Os bastidores da lista de exigências dos astros do Rock in Rio

Há mais de quinze anos na produção, a carioca Ingrid Bergher é a responsável por cumprir os pedidos que vão de mobília a receitas exclusivas

As folclóricas “500 toalhas felpudas” já foram as campeãs de pedidos extravagantes nas listas de exigências para os camarins das estrelas. Reunir essa montanha de tecido, no entanto, não é tarefa das mais complicadas, garante uma especialista no assunto. Na equipe de organização do backstage do Rock in Rio desde a terceira edição do festival, em 2001, a carioca Ingrid Bergher, 61 anos, comanda oito produtores e quatro camareiras, responsáveis por atender a todos os caprichos dos astros que se apresentarão na Cidade do Rock. Há tanto tempo na função, coleciona várias histórias, é claro. Como a vez em que, na hora de subir ao palco, a cantora Amy Winehouse cismou de pintar as unhas de vermelho. “Ninguém tinha esmalte e não daria tempo de ir até a farmácia. Na cara de pau, entrei no camarim de Ivete Sangalo e perguntei se alguém tinha um vidrinho. Deu certo”, lembra ela.

O trabalho que o público não vê começa três meses antes da estreia. Na edição 2017, a 16ª aos cuidados de Ingrid, os camarins das estrelas do rock serão montados em contêineres de 2,40 metros de largura por 5,80 metros de comprimento. A estrutura básica inclui sofá, arara para o figurino, espelho de corpo inteiro e geladeira. O preto predomina na decoração das bandas masculinas. Já no espaço das cantoras, a preferência é por cores claras. Uma mesma mobília pode servir para enfeitar os ambientes de mais de um artista, mas há quem faça questão de móveis específicos. Lady Gaga, por exemplo, pediu um sofá branco com medidas determinadas. A peça depois vai seguir para o camarim de Alicia Keys. “Tudo é rea­proveitado. Até a comida. Se não é perecível, a gente distribui entre os trabalhadores. Não existe desperdício”, diz Ingrid. Normalmente, cada banda ocupa cerca de quatro contêineres. É claro que astros como Paul McCartney e Rolling Stones, atrações do festival em Lisboa, em 2004 e 2014, respectivamente, requerem estrutura maior. Mick Jagger e cia. sempre pedem uma sala de ginástica, outra de maquiagem mais um cômodo para massagem. Resultado: a área reservada pode passar facilmente dos 200 metros quadrados.

 (Reprodução/Veja Rio)

Pela lista de exigências, o Red Hot Chilli Peppers tem tudo para ganhar o título de banda mais tranquila deste Rock in Rio. Como o grupo viaja com um chef, vai demandar pouco da produção. Em compensação, Ingrid terá de cuidar de todos os detalhes dos jantares de Aero­smith e Megadeth. “São muitas pessoas, e cada uma pediu um prato diferente. O Aero­smith mandou a receita de um muffin de frutas vermelhas. Fico tão ansiosa que já acordei no meio da noite pensando nisso”, confessa ela, que vem observando uma mudança de comportamento ao longo dos anos. “Cantores, bailarinos e técnicos de som estão mais saudáveis. Há uma onda vegetariana e vegana entre eles. O pedido de bebida alcoólica, por exemplo, caiu drasticamente. Poucos artistas querem vodca, uísque, tequila. A preferência é por bebidas mais leves”, diz. Para quem os aguarda ansiosamente na frente do palco, pode ser uma boa notícia.

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