Lagoa ganha novo parque público

Privatizado desde 1965, o terreno onde já funcionaram um cinema drive-in e a academia Estação do Corpo tornou-se, finalmente, e por vias tortas, um espaço de lazer

No domingo (11), a prefeitura entregou aos cariocas o Parque das Figueiras, às margens da Lagoa. Batizado em homenagem a três antigas árvores que resistiram às muitas empreitadas comerciais ali instaladas, o novo espaço público de lazer da cidade espalha-se por 18 000 metros quadrados, o equivalente a dois gramados do Maracanã e meio. A região ganhou meio quilômetro de ciclovia, bicicletários, brinquedos infantis, convidativas espreguiçadeiras, uma academia da terceira idade e duas estações de ginástica, daquelas voltadas para quem pega mais pesado. O verde voltou, com o gramado e o plantio de 190 árvores, forma sensata de compensar a flora, já destruída por ali. Depois das ruínas e do mato alto, o parque é o primeiro sucessor, no local, da gloriosa Estação do Corpo, monumento à malhação e à badalação, inaugurado em 1997 e despejado quinze anos depois. O complexo, com equipamentos modernos, quadras, campo de futebol, piscina e estacionamento para 300 carros, chegou a ter 4 000 sócios, com muitos famosos entre eles. Em 2012, vencedor no processo de reintegração de posse que levou ao fechamento da academia de luxo, o governo do estado deixou germinar em seus gabinetes a proposta de levantar no terreno um hangar de helicópteros. Felizmente, a iniciativa foi abatida em plena decolagem pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A área, depois cedida à prefeitura, ganhou novo projeto: viria a abrigar o Parque Radical da Lagoa, com paredes de escalada e pistas de skate. Essa ideia também gorou. Segundo a explicação oficial da Secretaria Municipal de Conservação, resultaria em concorrência desnecessária para a herança olímpica do Parque Radical de Deodoro. Chegamos então ao Parque das Figueiras. Na região da Lagoa, tombada pelo Iphan, por sua importância paisagística, o nobre naco de terra do Estado do Rio cedido ao empresário Ricardo Amaral em 1965 (e repassado ao também empresário Nelson Tanure 37 anos mais tarde) já abrigou boates, pista de patinação e até um drive-in, cinemão ao ar livre com a plateia, nos carros, nem sempre atenta ao que rolava no telão. Mais de meio século depois, a praça é nossa.

 

 

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