Pontos de recarga de carros elétricos em prédios podem gerar dor de cabeça

Frota de elétricos dispara no Rio, mas a instalação de carregadores em prédios residenciais suscita negociações complexas entre condôminos e administradores

Por Pedro Inácio Xavier 2 out 2026, 07h00
Mercado em expansão: Ter o equipamento no prédio foi determinante para que o engenheiro Jonathan Cindra optasse por um c
Mercado em expansão: Ter o equipamento no prédio foi determinante para que o engenheiro Jonathan Cindra optasse por um carro elétrico (Felipe Bezerra/Divulgação)
Continua após publicidade
Pontos de recarga de carros elétricos em prédios podem gerar dor de cabeça Priorizar nos meus resultados Google

O Número de carros elétricos cresceu 839% entre 2021 e 2025, de acordo com o último Anuário Estatístico do Detran-RJ. Isso significa que, em apenas quatro anos, a frota desse tipo de veículo passou de 3 263 a 30 647 em solo fluminense.

Mesmo assim, a dificuldade para recarregar a bateria ainda pesa na escolha dos motoristas que cogitam mudar para o modelo. Quem mora longe de um eletroposto ou simplesmente prefere ter seu próprio equipamento na garagem precisa lidar com a adaptação de tomadas, medidores e regras de uso do espaço — o que pode gerar uma série de entraves entre condôminos e administração.

+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

“Quando comprei o meu, havia apenas dois ou três postos perto, que volta e meia não funcionavam ou tinham fila. Era angustiante não saber se a bateria duraria até a volta para casa”, relembra a jornalista Antonia Leite Barbosa, moradora de Copacabana. “Enfrentei a lentidão do síndico para tomar as providências, e alguns vizinhos tiveram receio em relação a riscos de segurança”, acrescenta. O caso dela foi resolvido com a instalação de um carregador próprio, ligado ao relógio do apartamento.

A expressão eletromobilidade descreve o encadeamento entre a fabricação e o uso dos motores elétricos, além da infraestrutura necessária para a circulação desse tipo de carro. A China tem a maior frota desses veículos do mundo — cerca de 40 milhões — e, por lá, há um eletroposto para cada 2,3 veículos. No Brasil, a média é de um ponto público para quase trinta automóveis.

Continua após a publicidade

No caso das instalações em condomínios, é necessária a aprovação em assembleia. “O síndico não pode autorizar nada sozinho, porque ele só tem poderes legais de representação, e não de deliberação”, ressalta o presidente da comissão de direito condominial da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Arnon Velmovitsky.

“Quando o pedido é negado, em geral o condômino não procura o Judiciário e, se isso acontece, ele não recebe uma liminar autorizando a montagem. Prevalece o entendimento de que a administração pode recusar a adaptação”, aponta. Questões como a partilha dos gastos e a organização de vagas ainda requerem regulamentação. 

Continua após a publicidade

“Ter um carregador no condomínio foi essencial para que eu decidisse comprar um carro elétrico”, relembra o engenheiro Jonathan Cindra, morador de Irajá.

O Rio foi a primeira cidade do país a ganhar um eletroposto em área pública, inaugurado na Avenida das Américas, na Barra, em 2025. O projeto é fruto de uma parceria entre a prefeitura, a rede C40 Cities e a empresa EZVolt, que atualmente tem unidades instaladas em mais de 250 condomínios no Rio.

O Rio foi a primeira cidade do país a ganhar um eletroposto público, em 2025: Hoje já existe um ponto de abastecimento a
. (Fábio Motta/Prefeitura do Rio/Divulgação)
Continua após a publicidade

No caso dos carregadores individuais, é necessário que um responsável técnico assine o planejamento. “Dispositivos de proteção contra choques e curtos são obrigatórios, e cada cabo deve ser direcionado corretamente”, explica o engenheiro Manoel Nilton da Costa, que elabora projetos desse tipo na Hoger Energia Solar. “Em prédios com instalações elétricas muito antigas, pode ser necessário um aumento de carga ou controle dos carregadores para suportar o acréscimo no consumo de energia”, complementa.

Segundo o tenente-coronel Fábio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros, “o mais perigoso não é o incêndio do carro em si, mas a capacidade de propagação do calor em direção às residências e o risco de se alastrar para outros veículos”. “Incidentes como esse geram um grande volume de fumaça que não se dissipa”, esclarece.

Tramita na Câmara de Vereadores um projeto de lei para garantir ao morador o direito de instalar, por conta própria, uma estação de recarga em sua vaga. Ao que parece, resistência e tensão não estão relacionadas apenas em circuitos elétricos

Continua após a publicidade

Tem risco de explodir?

É VERDADE

É recomendado instalar o carregador no térreo

O Corpo de Bombeiros indica que o sistema fique no nível da rua, em ambiente mais ventilado, o que, em caso de incêndio, ajuda a dispersar a fumaça

Recarregar é mais barato do que abastecer

O preço final depende da capacidade da bateria e do tanque de gasolina, mas é possível exemplificar. Para uma viagem Rio-São Paulo, de 430 quilômetros, considerando o preço do litro da gasolina a 6,53 reais e 1,10 reais pelo quilowatt/hora, o custo no elétrico será de 65 reais e o do convencional, 234 reais. Logo, 64% mais em conta.

Continua após a publicidade

A rede do prédio pode ficar sobrecarregada

Depende da capacidade do sistema, e o risco aumenta quando há mais de um veículo sendo recarregado ao mesmo tempo. O acréscimo de demanda pode pressionar cabos e transformadores, sobretudo durante os horários de pico de consumo do bairro.

É MITO

É perigoso recarregar o carro na chuva

Quando o automóvel é ligado ao ponto de recarga, vedação, aterramento, conectores e sensores garantem que a corrente de energia não seja exposta. Essa estrutura é pensada para operar em áreas externas, por isso não há risco de choque mesmo sob chuva.

O risco de morte em caso de incêndio é maior

A ameaça independe do combustível, já que a fumaça, em geral, é causada com a combustão de estofados, da fiação e do vazamento de mangueiras. A diferença é que um veículo elétrico em chamas acaba queimando por mais tempo.

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Multidão em protesto na rua, com pessoas de costas e braços erguidos, e capas da revista Veja com manchetes sobre política e notícias, promovendo jornalismo de qualidadeMultidão de pessoas de costas, com braços erguidos, em uma rua urbana com prédios altos e árvores. À direita, várias capas da revista Veja sobrepostas, com títulos como Furo Cruzado e Vale-Tudo
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês