Tolerância zero: acesso às praias da Zona Sul é fechado com grades

No primeiro dia do programa, a orla foi bloqueada por pontos de acesso monitorados do Leme ao Leblon e vendedores de milho sumiram das areias

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 13h11 | Atualizado em 16 jul 2026, 13h12
Vista aérea da Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, com mar azul-turquesa e ondas brancas. A faixa de areia clara está repleta de pessoas, guarda-sóis coloridos e barracas. Ao longo da orla, edifícios altos e uma avenida movimentada. Montanhas verdes e o Pão de Açúcar completam o cenário sob céu claro.
Tolerância Zero: novo plano da prefeitura e do governo busca combater o crime organizado na orla carioca. (Rafael Catarcione/Prefeitura do Rio de Janeiro)
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Na manhã desta quinta-feira (16), primeiro dia de atuação do programa Tolerância Zero, os acessos à Avenida Atlântica, no Posto 3 em Copacabana, amanheceram com grades da prefeitura. Estruturas metálicas controlavam o acesso nas esquinas da via com as ruas Hilário de Gouveia, Siqueira Campos e Figueiredo de Magalhães, por exemplo.

O programa promete um choque de ordem no trecho entre o Leme e o Leblon da orla da Zona Sul do Rio. As informações são do jornal O Globo.

Os agentes da prefeitura também estiveram no canteiro central da orla, como na altura do hotel Copacabana Palace, e em pontos do calçadão. As grades, por outro lado, não estão presentes nas esquinas das Avenidas Princesa Isabel e Prado Júnior, próximo ao posto 2.

Anunciado na semana passada, o programa deve empregar 138 agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop), que atuarão em duplas, para a fiscalização da orla.

Ao todo, a orla do Leme ao Leblon vai receber 69 pontos de monitoramento, responsáveis por controle de acesso, apreensão de mercadorias sem comprovação de origem e combate a depósitos clandestinos.

Na Praça Serzedelo Correia, em a Copacabana, onde há uma base da Guarda Municipal, houve uma concentração de viaturas pouco antes das 8h. Pelo menos 11 veículos estavam de prontidão para a atuação nas ruas da Zona Sul.

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Por conta do frio, a movimentação no início da manhã é tímida. Majoritariamente composta por pessoas indo praticar esportes.

Durante atuação de agentes da Guarda Municipal no primeiro dia de atuação do programa Tolerância Zero na orla da Zona Sul, uma vendedora de artesanato precisou recolher seus produtos após abordagem dos agentes.

Pouco antes das 9h, Thaís Amém já estava instalada entre o calçadão e a areia. Com um guarda sol laranja, um tapete e uma arara com produtos produzidos por ela, a vendedora trabalhava normalmente, na altura da Rua Souza Lima, em Copacabana, mesmo que instalada próxima aos guardas. Após aproximação da veículos da mídia, pelo menos nove agentes se aproximaram da vendedora e solicitaram que ela deixasse o local.

Thaís argumenta que se sentia amparada por uma lei federal que protegeria os artesãos. A Lei Federal 15.419, de maio deste ano, caracteriza como artesão quem tem trabalho “predominantemente manual, que poderá contar com o auxílio de ferramentas e outros equipamentos, desde que visem a assegurar qualidade, segurança e, quando couber, observância às normas oficiais aplicáveis ao produto”.

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A legislação, no entanto, menciona apenas que a União, Estado e municípios poderiam “adotar medidas de estímulo à comercialização de seus produtos”.

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Já o decreto municipal 58.256, publicado na semana passada, criou o Tolerância Zero e instituiu que haveria “combate à exploração irregular dos espaços públicos, implantado, inicialmente, na orla marítima”, do Leme ao Leblon. A área de atuação vai da faixa de prédios à água do mar, incluindo calçadão e areia.

O texto também menciona que os “órgãos competentes poderão reter ou apreender mercadorias, equipamentos, carrocinhas, carrinhos, estruturas, mobiliários, veículos de tração humana e quaisquer outros bens, utilizados na exploração do espaço público, no caso de constatada a ausência de documento fiscal idôneo, que comprove a sua origem lícita”.

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Os guardas confirmaram que não iriam reter a mercadoria de Thaís, mas informaram que a orientação é realmente de tolerância zero à ocupação do calçadão.

Durante o anúncio do novo programa, a prefeitura mencionou que os ambulantes pagariam de 200 a 300 reais por dia para ocupar o espaço público. O dinheiro seria pago a traficantes. Thaís, após recolher suas mercadorias, retrucou essa narrativa.

“É o maior caô essa cobrança do tráfico. Essa foi uma forma de legitimar a retirada de todos da praia, e uma forma de ter o apoio da população. Com isso, criminalizou todo mundo”, afirmou a’O Globo.

Durante a abordagem, alguns ambulantes se aproximaram, mesmo que sem mercadorias, para avaliar se conseguiriam trabalhar nesta quinta-feira.

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Um decreto de maio do ano passado impôs regras ao comércio nas praias. Até barraqueiros precisaram adotar faixas padronizadas com os nomes e números das barracas, assim como bandeiras precisaram ser removidadas. Em novembro de 2025, placas foram instaladas em postes da orla, informando sobre proibições.

Entre os itens proibidos estavam carrocinhas com gás, como as de milho, equipamentos com carvão (como churrasqueiras), e produtos no palito, como queijo coalho, camarão e churrasquinho.

Na areia, até o momento, só foram avistados vendedores de mate e biscoito Globo, assim como vendedores de canga. Vendedores de milho, por exemplo, sempre presentes, sumiram.

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