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O robô cirurgião

Com tecnologia desenvolvida pela agência espacial americana, chega ao Rio um aparelho capaz de realizar operações em seres humanos

Por Sofia Cerqueira
Atualizado em 5 dez 2016, 15h37 - Publicado em 25 abr 2012, 20h16

Quando se fala em medicina de ponta, frequentemente os cariocas ouvem que a melhor opção é pegar a ponte aérea para São Paulo. Na capital paulista estão, entre outros, os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, reconhecidos centros de excelência. Aos poucos, porém, um novo panorama começa a se esboçar no Rio, fruto do investimento maciço feito por grandes grupos privados e estabelecimentos públicos. Desde o início de março, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) realiza cirurgias com o uso de um robô de última geração. Trata-se do quarto aparelho em funcionamento no país e o pioneiro por aqui. É o primeiro também disponível na rede pública, pois os demais pertencem a instituições particulares. Batizado de Da Vinci, o doutor-autômato representa um avanço em vários aspectos. Reduz quase à metade o tempo de duração das cirurgias, atua com mais precisão na área afetada e possibilita ao paciente uma recuperação mais rápida. ?Ele alcança locais de difícil acesso sem precisar fazer cortes ou com incisões mínimas?, afirma Luiz Antônio Santini, diretor-geral do Inca. A previsão é que, até o meio do ano, comece a funcionar o segundo exemplar do gênero na cidade, encomendado pelo Hospital Samaritano.

A tecnologia do Da Vinci foi desenvolvida pela Nasa. O objetivo da agência espacial americana era fabricar uma máquina que possibilitasse a execução de cirurgias a distância, caso fosse necessária uma intervenção em um astronauta. Na adaptação feita pela Intuitive Surgical, empresa que patenteou a engenhoca, o médico fica instalado num console a cerca de 3 metros do paciente, de onde controla os braços do aparelho por meio de sensores acoplados a suas mãos. Cada tentáculo do robô exerce uma função: três deles portam instrumentos, como pinça, bisturi e tesoura, e o outro leva na extremidade uma microcâmera, que fornece imagens tridimensionais. A vantagem é que as hastes são capazes de fazer movimentos de rotação completa, o que facilita a operação em regiões do corpo difíceis de alcançar.

Em um mês, o Inca já realizou nove intervenções para a retirada de tumores em partes delicadas da cabeça e do pescoço. Por enquanto, apenas três profissionais estão habilitados a manusear a máquina. Eles tiveram de fazer um curso de trinta dias nos Estados Unidos com o fabricante, que vendeu a peça ao Inca por 5 milhões de reais. O valor, em certa medida, é repassado ao paciente. Cada procedimento tem um custo 40% maior que o de numa cirurgia comum. Embora o doutor Da Vinci ainda esteja restrito a poucos, sua chegada é um tremendo avanço para a medicina carioca.

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