Praça Onze Maravilha: o que vai mudar na região com investimento bilionário
Projeto de 1,75 bilhão de reais prevê demolição do Viaduto 31 de março, construção de moradias e da Biblioteca dos Saberes
Aprovada no dia 27 de maio na Câmara dos Vereadores, a lei que autoriza a implantação do Praça Onze Maravilha, plano de revitalização urbana para uma área de 2,5 milhões de metros quadrados na região central do Rio, acaba de ser sancionada pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD). Considerada uma das maiores intervenções urbanísticas previstas para o Centro desde a revitalização da Zona Portuária, a iniciativa prevê investimento estimado em 1,75 bilhão de reais para transformar a região ao longo das próximas décadas, com a construção de moradias, áreas comerciais, novos espaços públicos e da Biblioteca dos Saberes. “A sanção consolida a criação de um fundo imobiliário para estruturar essa operação, prevê a construção da biblioteca no terreno onde hoje funciona o Terreirão do Samba, e a revitalização de todo o entorno do Sambódromo a partir da demolição do elevado, que dará lugar à Avenida da Democracia”, afirmou Cavaliere. Segundo o prefeito, a proposta busca integrar Santa Teresa, Catumbi, Rio Comprido, Praça Onze e Cidade Nova ao Centro Histórico e à Região Portuária, “consolidando a volta da cidade para a sua origem, que é o Centro do Rio”.
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Diferentemente do Porto Maravilha, financiado pelos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), o Praça Onze Maravilha será viabilizado por um fundo imobiliário formado com a venda de imóveis municipais. A prefeitura tem como meta leiloar, dentro de três meses, 62 terrenos na região e aposta ainda em incentivos urbanísticos e fiscais para estimular investimentos privados.
A demolição do elevado abrirá novas frentes para a construção de empreendimentos. Um dos motores econômicos do projeto é a Operação Interligada, mecanismo de transferência do direito de construir que já viabilizou mais de 9 000 moradias no Reviver Centro desde 2021. A expectativa é de que, ao longo dos próximos 25 anos, a região receba 37,5 mil novas unidades habitacionais e mais de 100 000 moradores. Outro pilar é o incentivo à ocupação residencial do Centro por meio da recuperação de imóveis ociosos, com reformas e mudanças de uso — os chamados retrofits — além da criação de novos empreendimentos.
A Passarela do Samba foi um dos temas mais debatidos nas audiências públicas da Câmara Municipal no período que antecedeu a aprovação da lei. A meta agora é quebrar a sazonalidade do Carnaval, fazendo o espaço pulsar os 365 dias do ano como um polo de turismo, economia criativa e educação patrimonial. Emendas aprovadas também garantem que qualquer plano de modernização resguardará a cadeia produtiva e cultural da Cidade do Samba Joãozinho Trinta. A exemplo do Porto Maravilha, 3% de toda a arrecadação do município na operação será aplicada no Patrimônio Histórico e Cultural. A Lei Complementar nº 301 de 9 de julho de 2026 incluiu ainda a recuperação da Vila Operária Salvador de Sá, conjunto histórico de casas da região, entre os projetos contemplados.
Biblioteca dos Saberes
Um dos principais equipamentos previstos é a Biblioteca dos Saberes, projetada pelo arquiteto burquinense Diébédo Francis Kéré, vencedor do Prêmio Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura. A estrutura ocupará o terreno onde hoje funciona o Terreirão do Samba, ao lado do monumento a Zumbi dos Palmares.
Com mais de 40 000 metros quadrados, o edifício terá pilotis, cobogós, jardins suspensos e uma torre circular aberta à luz natural. O espaço reunirá teatro, anfiteatro, salas de estudo, cozinhas, áreas expositivas e acervos dedicados à memória, ao patrimônio e às expressões populares.
Segundo a prefeitura, a biblioteca será um dos principais legados do programa Rio Capital Mundial do Livro e funcionará de forma integrada ao Arquivo da Cidade, ao Centro Municipal de Artes Calouste Gulbenkian e ao Sambódromo.
Um novo capítulo para a região
Para Azevedo, o Praça Onze Maravilha representa uma mudança na forma como o poder público intervém na região central do Rio, rompendo com um histórico de obras que, ao longo do século XX, removeram principalmente populações negras e de baixa renda da região. “A abertura da Avenida Rio Branco, da Presidente Vargas e a construção do próprio Elevado 31 de Março expulsaram moradores. Este projeto propõe exatamente o contrário: manter quem já mora ali, gerar emprego, renda e atrair novos moradores sem promover desapropriações”, afirma.





