Crivella quer vetar exposição Queermuseu no MAR

Posicionamento do prefeito vai contra constituição, que proíbe censura a obras de arte

 (Reprodução/Facebook)

Marcelo Crivella se posicionou contra a possibilidade de vinda da exposição Queermuseu ao Museu de Arte do Rio. O prefeito manifestou sua opinião por meio de um vídeo publicado em sua página no Facebook.

“Eu não quero no Rio de Janeiro exposição de pedofilia e zoofilia”, afirma um homem no começo do filme. Depois disso, sua posição é reiterada por cinco pessoas até Crivella entrar em cena. “Está vendo? É por isso que aqui no Rio a gente não quer essa exposição”, diz o prefeito. “Saiu no jornal que ia ser no MAR. Só se for no fundo do mar! Porque no Museu de Arte do Rio não”, completa o prefeito.

Procurado, o curador do MAR Evandro Salles afirmou que a negociação para a vinda da Queermuseu continua, mas que a entrada da mostra na programação depende da aprovação do conselho do museu. Crivella não faz parte do conselho.

Entenda o caso

A mostra Queermuseu esteve em cartaz em um centro cultural de Porto Alegre até o último dia 10, quando foi cancelada pelo banco Santander após protestos de representantes do Movimento Brasil Livre (MBL). Segundo os integrantes do grupo, obras da mostra faziam “apologia à zoofilia e pedofilia”, numa alusão a trabalhos como Cena de Interior II, de Adriana Varejão, e peças da série Criança Viada, de Bia Leite.

Vale lembrar que procuradores visitaram a exposição um dia após seu fechamento constataram que não há nela imagens de pedofilia nem de nada passível de punição legal. Isso coloca o posicionamento de Crivella como estritamente moral e vai na contramão da Constituição Federal diz que “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.

No texto que acompanhou a publicação do vídeo, o prefeito ainda confundiu a Queermuseu com uma performance do coreógrafo Wagner Schwartz no MAM-SP, em que o artista ficou nu e crianças estavam presentes. O trabalho também foi alvo de críticas por parte do MBL. “Não é legal estimular uma criança a tocar em um homem nu em “nome da arte”. É preciso respeitar a família, vamos cuidar das nossas crianças!”, escreveu Crivella, que é pastor licenciado da Igreja Universal.

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