Processos que marcaram as Copas do Mundo estão preservados no TJRJ

Um dos documentos de maior valor histórico é o processo sobre o roubo da Jules Rimet, conquistada em definitivo pelo Brasil após o tricampeonato mundial

Por Da Redação 3 jul 2026, 11h42
Mãos com luvas brancas manuseiam um livro antigo e documentos em uma mesa, ao lado de uma placa de madeira com os dizeres CASO ROUBO DA TAÇA JULES RIMET
'Justiça esportiva:' TJRJ guarda relíquias dos processos envolvendo o futebol  (./Divulgação)
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Futebol rende BO (boletim de ocorrência policial) não só metaforicamente.  E o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) preserva todo um patrimônio ligado ao esporte em seu arquivo central. Entre os mais de 60 processos judiciais arquivados, estão os que registram alguns dos episódios mais marcantes da história das Copas e da Seleção Brasileira, como o roubo da Taça Jules Rimet e o sequestro do pai de Romario, ocorrido durante o Mundial de 1994. Trata-se de um conjunto de provas de que esta memória contribui para compreender a relação entre o esporte e a sociedade brasileira, assim como aproxima o público de sua própria história e da Justiça.

De acordo com informações divulgadas pelo Diário do Vale, um dos documentos de maior valor histórico é o processo sobre o roubo da Jules Rimet, conquistada em definitivo pelo Brasil após o tricampeonato mundial de 1970. O troféu foi furtado da sede da CBF, no Centro do Rio, em dezembro de 1983. Os autos reúnem desde a investigação policial até a condenação dos envolvidos no crime.

Segundo o diretor da Divisão de Gestão de Documentos (Diged), Gilberto de Souza Cardoso, a conservação desses papéis permite recuperar episódios que iluminam outras histórias nacionais, não restritas ao campo esportivo. “São registros que revelam a trajetória do futebol, das mulheres, da escravidão e de tantos outros temas. Histórias vivas que só os processos judiciais conseguem contar”, diz ele, segundo a Folha MS.

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O acervo registra ainda a ação movida por Zico contra Romário em 1999, que tratou de declarações e caricaturas consideradas ofensivas exibidas no estabelecimento comercial do ex-atacante, e cuja demanda por danos morais foi julgada procedente em favor do ídolo maior da torcida rubro-negra. Outro caso de repercussão é o do sequestro de Edevair de Souza Faria, pai de Romário, ocorrido em maio de 1994 na Vila da Penha, Zona Norte. Os criminosos exigiram um resgate de 7 milhões de dólares, e a vítima ficou em cativeiro por seis dias, sendo libertada ilesa pela polícia sem pagamento. Relatos nos autos descrevem a abordagem feita por três homens armados ao sair do bar Garota do Quitungo, a mobilização de forças policiais e o envolvimento de lideranças do tráfico que, por serem fãs do atleta, colaboraram na localização do cativeiro em uma casa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O episódio provocou enorme comoção nacional e gerou tensão sobre a participação de Romário na seleção às vésperas da Copa dos Estados Unidos, já que o jogador ameaçou abandonar a equipe caso seu pai não fosse libertado. Naquele período, Romário atuava pelo FC Barcelona e era apontado como o principal jogador do Brasil. O desfecho permitiu que Romário embarcasse para o Mundial e participasse ativamente do tetracampeonato brasileiro.

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