Queda de helicóptero: quase 30% das aeronaves descumprem altitude mínima

Investigação do MPF aponta falhas no controle da atividade aérea e cobra maior fiscalização das empresas que oferecem voos panorâmicos

Por Da Redação 11 ago 2026, 13h15
Três bombeiros de resgate, com uniformes laranja e capacetes, trabalham em uma área de mata densa com fumaça branca e destroços de um acidente aéreo. Um deles desce por uma corda, outro observa com uma mochila preta, e o terceiro, à direita, ajusta seu equipamento
Floresta da Tijuca: bombeiros atuam no local onde no sábado (8) quatro pessoas morreram, sendo três colombianas  (Corpo de Bombeiros/Divulgação)
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Em meio ao crescimento de 29% da frota de helicópteros nos últimos três anos e a problemas de fiscalização da atividade, o Rio já soma, em média, 68 voos panorâmicos por dia, segundo levantamento acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF). Já dados da Aeronáutica mostram que 28% das aeronaves que operaram no Aeroporto de Jacarepaguá entre outubro de 2025 e abril de 2026 passaram abaixo da altitude mínima de 500 pés (150 metros). Os helicópteros representam 65% dos casos de descumprimento.

A falta de controle dos voos panorâmicos preocupa não apenas os moradores que vivem embaixo de onde trafegam os 319 helicópteros que voam na cidade, pelas contas da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG). O MPF acompanha a atividade desde 2023, após receber reclamações vindas de diferentes bairros da cidade. “Nós recebemos uma representação de Associações de Moradores do Joá em 2023, reclamando desses voos panorâmicos de helicóptero. Logo em seguida, nós recebemos representações de outros bairros também, sobretudo aqueles bairros em torno do Cristo Redentor e do bairro da Urca”, disse à TV Globo o procurador da República Sérgio Suiama. Desde então, o órgão passou a levantar informações sobre a operação e a fiscalização do serviço.

Somente em 2026, foram quatro acidentes, com 13 mortes. Em junho, por exemplo, dois helicópteros colidiram no ar e caíram no Recreio dos Bandeirantes. Seis pessoas morreram. “Dois desses acidentes envolveram voos panorâmicos com 13 mortes”, lembrou o procurador. Com o objetivo de estabelecer parâmetros mínimos de altitude e ruído para a atividade, entre 2024 e 2025 o MPF firmou um acordo com 14 empresas que operavam voos panorâmicos no Rio, entre elas a VRP, responsável pelo helicóptero que caiu no último sábado, matando quatro pessoas. Segundo Suiama, no entanto, o acordo não foi suficiente para controlar o crescimento do setor. “Hoje nós sabemos exatamente quem são as empresas que operam e qual é o número estimado de voos panorâmicos no Rio de Janeiro. Ano passado foram cerca de 25 mil voos, uma média então de 2 mil voos por mês e 68 voos por dia”, acrescentou ele, que busca soluções mais eficazes para controlar este tráfego aéreo que envolvam órgãos como Anac, Aeronáutica, Prefeitura do Rio e Inea, inclusive via judicial.

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Todo helicóptero ou avião que pousa ou decola no Aeroporto de Jacarepaguá precisa cruzar as avenidas das Américas e Abelardo Bueno a pelo menos 150 metros de altura, segundo as regras citadas na investigação do MPF. Um problema que também paira sobre a Zona Sul, onde o aumento da atividade também provoca protestos. “Ninguém aqui é contra voos necessários de Bombeiros, de polícia, de imprensa. Nada disso. São voos turísticos e panorâmicos que não podem mais, como em vários outros lugares do mundo, não podem sobrevoar áreas urbanas”, disse à Globo André Tovar, integrante do grupo Rio Livre de Helicópteros. Hoje, diferentemente do que ocorre com aviões, pilotos de helicópteros fazem a coordenação entre si por rádio para saber por onde e para onde voam. Especialistas em gerenciamento de risco consideram que o modelo pode apresentar dificuldades quando há um volume maior de aeronaves.

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