Entre o amor e ira dos famosos, o colunista Leo Dias vira o rei da fofoca

Com uma agenda imbatível e informantes fiéis, o jornalista revela os bastidores da vida das celebridades e assume a luta contra a dependência química

Leo Dias: polêmicas e notas bombásticas fazem dele o maior nome do colunismo de celebridades

Leo Dias: polêmicas e notas bombásticas fazem dele o maior nome do colunismo de celebridades (Felipe Fittipaldi/Veja Rio)

O bordão “A fama tem seu preço. Estou aqui para cobrar”, copiado por ele da série de TV americana Dirt, sobre uma inescrupulosa editora de revista, não poderia descrever melhor o estilo de Leo Dias. Do tipo que atiça ódio mortal em uns, amor incondicional em outros e críticas impiedosas em muitos, o jornalista não passa incólume. Destemido e dono de uma língua viperina, tornou-se o maior nome do colunismo de celebridades. De sua metralhadora giratória, só nas últimas semanas, saiu uma saraivada de bombas: deu em primeira mão a gravidez de Ísis Valverde, antes mesmo de a atriz avisar a Globo da gestação, noticiou que Sabrina Sato também espera o primeiro filho e que Luciana Gimenez e Marcelo de Carvalho se separaram. Na leva, exibiu com exclusividade fotos de Dado Dolabella na prisão, por dívidas de pensão alimentícia. São dele furos como a acusação de assédio contra José Mayer, divulgada dois meses antes de o bafafá vir à tona, a traição de Marcelo Adnet nas ruas do Leblon, a perda do contrato fixo de Malu Mader e por aí vai. O colunista, que admite lutar contra a dependência química, acumula uma coluna diária no Jornal O Dia, um programa semanal na Rádio Mix FM, pode ser visto às tardes na atração Fofocalizando, no SBT, e ainda está escrevendo a biografia da cantora Anitta. “Eu era um louco desvairado no início, precisava ser odiado. Hoje, checo, recheco as informações e meço consequências”, afirma. “Disparado, é o cara que mais tem acesso à vida privada dos artistas e dá mais notícias em primeira mão”, diz o diretor Fernando Pelégio, o terceiro homem na hierarquia do canal de Silvio Santos. “Mas confesso que, mesmo que se confirme depois, tremo cada vez que ele anuncia ao vivo um furo.”

 (Stefano Martini/AG. GLOBO. Eduardo Bravin/DIVULGAÇÃO/Veja Rio)

Por mais que muitos jurem de pés juntos ignorar os mexericos, tratados como um assunto relevante para uma sociedade até no best-seller Sapiens — Uma Breve História da Humanidade, não é fácil chegar ao olimpo dos fofoqueiros de plantão. Leo Dias, 43 anos e 22 de profissão, fica conectado 24 horas, troca mensagens pelo WhatsApp com pelo menos cinquenta pessoas por dia e conta com uma agenda com mais de 200 telefones quentes de famosos. Tem acesso fácil a celebridades como Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Deborah Secco, Susana Vieira, Felipe Neto, Adriane Galisteu e o DJ Alok. Sua rede de contatos inclui bicheiros e até doleiros, como Sergio Mizrahy, preso na Operação Lava-­Jato. “Não julgo ninguém. Se a pessoa faz algo errado, quem tem de decidir é a Justiça”, esquiva-­se. Sua teia de informantes impressiona: calcula ter mais de 5 000 fontes, que vão do paparazzo ao garçom, do cabeleireiro ao atendente do aeroporto, do técnico de estúdio de TV aos próprios artistas. O babado, porém, pode vir de onde menos se espera. No caso da gestação de Sabrina Sato, a história partiu de uma anônima que o procurou via Instagram, no qual ele tem 1,2 milhão de seguidores e, a cada dia, recebe 4 000 mensagens. A nota de Ísis, famosa pelo estilo low profile, veio da secretária de uma amiga que tinha um contato num laboratório, para o qual a atriz faria uma campanha publicitária. Durante anos, o jornalista teve uma dedo-duro na Clínica São Vicente, que se aproximou dele por e-mail e da qual nunca soube sequer o nome. Ela passou ao colunista bafões como a internação de Débora Falabella no fim da novela Avenida Brasil e seu romance com Murilo Benício. “Quando você vai dar porrada, tem de saber exatamente em quem, porque a reação virá”, diz. “Não sou bobo de mexer com Preta Gil, por exemplo. Compraria briga com Ivete, Carolina Dieckmann e outros amigos poderosos.”

