Depoimento de pais que mataram recém-nascido em Caxias choca pela frieza

Justiça decretou a prisão preventiva do casal que responderá por homicídio qualificado

Por Da Redação 29 jul 2026, 12h54
Cenas de Horror: equipe de enfermagem do Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, suspeitou do crime
Cenas de Horror: equipe de enfermagem do Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, suspeitou do crime (Reprodução/Internet)
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Uma gravidez mantida em segredo terminou em tragédia. Levado pelo tio, um bebê, indesejado, chegou ao Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, enrolado numa camisa preta, dentro de um saco plástico já sem vida, no último sábado (25). Ao realizar a gravidade da cena, a equipe formada por uma médica, uma enfermeira e uma técnica de enfermagem iniciou os procedimentos para tentar ressuscitar o neném — sem sucesso. 

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A mãe, de 22 anos, cuja identidade será preservada, deu entrada no hospital na manhã do mesmo dia com um sangramento — sem o bebê. A técnica responsável pelo atendimento tentou entender o motivo da emergência e questionou a mulher sobre a gravidez e sobre onde estaria a criança. A profissional ficou sem resposta até o pai da criança quebrar o silêncio e afirmar que estava enterrada

Ao identificar a placenta aderida ao útero, compatível com o período de 38 a 39 semanas de gestação, a técnica direcionou a paciente para a obstetrícia do hospital e acionou a polícia para apurar o caso. Em depoimento chocante, o pai, de 29 anos, revelou que o bebê nasceu no quintal da casa da avó da namorada, sobre um papelão no chão, por volta das 4h30 de sábado. O cordão umbilical foi cortado com uma tesoura. Ao longo do relato, a mulher teria chamado o companheiro de “frouxo”. 

Por meio de uma chamada de vídeo, com a presença de um policial, o tio que levou o recém-nascido ao hospital teria indicado o local onde a criança havia sido enterrada. Os pés da paciente estavam sujos de lama, confirmando o suposto enterro. 

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O corpo do recém-nascido-morto foi examinado e não foram encontrados sinais que poderiam justificar o óbito como deformidades ou erupções. Apenas restos de terras, reforçando a hipótese de ter sido enterrado. A análise clínica também identificou a presença de sangue coagulado no cordão umbilical, podendo indicar uma morte recente. Entretanto, o órgão responsável por identificar o horário é o IML. 

O casal foi preso e prestou depoimento — ainda durante a internação da mulher com sangramento no hospital. A jornalista Vera Araújo, do Globo, teve acesso ao relato. “Sexta, cheguei muito mal do trabalho. As dores se intensificaram. Pedi para ele (namorado) que trouxesse uns remédios para a dor. Só depois entendi que estava em trabalho de parto. Estava na varanda, em cima de um papelão. Fiz força. Ele (o namorado) chegou e (o bebê) estava coroando (com a cabeça do recém-nascido quase exposta). Saiu com vida, chorando muito”, contou a mulher. “Pretendia dar a criança ou deixar com o pai. Tinha deixado bem claro que eu não queria o neném. Ele disse que também não queria”.

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A mãe contou que foi tomar banho e pediu para o companheiro resolver a situação, que culminou na tentativa de assassinato em comum acordo. Ainda segundo o depoimento, a mulher teria asfixiado o bebê. O homem ainda tentou reduzir a sua parcela de culpa. “Na hora que ela fez, eu fiquei em choque, eu não consegui fazer nada, eu não consegui falar, eu não consegui nem mexe”, disse o pai da criança. 

Titular da delegacia de Campos Elíseos, Túlio Pelosi, ordenou a prisão em flagrante, e o casal responderá por homicídio qualificado. Segundo relatório da investigação, a paciente não apresentava indício de depressão pós-parto e agiu de forma consciente — de forma fria, objetiva e sem demonstrar culpa ou arrependimento. Ao ser questionada sobre se queria ver o bebê morto, a mãe respondeu à equipe médica que nunca desejara a criança. Na última terça (28), a Justiça decretou a prisão preventiva do casal

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