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Rio já recebeu 24 pacotes com ‘sementes misteriosas’ da China

Embaixada chinesa, no entanto, nega que envelopes tenham sido enviados pelo país; autoridades vão encaminhar material para análise em laboratório

Por Cleo Guimarães 2 out 2020, 12h24

O estado do Rio recebeu, nas últimas semanas,  24 pacotes contendo sementes – de formatos e cores variadas – provenientes da China. O número pode ser ainda maior, já que estes são apenas os casos notificados à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento e ao Ministério da Agricultura. O motivo do envio e os riscos que as sementes podem oferecer vêm intrigando o país.

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Quatro envelopes contendo o material foram recolhidos na cidade do Rio, outros 19 em Niterói, e mais um no município de Cantagalo, na Região Serrana. O recebimento das sementes gerou uma onda de teorias conspiratórias na web, reacendendo discursos xenófobos e racistas contra chineses. Bioterrorismo e ataque fitossanitário estiveram entre as hipóteses levantadas pelos internautas – mas, de acordo com especialistas, tudo indica que se trata de uma fraude conhecida como “brushing”.

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O “brushing” é, essencialmente, o envio de mercadorias não solicitadas, por parte de vendedores do e-commerce,  com o objetivo de registrar compras falsas, numa forma de burlar as avaliações de sites e aplicativos. A semente, produto de baixíssimo valor, teria a finalidade de não deixar o pacote vazio. Isso explicaria por que as autoridades até agora não encontraram sinais de tentativas de bioterrorismo ou contaminação.

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A Embaixada da China no Brasil negou nesta quinta-feira (1º) que os pacotes de sementes misteriosas que chegaram ao Rio e a pelo menos mais sete estados nas últimas semanas tenham vindo daquele país. E disse estar disposta a cooperar com a investigação das autoridades brasileiras. De acordo com o comunicado enviado à imprensa, as etiquetas de postagem que comprovam a procedência teriam sido falsificadas.

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A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (SEAPPA), recomenda que os envelopes não sejam abertos e que casos suspeitos devem ser informados imediatamente às autoridades. As embalagens recebidas no Rio já foram recolhidas e serão enviados para análise, em um laboratório do Ministério da Agricultura, em Goiás. A princípio, as autoridades trabalham com um risco real, nada fantasioso: a introdução de espécies vegetais exóticas que possam promover algum tipo de desequilíbrio em um novo ambiente, ou ainda a introdução de pragas e doenças inexistentes no território brasileiro.

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