Rio Ocean Week vai trazer a economia azul para debate no Museu do Amanhã
A partir dessa agenda e da relação das pessoas com o mar, o festival discute caminhos para o desenvolvimento sustentável do estado, entre 17 a 20 de setembro
Em 2017, a Assembleia Geral das Nações Unidas divulgou que, entre 2021 e 2030, seria implementada a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.
Os dez anos do anúncio desse importante marco global serão celebrados no Rio de Janeiro, com a Conferência da Década do Oceano, em abril de 2027.
Os debates sobre o assunto, porém, começam agora, mais especificamente na segunda edição da Rio Ocean Week, festival que busca engajar a população na defesa da sustentabilidade dos mares.
Com o tema Poluição Marinha: Diagnósticos e Soluções, o evento se apoia sobre três pilares: ciência, educação e arte, reunindo especialistas, ONGs e institutos de proteção da vida marinha no Museu do Amanhã, entre quinta (17) e domingo (20), com entrada gratuita.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
“A saúde do oceano vai definir o nosso futuro como espécie. Trata-se do principal ecossistema do planeta e influencia o aquecimento global, as mudanças climáticas e a manutenção da biodiversidade”, explica Alfredo Nastari, diretor-geral da Rio Ocean Week. Ele lembra que a questão é especialmente cara para o estado, que leva adiante o projeto de despoluição da Baía de Guanabara.
“Precisamos democratizar o acesso à informação e trazer discussões que possam contribuir para a Conferência no ano que vem”, diz Alexander Turra, diretor de conteúdo do evento.
Buscar soluções factíveis é urgente. No dia 22 de agosto, o observatório europeu Copernicus registrou a temperatura de 21,1 graus na superfície do mar, a mais alta da série histórica.
A crise climática impacta primeiro, e de forma mais veemente, pessoas que moram em periferias. “É o que chamamos de racismo oceânico. Alguns grupos sociais são privados de refletir sobre o ecossistema”, observa Turra.
Justamente por isso, a programação da Rio Ocean Week destaca a importância de compreender a inter-relação entre a humanidade e o oceano. As atividades vão das tradicionais palestras a exposições, cinema comentado e apresentações artísticas, como a de BNegão cantando Dorival Caymmi.
Dividido em três blocos: Ideias Azuis, Economia Azul e Gente do Mar, o cronograma traz debates sobre os desafios e as possibilidades para uma gestão sustentável do oceano.
“É uma boa oportunidade para trocar com a sociedade civil. Precisamos de uma espécie de licença social para poder atuar em alguns territórios”, explica a gerente de meio ambiente da Águas do Rio, Caroline Lopes, que participa da mesa Cidades e Rios: do Bueiro ao Mar, na quinta (17). Ela vai se debruçar sobre o programa de saneamento que permitiu que 134 milhões de litros de esgoto deixassem de cair diariamente na Baía de Guanabara desde 2021.
Da pesca à extração de petróleo, muitos negócios enxergam no mar uma fonte de renda. Mas a exploração irresponsável dessa riqueza pode causar danos severos à natureza e aos seres humanos. Conceito central para a proteção da saúde dos oceanos, a economia azul é definida no estado do Rio como todas as atividades econômicas ligadas ao mar, à zona costeira e às bacias hidrográficas, com o uso sustentável dos recursos naturais.
Em 19 de setembro, a Rio Ocean Week relaciona essa ideia à implementação do Planejamento Espacial Marinho (PEM), ferramenta pública que leva em conta impactos ecológicos, sociais e econômicos.
“O estado do Rio tem cerca de 400.000 empregos azuis formalizados e é a unidade da federação em que esse segmento tem maior participação no PIB: 15,15%”, aponta o professor da pós-graduação em economia da UFRRJ Joilson Cabral, estudioso do assunto. “O Rio é pioneiro e buscou ser um líder nas discussões sobre essa agenda, ao criar um arcabouço legal sobre o tema em suas secretarias. Para que essa potência se consolide, é necessária a construção de uma política de desenvolvimento desse setor, o que já vem sendo elaborado”, complementa.
Há oportunidades à beira-mar. Basta saber aproveitá-las de forma sustentável.
Mergulho no Cinema
Filmes para refletir sobre sustentabilidade marinha
Mar Brasileiro (2024). Dirigido por Luciano Oreggia e Pedro Saad, o documentário propõe uma investigação sobre as nuances do litoral do país, desde sua diversidade e tamanho até sua importância para a economia. Disponível no Globoplay
Seaspiracy: Mar Vermelho (2021). O cineasta britânico Ali Tabrizi descobriu uma rede de corrupção internacional ao começar a registrar os danos causados à vida marinha. Disponível na Netflix.
Professor Polvo (2020). O longa sobre a inusitada relação entre um cineasta e um polvo que vive na costa da África do Sul venceu o Oscar de melhor documentário em 2021. A direção é de Pippa Ehrlich e James Reed. Disponível na Netflix.
Em Busca dos Corais (2017). O documentário aborda o desaparecimento dos recifes de corais e mostra mergulhadores, cientistas e fotógrafos ao redor do mundo que uniram esforços para registrar o fenômeno. Disponível na Netflix.







