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Obras olímpicas já somam 11 mortes no Rio

A informação foi passada durante seminário organizado pelo Tribunal Regional do Trabalho na 1ª Região (TRT/RJ), na segunda (25)

Por Agência Brasil Atualizado em 5 dez 2016, 11h21 - Publicado em 26 abr 2016, 16h19

As obras para os Jogos Olímpicos de Londres 2012 não registraram nenhuma morte. Para a Olimpíada do Rio de Janeiro já foram 11 óbitos de trabalhadores da construção civil desde 2013. A informação foi passada, nesta segunda (25), durante o seminário Trabalho seguro e gestão do estresse no ambiente laboral: um desafio olímpico, organizado pelo Tribunal Regional do Trabalho na 1ª Região (TRT/RJ).

De acordo com a auditora fiscal e coordenadora do grupo de Construção Civil Elaine Castilho, as mortes ocorrem por falta de planejamento com a segurança. “Já foram 40 embargos desde 2013 nas obras olímpicas e 11 mortes. Eles corrigem o problema pontual, mas se tivesse uma melhoria contínua não seriam 40. Acho que teria sido bem menos. Acho que a pressa é a grande vilã. A falta de planejamento, com um cronograma muito exíguo, é que tem vitimado esses trabalhadores”.

Entre as causas de mortes estão atropelamento, esmagamento por caminhão, soterramento e choque elétrico. Nas mais comuns, a auditora lista as “sutilezas elétricas”, como quadro de luz exposto, luminária improvisada, fiação no chão e aterramento inadequado, escavações, má utilização de máquinas pesadas e falta de proteção contra quedas. “Os trabalhadores têm equipamentos de proteção individual (EPI), mas as normas de segurança coletiva são descumpridas. Vimos trabalhadores com cinto de segurança sem estar preso a lugar nenhum. São coisas inadmissíveis em obras olímpicas. É revoltante”, disse Elaine.

Segundo ela, outros problemas que impactam nas condições de trabalho dignas e encontradas nas obras olímpicas são boa alimentação, local decente para refeição e banho, organização, limpeza e conforto térmico do ambiente, local adequado para descanso e jornada de trabalho excessiva.

Em nota, a prefeitura do Rio disse que lamenta as mortes descritas no relatório, que exige sempre das empresas responsáveis pelas obras “o cumprimento das normas de segurança”, mas nega a associação dos incidentes com os Jogos Olímpicos.

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