Rio Ocean Week vai trazer a economia azul para debate no Museu do Amanhã

A partir dessa agenda e da relação das pessoas com o mar, o festival discute caminhos para o desenvolvimento sustentável do estado, entre 17 a 20 de setembro

Por Pedro Inácio Xavier 11 set 2026, 08h00
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Pioneirismo: o território fluminense tem cerca de 400.000 empregos formais ligados a atividades no mar  (Ruy Barbosa Pinto/Getty Images)
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Em 2017, a Assembleia Geral das Nações Unidas divulgou que, entre 2021 e 2030, seria implementada a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.

Os dez anos do anúncio desse importante marco global serão celebrados no Rio de Janeiro, com a Conferência da Década do Oceano, em abril de 2027.

Os debates sobre o assunto, porém, começam agora, mais especificamente na segunda edição da Rio Ocean Week, festival que busca engajar a população na defesa da sustentabilidade dos mares.

Com o tema Poluição Marinha: Diagnósticos e Soluções, o evento se apoia sobre três pilares: ciência, educação e arte, reunindo especialistas, ONGs e institutos de proteção da vida marinha no Museu do Amanhã, entre quinta (17) e domingo (20), com entrada gratuita.

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. (./Divulgação)
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“A saúde do oceano vai definir o nosso futuro como espécie. Trata-se do principal ecossistema do planeta e influencia o aquecimento global, as mudanças climáticas e a manutenção da biodiversidade”, explica Alfredo Nastari, diretor-geral da Rio Ocean Week. Ele lembra que a questão é especialmente cara para o estado, que leva adiante o projeto de despoluição da Baía de Guanabara.

“Precisamos democratizar o acesso à informação e trazer discussões que possam contribuir para a Conferência no ano que vem”, diz Alexander Turra, diretor de conteúdo do evento.

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Buscar soluções factíveis é urgente. No dia 22 de agosto, o observatório europeu Copernicus registrou a temperatura de 21,1 graus na superfície do mar, a mais alta da série histórica.

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Aproximar as pessoas é fundamental: a programação gratuita vai além dos debates, convidando os cariocas a entender sobre como se desenvolve a vida aquática (./Divulgação)
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A crise climática impacta primeiro, e de forma mais veemente, pessoas que moram em periferias. “É o que chamamos de racismo oceânico. Alguns grupos sociais são privados de refletir sobre o ecossistema”, observa Turra.

Justamente por isso, a programação da Rio Ocean Week destaca a importância de compreender a inter-relação entre a humanidade e o oceano. As atividades vão das tradicionais palestras a exposições, cinema comentado e apresentações artísticas, como a de BNegão cantando Dorival Caymmi.

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Dividido em três blocos: Ideias Azuis, Economia Azul e Gente do Mar, o cronograma traz debates sobre os desafios e as possibilidades para uma gestão sustentável do oceano.

Mulher sorridente de jaqueta azul exibe um pote com conchas para outra pessoa, em frente a um painel com uma baleia e o logo Meros do Brasil
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“É uma boa oportunidade para trocar com a sociedade civil. Precisamos de uma espécie de licença social para poder atuar em alguns territórios”, explica a gerente de meio ambiente da Águas do Rio, Caroline Lopes, que participa da mesa Cidades e Rios: do Bueiro ao Mar, na quinta (17). Ela vai se debruçar sobre o programa de saneamento que permitiu que 134 milhões de litros de esgoto deixassem de cair diariamente na Baía de Guanabara desde 2021.

Da pesca à extração de petróleo, muitos negócios enxergam no mar uma fonte de renda. Mas a exploração irresponsável dessa riqueza pode causar danos severos à natureza e aos seres humanos. Conceito central para a proteção da saúde dos oceanos, a economia azul é definida no estado do Rio como todas as atividades econômicas ligadas ao mar, à zona costeira e às bacias hidrográficas, com o uso sustentável dos recursos naturais.

Em 19 de setembro, a Rio Ocean Week relaciona essa ideia à implementação do Planejamento Espacial Marinho (PEM), ferramenta pública que leva em conta impactos ecológicos, sociais e econômicos.

“O estado do Rio tem cerca de 400.000 empregos azuis formalizados e é a unidade da federação em que esse segmento tem maior participação no PIB: 15,15%”, aponta o professor da pós-graduação em economia da UFRRJ Joilson Cabral, estudioso do assunto. “O Rio é pioneiro e buscou ser um líder nas discussões sobre essa agenda, ao criar um arcabouço legal sobre o tema em suas secretarias. Para que essa potência se consolide, é necessária a construção de uma política de desenvolvimento desse setor, o que já vem sendo elaborado”, complementa.

Há oportunidades à beira-mar. Basta saber aproveitá-las de forma sustentável.  

Mergulho no Cinema 

Filmes para refletir sobre sustentabilidade marinha 

Mar Brasileiro (2024). Dirigido por Luciano Oreggia e Pedro Saad, o documentário propõe uma investigação sobre as nuances do litoral do país, desde sua diversidade e tamanho até sua importância para a economia. Disponível no Globoplay 

Mulher de costas, com cabelos castanhos e blusa preta, observa o mar com ondas suaves sob um céu nublado. O título MAR BRASILEIRO O DOCUMENTÁRIO aparece em letras brancas com detalhes em verde, amarelo e azul, remetendo à bandeira do Brasil
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Seaspiracy: Mar Vermelho (2021). O cineasta britânico Ali Tabrizi descobriu uma rede de corrupção internacional ao começar a registrar os danos causados à vida marinha. Disponível na Netflix. 

Professor Polvo (2020). O longa sobre a inusitada relação entre um cineasta e um polvo que vive na costa da África do Sul venceu o Oscar de melhor documentário em 2021. A direção é de Pippa Ehrlich e James Reed. Disponível na Netflix. 

Pôster do documentário My Octopus Teacher com tentáculos de polvo em tons de laranja e marrom, um deles enrolado no dedo de uma mão humana. O fundo é azul-claro, simulando água, com bolhas. No topo, selos de nomeações e prêmios, incluindo BAFTA e Academy Award. Citações elogiosas sobre o filme estão espalhadas pelo pôster
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Em Busca dos Corais (2017). O documentário aborda o desaparecimento dos recifes de corais e mostra mergulhadores, cientistas e fotógrafos ao redor do mundo que uniram esforços para registrar o fenômeno. Disponível na Netflix. 

Cena subaquática com um mergulhador explorando um recife de corais roxos e amarelos, com peixes nadando ao redor. Acima da superfície, uma ilha tropical com palmeiras e um barco com duas pessoas. O texto What lies below, reveals what lies ahead e CHASING CORAL aparece na imagem
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