Séries de TV sobre a criminalidade carioca dominam o streaming

Produções que têm a violência na cidade como pano de fundo engatam novas temporadas, ampliam o alcance e consolidam seu sucesso

Por Pedro Coutinho 1 Maio 2026, 10h13 | Atualizado em 1 Maio 2026, 10h41
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Aposta internacional: a sexta temporada de Impuros acaba de chegar ao Disney+, com Bruno Gagliasso e Raphael Logam no elenco.  (Carlos Eboli/Divulgação)
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Em fevereiro de 2026, o Rio de Janeiro registrou o menor número de mortes decorrentes da violência para o mês em 25 anos. Os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), no entanto, são motivo de espanto e não de celebração: foram 303 vítimas ou seja, mais de dez pessoas mortas diariamente.

Entre o encanto do pôr do sol no Arpoador e as 121 vidas perdidas na megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro de 2025, o purgatório da beleza e do caos encaixa o horror na rotina.

Tamanha dualidade vira matéria-prima para roteiristas. Nas plataformas de streaming, pipocam séries sobre diversas camadas e vieses da criminalidade carioca – da milícia às disputas do jogo do bicho, e o ranking das mais assistidas não nega o apelo dessas narrativas.

A chegada da sexta temporada de Impuros ao Disney+, agora com Bruno Gagliasso no elenco, é prova do sucesso. Ambientada na década de 1990, a história retrata a ascensão de um traficante poderoso e é livremente inspirada em casos que estampavam manchetes naquela época.

Testada com sucesso no cinema no início dos anos 2000 ó caso de Tropa de Elite, a fórmula floresce no streaming pela possibilidade de aprofundar tramas.

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Um exemplo é Cidade de Deus: A Luta Não Para, da HBO Max, continuação do filme de Fernando Meirelles lançado em 2002. A série dirigida por Aly Muritiba já tem segunda temporada confirmada. “Trouxemos para o primeiro plano as consequências da violência na vida dos moradores daquela comunidade. Vinte anos depois dos acontecimentos do longa, as pessoas se unem para cobrar o Estado e os traficantes”, resume Muritiba.

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Cidade de Deus: A Luta Não Para: apelo por escancarar o crime em diferentes classes sociais. (./Divulgação)

A parceria da ONG Afroreggae com o Globoplay rendeu três produções na última década: A Divisão, com três temporadas sobre a onda de sequestros que abalou o Rio em 1990; O Jogo que Mudou a História, sobre a ascensão do jogo do bicho, com segunda leva de episódios confirmada; e Arcanjo Renegado, que acompanha um sargento incorruptível do Bope. O quinto volume estreia no segundo semestre.

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Arcanjo Renegado: apelo por escancarar o crime em diferentes classes sociais. (Cesar Diogenes/Divulgação)
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“Não há projeto do Afroreggae que não dialogue com a política, a polícia, o tráfico ou a milicia”, explicita o showrunner José Junior, já em fase de produção de Delegacia de Homicídios para o Disney+.

A Netflix também investiu no tema com Os Donos do Jogo, retrato ficcional da rede de traições e luxúria da cúpula da contravenção, que alcançou o posto de quarta série mais vista globalmente em novembro do ano passado.

OS DONOS DO JOGO. Giullia Bascacio as Suzana, Mel Maia as Mirna in Os Donos do Jogo. Cr. Marcos Serra Lima/Netflix © 2025
Donos do Jogo apelo por escancarar o crime em diferentes classes sociais. (Marcos Serra Lima/Netflix/Divulgação)

O filão de mazelas cariocas transportadas para as telas é relativamente recente. Até o início da década de 1970, quase não se falava em violência urbana. O cenário se transforma nas duas décadas seguintes, impactando a imagem da cidade.

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“A mudança nos padrões de criminalidade, sobretudo a partir dos anos 1990, alterou os destaques das páginas de jornais. Não por acaso, o interesse da população pela violência ganhou fôlego”, explica Luana Martins, professora do departamento de sociologia da UFRJ.

Outro ponto nevrálgico é que, no Rio, os criminosos estão em todas as classes sociais. “É curioso como ao mesmo tempo em que o bicheiro está profundamente conectado com a comunidade, ele transita na alta sociedade com uma facilidade muito distante da ideia do crime”, define Manoel Rangel, produtor de Os Donos do Jogo.

“A violência transita no imaginário das pessoas. O Rio é a caixa de ressonância do Brasil, o que acontece aqui gera interesse para o bem e para o mal”, reforça José Junior, destacando que as produções do gênero também são cariocas.

Entre roteiro e vida real, o Rio segue sendo ao mesmo tempo cenário, personagem e origem dessas histórias.   

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Barbárie sob demanda 

Filmes sobre o crime no Rio disponíveis nas plataformas 

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(./Divulgação)

CIDADE DE DEUS (2002). O icônico longa acumulou quatro indicações ao Oscar e alçou o cineasta Fernando Meirelles a Hollywood ao retratar o tráfico na cidade. HBO Max, Netflix, Globoplay, Paramount+. 

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(./Divulgação)

TROPA DE ELITE (2007). Vencedora do Leão de Ouro no Festival de Berlim, a divisiva obra de Afonso Padilha narra a brutalidade da guerra entre polícia e tráfico, com uma interpretação inesquecível de Wagner Moura. Prime Video, HBO Max e Telecine.

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(./Divulgação)

OS ENFORCADOS (2025). Inspirada em MacBeth, de Shakespeare, a obra de Fernando Coimbra traz Leandra Leal e Irandhir Santos como um ambicioso casal de herdeiros do bicho afundando num buraco do qual esperavam escapar. Telecine.  

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(./Divulgação)

LÚCIO FLÁVIO: O PASSAGEIRO DA AGONIA (1978). O clássico de Hector Babenco narra a trajetória de um bandido conhecido nacionalmente pelos roubos a banco e fugas espetaculares. Netflix, Mubi. 

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