Obras de concessionária chinesa avançam no Aterro e revoltam moradores
Associação de moradores acionam o MPF contra empreendimento; empresa afirma que projeto foi licitado e aprovado pelos órgãos competentes
A instalação de uma concessionária da montadora chinesa GWM em uma área do Aterro do Flamengo entre a Praia de Botafogo e a Avenida Rui Barbosa, provocou forte reação de moradores e ambientalistas. A Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab) informou que protocolou uma denúncia junto ao Ministério Público Federal (MPF) na manhã desta segunda (15).
O caso ganhou repercussão nas redes sociais após a divulgação de vídeos mostrando o cercamento do terreno e o início das obras. Críticos afirmam que o projeto compromete a paisagem de uma área protegida por diferentes instrumentos de preservação patrimonial.
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“Quando você acha que uma área tombada pelo patrimônio, inclusive chancelada pela Unesco, pode ser desrespeitada com a construção de uma concessionária no meio do bem protegido, você não tem mais o que dizer. Acabou qualquer limite aceitável”, afirma Renata Chiaradia, presidente da Amab.
A associação também questiona a atuação dos órgãos municipais responsáveis pela proteção do patrimônio e sustenta que a obra afeta uma área de tutela do conjunto paisagístico do Aterro do Flamengo, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1965.
O gestor ambiental e jornalista Emanuel Alencar também criticou veemente a obra em vídeo divulgado nas redes sociais. Para ele, o empreendimento desvirtua a vocação do espaço. “A obra licenciada pela Secretaria de Desenvolvimento e Licenciamento da Prefeitura é, ao meu ver, um absurdo, porque desvirtua a paisagem da orla de Botafogo e do Parque do Flamengo. Concessionárias pressupõem grandes estacionamentos e fluxo que não condizem com os tombamentos da área. O empreendimento não cabe e é uma evidente agressão às regras e ao bom senso”, declarou.
A concessionária da GWM, por sua vez, afirma que o projeto foi aprovado por todos os órgãos competentes e ocupará uma área que anteriormente abrigava um posto de combustíveis. Segundo Andrade, diretor comercial da operação da marca no Rio de Janeiro, a empresa venceu uma licitação pública para utilização do espaço.
“Nossa proposta é fazer um posto de eletrificação alimentado por energia solar, com oito pontos de abastecimento para veículos elétricos. Não haverá oficina nem atividade que agrida o meio ambiente. Pelo contrário, trata-se de uma solução mais sustentável do que a existente anteriormente”, afirmou.
O empreendimento incluirá também um showroom de veículos eletrificados e, de acordo com o executivo, a estrutura será removível e de baixo impacto visual. “Ao contrário do que comentam, não será um prédio de cinco andares. Trata-se de uma construção linear removível que não ultrapassará cinco metros de altura, dentro dos limites previstos pela legislação. Todos os projetos foram previamente aprovados pelos órgãos municipais competentes e as obras só começaram após a emissão das licenças”, disse.
De acordo com a empresa, o projeto recebeu aval da Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) e do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).
Em nota, a Prefeitura do Rio disse que “o projeto autorizado para o canteiro central do Aterro do Flamengo, na altura da Praia de Botafogo, consiste na instalação eletroposto com três pontos duplos de recarga de veículos, resultado de licitação pública realizada em 2024”. E segue: “É importante destacar que a estrutura será implantada exatamente na área onde já funcionou anteriormente um posto de combustíveis, não representando a ocupação de uma nova área do parque. O projeto prevê uma construção com altura máxima de 6,21 metros, inferior à da instalação anteriormente existente no local. Não há previsão de supressão de vegetação. A implantação do empreendimento observará integralmente a legislação urbanística, ambiental e patrimonial aplicável, incluindo as exigências dos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio cultural e paisagístico”.
Enquanto as obras avançam, moradores prometem ampliar a mobilização para tentar barrar o empreendimento, que se tornou mais um capítulo da disputa entre desenvolvimento urbano e preservação da paisagem em uma das áreas mais emblemáticas da cidade.





