Batata quente

Chef acusa empresário de fraude para retirá-lo de sociedade em restaurante

Por Caio Barretto Briso 6 jul 2011, 17h06 • Atualizado em 5 dez 2016, 16h10
Fernando Lemos
Fernando Lemos (Redação Veja rio/)
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  • Mestre-cuca que se preze sempre alimenta o sonho da casa própria. Ou seja: deseja ter um restaurante para chamar de seu, com autonomia para escolher os ingredientes, criar o cardápio e influenciar até na decoração. Ao se associar ao empresário Abdo Bulus, o holandês Mark Kwaks parecia estar realizando essa ambição. Em agosto do ano passado, a dupla inaugurou o Hollandaise, uma casa inspirada na culinária do país natal do cozinheiro, com capacidade para acolher 230 pessoas e escancarada para o mar da Barra da Tijuca. Na divisão de tarefas, Bulus cuidava da parte administrativa, enquanto ficava sob responsabilidade do parceiro tudo o que era relativo a forno e salão. Em pouco tempo, o ponto cativou uma boa clientela, chegando a receber 400 comensais nos dias de maior movimento. Tudo parecia ir bem até que a receita desandou. Em dezembro, Kwaks, que também é chef executivo da rede Frontera, saiu do estabelecimento. Aos fregueses que perguntavam sobre sua ausência, era dito que ele estava de férias. Mas as semanas foram passando e nada de retorno.

    Na verdade, a resposta evasiva era uma maneira de despistar o rompimento nada amistoso entre os sócios, que resultou em um processo judicial na 1ª Vara Cível da Barra e uma pesada acusação de fraude documental. A origem da discórdia foi uma série de desentendimentos entre os dois, que resultou no afastamento do chef no fim do ano. Em março, o holandês foi surpreendido ao ver em sua conta bancária um depósito de 12?500 reais. Ficou ainda mais perplexo ao descobrir que a cifra tinha vindo do (ex-)parceiro e se referia à compra de sua parte na sociedade. Um valor ?irrisório?, segundo Kwaks, que afirma ter investido 100?000 reais no restaurante. ?Ele (Bulus) falsificou minha assinatura em um documento absurdo, que lhe dava o poder de vender minha participação pelo preço que quisesse?, conta o mestre-cuca.

    De posse dessa procuração, o empresário passou a parte pertencente ao cozinheiro para sua própria filha. O tabelião George Vinicius da Silva Gomes, do cartório no Centro da cidade, de onde teria saído o papel, confirma a fraude. ?A assinatura não é minha, o carimbo não é meu e o selo de reconhecimento de firma pertence a outra pessoa, que não a citada?, acusa. Procurado por VEJA RIO, Bulus desmente as evidências. ?As providências estão sendo tomadas na Justiça?, diz. ?Não existe nada disso do que ele (Kwaks) está falando.? Se for comprovada a prática de falsificação de selo público e a de falsidade ideológica ? ambas previstas nos artigos 296 e 299 do Código Penal, respectivamente ?, o empresário e seus três sócios atuais, entre eles a filha, podem ser condenados a até nove anos de reclusão. Há ainda um ingrediente extra para apimentar a história: Bulus é tio da mulher do chef. A batata vai esquentar ainda mais.

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