Operação VAR: polícia investiga esquema de manipulação em jogos de futebol

Apuração começou em 2024, após denúncia da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), que apontou indícios de irregularidades em diversas partidas

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jul 2026, 12h59 | Atualizado em 6 jul 2026, 13h04
Homem de cabelo curto, vestindo agasalho azul com listras brancas, saindo de um carro da Polícia Civil com a porta aberta. Ao fundo, um policial de costas com POLÍCIA CIVIL estampado na camisa
Luiz Gustavo Lopes dos Santos: zagueiro, atualmente no Olaria, foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos (./Reprodução)
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta segunda (6), a terceira fase da Operação VAR, que apura um esquema de manipulação de resultados na Série B do Campeonato Carioca e suspeitas de lavagem de dinheiro. O zagueiro Luiz Gustavo, que na época jogava na Portuguesa-RJ e atualmente está no Olaria, foi alvo de mandado de busca e levado para prestar esclarecimentos. Outro investigado no mesmo inquérito é o zagueiro e meio-campista Sidney de Freitas Pages, o Sidão, que na época atuava no Nova Iguaçu e atualmente está no Dibrados F.C, um time de Kings League. A investigação, publicada pelo site G1, teve início em 2024, após denúncia da Ferj, e apura a suspeita de que Luiz Gustavo tenha recebido um cartão amarelo de forma proposital durante uma partida para favorecer apostadores no mercado de microapostas.

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Os agentes da Delegacia do Consumidor (Decon) cumpriram três mandados de busca e apreensão em Bangu, na Zona Oeste do Rio, na Maré, na Zona Norte, e na sede do Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

De acordo com a Polícia Civil, Luiz Gustavo é suspeito de ter recebido, de forma deliberada, um cartão amarelo durante a partida entre Portuguesa-RJ e Nova Iguaçu, disputada em fevereiro, no Estádio Luso-Brasileiro, pela sexta rodada da primeira fase da Série B do Campeonato Carioca. O confronto terminou com vitória da Portuguesa por 1 a 0.

A suspeita é de que a advertência tenha sido previamente combinada para beneficiar apostadores em plataformas de apostas esportivas. Segundo os investigadores, o caso faz parte de um possível esquema de manipulação de eventos específicos dentro das partidas, modalidade conhecida como microapostas, na qual as apostas são feitas sobre lances isolados, como cartões, faltas e escanteios, e não necessariamente sobre o resultado final do jogo.

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Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam materiais que serão periciados para identificar a participação dos investigados e verificar a existência de outros envolvidos no esquema. As investigações continuam para esclarecer a atuação de cada suspeito e apurar os crimes de manipulação de resultados e lavagem de dinheiro.

Após ser alvo da operação, Luiz Gustavo publicou um vídeo nas redes sociais negando qualquer envolvimento no esquema. A gravação foi apagada pouco depois. Na publicação, o jogador afirmou que caberá à Justiça comprovar eventual irregularidade. “Não tenho culpa se as pessoas apostam em mim”, declarou.

Jogadores já haviam sido punidos

O nome de Luiz Gustavo já havia aparecido em outra investigação relacionada ao Campeonato Carioca. Em junho, o Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ) suspendeu o zagueiro por 365 dias após entender que houve atuação deliberada para prejudicar a própria equipe. Na mesma decisão, Sidão também foi punido. Ambos ainda podem recorrer.

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O julgamento também aplicou sanções a dirigentes da Portuguesa. O presidente do clube, Marcelo Gonçalves, e o supervisor Muniz foram multados em 5 000 mil reais cada, com base no artigo 220-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de obstrução, omissão ou falta de cooperação com a Justiça Desportiva.

A reportagem tenta contato com as defesas de Luiz Gustavo e Sidney Pages, além da Portuguesa-RJ, Nova Iguaçu, Olaria e Dibrados F.C. para que se manifestem sobre as investigações.

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