanso entre os treinos (Selmy Yassuda/Veja Rio)

Os cariocas Felipe Barbosa, Marcelo Oliveira e Tatiana Martins preparam-se há meses para um desafio e tanto. Em 5 de novembro eles pretendem correr os 42 quilômetros entre o distrito de Staten Island, um dos cinco que compõem a cidade de Nova York, e o Central Park, na Ilha de Manhattan, na 48ª edição da tradicional maratona da metrópole americana. Para isso, o trio encontra-se todos os sábados na Estrada do Redentor. Repleta de subidas e descidas, a via fica fechada para carros nos fins de semana e abriga um local que se tornou parada obrigatória para o grupo recarregar as baterias entre os treinos: o Centro de Visitantes das Paineiras. Lá, em meio a um gole e outro de isotônico, eles descansam o corpo e a mente diante da vista espetacular, com o Hipódromo da Gávea e o Morro Dois Irmãos ao fundo. “No verão aqui é tão fresquinho que nem parece que estamos no Rio”, comenta Tatiana. Além dos maratonistas, esportistas de outras categorias têm marcado presença no cartão-­postal. “A estrutura oferecida é ótima para quem se exercita”, afirma a ciclista Deise Rosa. Aberto há um ano, o espaço onde nos séculos XIX e XX funcionou um hotel foi transformado em antessala para os turistas a caminho do Cristo. O novo complexo turístico do Rio já recebeu mais de 1 milhão de pessoas — e motivos não faltam para que os cariocas também o frequentem.

Para ampliar seu público, o ponto de encontro de visitantes e atletas ocasionais vem ganhando outras atrações. Desde o último dia 9, é possível embarcar de lá no trem do Corcovado. No amplo terraço à frente do prédio já dá expediente em esquema de testes a segunda filial carioca da lanchonete americana Burger Joint e, até o fim de novembro, será inaugurado ali um vestiário com chuveiro para os esportistas. A atual estrutura foi fruto de nove meses de obras e investimento de 40 milhões de reais do consórcio Paineiras-Corcovado, vencedor da licitação para administrar o local, realizada em 2012. Desde então, a concessionária instalou máquinas de autoatendimento para acabar com as filas na venda de ingressos para o Cristo Redentor, abriu uma loja de suvenires com linha de produtos exclusivos e promoveu uma exposição gratuita sobre a Floresta da Tijuca, projetada pela SuperUber, a mesma empresa que fez a curadoria do Museu do Amanhã. “A ideia é que o próprio centro seja uma atração”, afirma Pablo Morbis, diretor do consórcio à frente da operação. O espaço tem razões práticas para existir. Como só cabem 1.200 pessoas por vez no Cristo, o lugar, com capacidade seis vezes maior, funciona como sala de espera para o show principal. Números mostram que a receita deu certo: são 3000 visitantes por dia. Em ocasiões especiais, esse número aumenta. No último feriado de Corpus Christi circularam por lá 8000 pessoas. E, em meio à crise de segurança que assola as regiões fronteiriças do parque, os administradores do complexo ressaltam que seus acessos contam com a patrulha de viaturas da Guarda Municipal e da Polícia Militar e monitoramento com 120 câmeras. Em setembro, em toda a área foi registrado apenas um roubo.

Equipar pontos turísticos com estrutura de entretenimento é estratégia comum mundo afora. A Torre Eiffel tem três restaurantes, um bar e conserva em seu topo uma versão aberta aos visitantes do escritório de seu criador, o engenheiro Gustave Eiffel. A prefeitura de Paris anunciou em janeiro que o espaço passará por reformas, que foram orçadas em 1 bilhão de reais. A ideia é reforçar a segurança após a onda de atentados recentes na Europa. Uma das intervenções é o adensamento da vegetação no entorno — medida, convenhamos, desnecessária no Centro de Visitantes das Paineiras, já cercado de verde. Encravado em meio à floresta, o ponto abrigou o Hotel Paineiras, inaugurado em 1884. Inspirado nas hospedarias suíças e americanas da época, ele foi concebido pelo então engenheiro (e futuro prefeito) Pereira Passos e posteriormente assumido pela Light. No período áureo, logo depois de sua abertura, recebeu personalidades como a atriz Sarah Bern­hardt, que quase foi expulsa por desfilar nua pelos corredores. Simbólica, a retomada pelos cariocas de um espaço com tanta história é uma inequívoca demonstração da capacidade que o Rio tem de se reinventar.

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