 (João Cotta/TV GLOBO, Eduardo Knapp/FOLHA PRESS, Marcio Fernandes de Oliveira/AG.ESTADO, Arthur Meninea/TV GLOBO, Lailson Santos/TV GLOBO/Veja Rio)

Calcanhar de aquiles das estrelas, ele acumula furos em profusão e processos às pencas. Pelo menos quarenta artistas recorreram à Justiça contra o colunista. Depois de perder uma ação para Flávia Alessandra, no imbróglio da herança de Marcos Paulo, teve de ir todo mês, por dois anos, ao Fórum da Barra. Foi condenado a pagar 30 000 reais em cestas básicas num processo movido por Grazi Massafera e Cauã Reymond — Leo anunciou o enlace e a separação do casal. Mas foi numa ação de Galvão Bueno que ficou mais receoso e recorreu a forças, digamos, pouco ortodoxas. Ele publicou que, em um show, o comentarista esportivo jogou champanhe na mulher, Desirée, e a empurrou. “Uma de minhas assistentes, que é mãe de ­santo, levou o nome dos cinco advogados dele para um terreiro de umbanda”, conta. Fato é que os medalhões perderam os prazos no processo, que acabou extinto. Mesmo com a enxurrada de quiproquós, cutuca onças estelares com vara curta. Diante da chiadeira de Danielle Winits, após noticiar que a atriz tinha se passado por grávida para furar a fila num voo, ele foi para a web e soltou: “Está reclamando, nem falei que você traiu seu marido (então um jogador de futebol)”. O caso, de 2017, acabou na delegacia, assim como a ameaça feita pelo ator André Gonçalves, par da atriz, que dizia que quebraria seus dentes. Não foi a única intimidação que sofreu. O colunista foi ameaçado de morte por um policial apontado como pivô do fim do noivado de Joana Machado e Adriano Imperador, e levou um banho de vodca, num camarote, do marido da blogueira Lala Rudge, a quem atribuía uma pulada de cerca. Se Leo Dias é vingativo? “Amor, finja que gosta de mim, mas não seja meu inimigo. Toda bicha é vingativa”, dispara. Do estilo que diz na lata o que pensa e chama desafetos como Winits de “atriz em franca decadência”, Bruna Marquezine de “falsa e nojenta” e Luana Piovani de “a menos sonsa delas”, ele refuta um único adjetivo: “Podem me chamar de fofoqueiro, drogado, bichinha qua-qua, menos de mentiroso”.

 (Veja Rio/Veja Rio)

O rei da tricotagem vive um momento ambíguo. Virou, de certa forma, celebridade. O colunista, que diz ganhar em seus três trabalhos 33 000 reais, é abordado por tietes com pedidos de fotos e costuma ser alvo de “agrados”. Não gastou um tostão com o Botox que estica seu rosto. “Também pus lentes de contato nos dentes em troca de posts”, gaba-­se. Há poucos meses, quando Leo deu notas sobre Day ­McCarthy, autora do ataque racista contra Titi, filha de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, ela voltou sua ira contra o jornalista. Publicou na rede uma foto dele ao lado de dois garotos de programa num hotel, que o colunista jura serem fãs em busca de selfies, e deu a entender que ele usava drogas. “Virei vidraça.” Embora muita gente já tenha insinuado, ele falou, pela primeira vez, sobre a questão da dependência química a VEJA RIO. “A cocaína já foi a minha melhor companhia”, admite, com franqueza causticante. “Sei que envolve um tratamento sem fim e lembro disso todo santo dia.” O jornalista, que toma cinco remédios controlados, conta que o drama com as drogas começou num intercâmbio na Austrália, no início dos anos 2000, onde virava noites à base de ecstasy. Em 2012, em pleno Carnaval, após dias trancado no apartamento onde vive sozinho, em Botafogo, internou-se espontaneamente numa clínica. Ao dar entrada, ouviu gritos familiares: era uma famosa em desvario total. “Naquela semana, uma psiquiatra me chamou para dizer que os pacientes estavam com medo de eu publicar o que via ali, mas ainda fiquei internado um mês”, lembra ele, que depois disso teve algumas recaídas. Embora alegue diversos motivos, já faltou a inúmeros compromissos e surgiu muitas vezes alterado nos stories, aqueles vídeos do Instagram que ficam 24 horas no ar. Na semana passada, postou um desses. Ao ver as imagens, Anitta logo enviou um áudio via WhatsApp para o colunista: “Não quero me meter, mas está dando arma carregada para quem não gosta de você. Apaga isso”, sugeriu ela, com quem Leo fala sempre por causa da biografia que está fazendo da cantora.

