Vestindo a camisa: produtos de bares e restaurantes viram febre no Rio

Com peças autorais e colaborações criativas, estabelecimentos transformam sua identidade em estilo de vida

Por Pedro Landim 10 abr 2026, 08h30 | Atualizado em 10 abr 2026, 10h57
Para viagem: camiseta e bolsa do Libô foram desenhadas por Diogo Reis e Antonio Guedes da vizinha Naked Neuras
Para viagem: camiseta e bolsa do Libô foram desenhadas por Diogo Reis e Antonio Guedes da vizinha Naked Neuras  (Daniela Dacorso/Veja Rio)
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A chef Paula Prandini ri ao contar que a filha, Maria Eduarda, de 4 anos, quando ganhou o “croissito”, um croissant de pelúcia com perninhas que ela havia finalmente conseguido importar, disse que preferia aquele de verdade que a mãe preparava. O inusitado produto é um dos mais cobiçados na lojinha do Empório Jardim — exemplo de um movimento em expansão no Rio, em que cafés, bares e restaurantes passam a investir em acessórios, roupas e objetos de design próprios, para estender a experiência além da mesa. Ao lado dele, camisetas cheias de estilo e xícaras com frases espirituosas, a exemplo de “Eu ouvi café da manhã?”, ajudam a reforçar a identidade da marca e ampliar o ato de comer e beber. “A ideia não é alavancar o faturamento, mas acompanhar as pessoas no dia a dia. Nosso boné corre o mundo. Não é raro encontrar, em viagens, pessoas que conhecem a marca”, diz Paula, sócia da boulangerie com endereços no Jardim Botânico, em Botafogo e Ipanema.

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Fora do Brasil, a prática já está consolidada em casas de prestígio, como o Dante, em Nova York, onde o merchandising acompanha a identidade do bar. Com base nessa ideia, o Libô, premiado bar de vinhos do Humaitá, fez uma parceria com os ilustradores Diogo Reis e Antonio Guedes, da vizinha Naked Neuras. A dupla concebeu as estampas das desejadas blusas e bolsas para carregar garrafas de vinho. “Acho o máximo essa relação, porque torna visual o universo da bebida. O traço autoral casa perfeitamente com o perfil descolado de um bar de vinhos contemporâneo”, observa Maíra Freire, sommelière da casa. Transcender as fronteiras da gastronomia e oferecer experiências sensoriais é a meta de Andressa Cabral, do Yayá Comidaria Pop Brasileira: ela própria fez um sabonete para o banheiro com cheiro que remete às raízes africanas do restaurante, e dele nasceu a “água de chêro” Yayá Volume 1, que alude aos banhos de ervas, com notas de bambu, flores e madeira. “A relação das pessoas com os restaurantes está mudando. Além de servir comida, somos um ponto cultural”, afirma Andressa, que lançou também uma bolsa para levar com gelo as cervejas de marca própria até a praia.

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Coisa nossa: autor da canga “só tem no Brasil”, Peu Lima criou linha de camisetas para o Suru Bar (Andressa Guerra/Divulgação)

A criação de produtos próprios também virou ferramenta de identidade. No Suru Bar, a cangueira — mistura de canga e bandeira — criada pelo artista gráfico Peu Lima, com a frase “só tem no Brasil”, saiu da parede para as camisetas da casa. Outras estampas reproduzem o salão ou trazem em letras garrafais a expressão “coquetelaria popular brasileira”, o lema da empreitada de Igor Renovato e Raí Mendes. “A roupa que um garçom veste pode virar objeto de desejo. A cultura da camisa de bar cresce no Brasil inteiro”, atesta Lima, que criou também a elogiada estampa com desenhos em palitinhos do Conserva. O vegano Teva, por sua vez, já condecorado pelas ações sustentáveis de seu modelo de operação, reformou o ambiente para as comemorações dos dez anos e transformou em bolsas as representativas almofadas estampadas.

Nos anos 1990, os moletons do Hard Rock Cafe eram mais disputados do que qualquer hambúrguer vendido na rede espalhada pelo globo. Enquanto o sofisticado italiano Carbone, de Nova York, criou coleção que vai de calças a jaquetas inspiradas no Big Apple dos anos 1980, o La Colombe, na Cidade do Cabo, que esteve entre os cinquenta melhores do mundo em 2024, vende louças de artesãos locais. O tomate de porcelana, que no menu vai à mesa recheado por um patê de berinjela, é o item mais procurado. Na Eslovênia, o Hisa Franko é o único com três estrelas Michelin, e a boutique linkada à cozinha da chef Ana Ros leva as flores da paisagem local — que também brilham nas receitas — a peças de vestuário, além de oferecer cerâmicas feitas à mão. Já o carioca Gonza passou a vender, além de cangas estilizadas com desenhos de aperitivos, as jarrinhas coloridas em forma de pinguim que circulam com o vermute de fabricação própria. No fim, o cliente fecha a conta e ainda leva consigo um pedaço da atmosfera que experimentou à mesa. 

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À moda do chef

Acessórios para reafirmar o amor pela boa comida

Croissito
(./Divulgação)

Croissito 

Empório Jardim R$ 96,00 @emporiojardimrio

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Bolsa 

Teva R$ 30,00 @tevavegeta

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(./Divulgação)

Meia 

Café ao Leu R$ 40,00 @cafeaoleu

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(./Divulgação)

Caderno 

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Nolita Roastery R$ 56,00 @nolitanyroastery

Chanchada - boné.png copiar
(./Divulgação)

Boné 

Chanchada R$ 129,00 @chanchadabar

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(Bernardo Cople/Divulgação)

Perfume 

Yayá Comidaria Pop Brasileira R$ 55,00 @yayacomidaria

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Gonza - Pinguim Grande.jpeg copiar
(./Divulgação)

Jarra de Vermute 

Gonza R$ 180,00, 500 mililitros @gonza.restaurante

Teva bolsa.jpg
(./Divulgação)

Bolsa

Teva R$ 30,00 @tevavegetal

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Malha Fina: sommelière Maíra Freire com peças do Libô
Malha fina: sommelière Maíra Freire com peças do Libô (Dani Dacorso/Veja Rio)

Blusa e Bolsa

Libô R$ 140,00, a camiseta; R$ 120,00, a bolsa para vinhos. @libo_comidaevinho

 

 

 

 

 

 

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