Furos e polêmicas ao vivo: Leo Dias grava diariamente no estúdio do SBT o programa Fofocalizando

Furos e polêmicas ao vivo: Leo Dias grava diariamente no estúdio do SBT o programa Fofocalizando (Felipe Fittipaldi/Veja Rio)

O colunista verborrágico de hoje contrasta com o jovem retraído do subúrbio de Todos os Santos. Filho de uma dona de casa com um coronel da PM, que chegou a subsecretário de Segurança Pública, teve criação rígida. Estudou em colégio de freiras e, nas viagens de carro com os pais, era obrigado a rezar o terço. Na adolescência, com os hormônios em ebulição, encantava-­se com pitéus da TV, como Carlos Alberto Riccelli e Mário Gomes. Perdeu a virgindade aos 21 anos, nunca beijou uma mulher na boca e, mesmo gay declarado, jamais verbalizou a orientação sexual em casa. Ainda na faculdade, virou repórter da Rádio Difusora Portuguesa. Pela emissora, foi à Indonésia e, de forma insólita, entrevistou Xanana Gusmão, líder da independência do Timor Leste, preso na época. Ele conheceu pessoas que o visitavam, deu a elas três camisas do Brasil, um gravador e as perguntas num papel. Sem entrar na prisão, saiu de lá com a entrevista exclusiva. A indústria da fofoca só apareceu em sua vida no jornal Extra, depois de ele passar por revistas como a Contigo. “Cheguei a ponto de me achar a pica das galáxias. Trabalhava com os pés na mesa, não porque gostasse, mas para mostrar que podia”, diz Leo Dias, que inspirou o colunista Téo Pereira, vivido por Paulo Betti na novela Império. Tempos mais tarde foi demitido. Integrou atrações na Band e na RedeTV! até ir para o SBT, em 2016. Impulsivo, já criticou o programa no ar, deixou escapar palavrões e, há poucos dias, recebeu uma notificação por tratar rispidamente as pessoas. “O Leo berra, é temperamental, impaciente com as coisas do trabalho, mas tem um coração enorme”, defende Fábia Oliveira, seu braço-direito no jornal O Dia. Tanto no Fofocalizando, que só perde em audiência no Rio para a Globo, como na Mix, onde divide a bancada com Bruno Chateaubriand e Antônia Fontenelle, dá ti-ti-ti. “Ele se tornou o mais relevante e assertivo jornalista social dos nossos tempos”, diz Luiz Calainho, sócio da rádio.

Estilo falastrão: inspiração para o personagem Téo Pereira, vivido por Paulo Betti, na novela Império

Estilo falastrão: inspiração para o personagem Téo Pereira, vivido por Paulo Betti, na novela Império (Renato Rocha Miranda/TV GLOBO/Veja Rio)

Mexer com egos siderais de uns e virar unha e carne de outros não é para qualquer um. Com o tempo, Leo Dias aprendeu a distribuir as cartas no jogo das celebridades. Entre acertos e muitos erros também, deixa de dar informações quentes para ter lá na frente outras bombásticas. Não divulgou, por exemplo, a informação de que Susana Vieira fez uma cirurgia em segredo, que Deborah Secco, antes de Roger Flores, teve um tórrido romance com outro jogador, nem revelou um documento que arranharia a imagem de Marina Ruy Barbosa no dia de seu casamento, mesmo tendo acesso ao papel. Ganhou aliadas fiéis. “Ele já publicou notas não muito legais sobre mim, mas tive a chance de rever essa história. Além de preocupado com a apuração, tem um jeito maluco, doce e engraçado”, elogia Claudia Leitte, outra amiga leal. A moeda de troca, garante, é sempre notícia por mais notícia. “Já recebi uma oferta de dinheiro de uma assessora da atriz Miryan Martin, ex-Zorra Total, na época em que ela lançava um CD. Claro que recusei”, lembra. Sem papas na língua, tudo o que fala ou posta reverbera e põe a internet abaixo. O fofoqueiro-mor é um polêmico inveterado. “Falem mal, mas falem de mim”, diz. “Só que tem troco”, alfineta. Estamos no aguardo.

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