“O trabalho não termina quando uma lei é aprovada”

Presidente da Câmara do Rio, Carlo Caiado comenta os principais projetos em andamento e defende que o papel do Legislativo vai além da aprovação de leis

Por Redação 3 jul 2026, 11h23 | Atualizado em 3 jul 2026, 11h27
Homem de meia-idade, cabelo escuro, sorrindo e de braços cruzados, vestindo terno azul-marinho e camisa azul-clara, com um broche dourado na lapela. Ele usa um relógio inteligente no pulso esquerdo. Ao fundo, um prédio branco com arcos e pessoas caminhando e andando de bicicleta em uma rua de paralelepípedos
 (Leo Lemos/Reprodução)
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Com 180 emendas apresentadas e cerca de 60 incorporadas ao texto final, o projeto Praça Onze Maravilha foi aprovado pela Câmara Municipal do Rio em maio. A proposta prevê a recuperação e transformação de uma das áreas mais emblemáticas da cidade, abrangendo o entorno do Sambódromo e trechos dos bairros do Estácio, Cidade Nova, Catumbi e regiões vizinhas. Entre as principais mudanças estão a garantia de reassentamento de moradores na própria região em caso de remoções e a previsão de um convênio com o Governo do Estado para a conclusão do lote 29 do metrô, com as futuras estações Catumbi e Praça da Cruz Vermelha, na Linha 2. O projeto esteve entre as principais pautas do Legislativo no primeiro semestre, ao lado de iniciativas voltadas à mobilidade, infraestrutura, segurança e urbanismo. Em entrevista a VEJA RIO, o presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD), faz um balanço da atuação da Câmara e comenta esse e outros temas que marcaram os últimos meses, como a implantação da Guarda Municipal armada, a retomada das obras da Estação Gávea do metrô e as prioridades do Legislativo para a cidade.

Chegamos à metade do ano. Que balanço o senhor faz da atuação da Câmara Municipal neste primeiro semestre? Para fazer esse balanço, é preciso olhar para o trabalho iniciado em 2021. O trabalho da Câmara não termina quando uma lei é aprovada. Depois vêm a fiscalização, as audiências públicas, o acompanhamento da execução e o diálogo permanente com o Executivo. Um exemplo é a mobilidade urbana. Aprovamos o novo modelo de gestão do transporte público e hoje acompanhamos seus desdobramentos, como as melhorias no BRT, nas linhas de ônibus e a implantação do Jaé. Neste semestre, a Comissão de Transportes realizou audiências públicas para acompanhar esse processo e discutir medidas que aumentam a transparência do sistema. Outro destaque foi a política urbana, com a aprovação de uma lei voltada ao Minha Casa, Minha Vida, priorizando habitações de interesse social na Zona Norte e no entorno do Centro. No segundo semestre, vamos continuar acompanhando a implementação do Plano Diretor e trabalhar para consolidar o Reviver Centro 3, incentivando a ocupação na região.

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O projeto Praça Onze Maravilha promete transformar uma área histórica da cidade. Qual é a importância dessa iniciativa para o Rio? É um projeto de revitalização que vai levar novos espaços de moradia, melhorias urbanas e investimentos para uma região histórica da cidade. Ao longo da tramitação, aprovamos emendas importantes. Uma delas, de minha autoria, garante que qualquer reestruturação ou transferência de equipamentos ligados ao carnaval preserve integralmente as atividades da Cidade do Samba Joãosinho Trinta. O objetivo é evitar que o trabalho das escolas de samba seja interrompido durante as obras, além de garantir que a Cidade do Samba continue próxima ao Sambódromo. Assim, fortalecemos toda a cadeia produtiva do carnaval, que é uma das maiores expressões culturais e econômicas do Rio.

A implantação da Guarda Municipal armada começou neste ano. Qual é o balanço até agora? Muito positivo. Nós aprovamos uma emenda autorizando o armamento da Guarda Municipal e outra norma que criou a Divisão de Elite, sempre dentro do papel definido pelo Supremo Tribunal Federal, de atuação preventiva, comunitária e integrada às polícias Civil e Militar. Os agentes receberam treinamento da Polícia Federal e os resultados já começam a aparecer. A divisão já realizou centenas de prisões sem necessidade de disparos de arma de fogo, mostrando que o foco é a prevenção. Também aprovamos o uso de câmeras corporais pelos agentes. A implantação da Força Municipal segue critérios técnicos, definidos pelos índices de criminalidade, permitindo uma atuação integrada com os demais órgãos  de segurança. 

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O senhor também é autor da lei que permite integrar câmeras privadas aos sistemas públicos de monitoramento. Qual é o principal impacto dessa lei para a segurança pública? A lei permite integrar aos centros de monitoramento as câmeras instaladas por condomínios, edifícios comerciais e outros empreendimentos privados. Ela também resolveu uma insegurança jurídica que existia em relação às câmeras voltadas para a via pública. Com isso, síndicos e moradores passaram a ter respaldo para manter esses equipamentos. Essas imagens já são fundamentais para esclarecer crimes e, integradas aos sistemas públicos, ajudam a acelerar a resposta das forças de segurança.

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Após o acidente de helicóptero no Recreio, que deixou seis pessoas mortas, o senhor apresentou um projeto para ampliar o controle sobre as aeronaves que operam na cidade. O que a proposta muda na prática? Esse projeto vinha sendo discutido antes mesmo do acidente, diante do crescimento do número de voos na região de Jacarepaguá, Barra e Recreio. A proposta obriga helipontos públicos e privados a manter o controle e o arquivamento da documentação das aeronaves que operam regularmente em suas instalações, fortalecendo a fiscalização, especialmente dos voos turísticos, que cresceram bastante nos últimos anos. O município não substitui os órgãos responsáveis pela fiscalização da aviação, mas passa a colaborar com mais informações para tornar esse controle mais eficiente e aumentar a segurança dos voos.

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As obras da Estação Gávea foram retomadas depois de anos de paralisação. Em que estágio está o projeto hoje e o que ainda falta para a conclusão? A Câmara acompanha esse tema por meio de uma comissão específica. Hoje, já são mais de R$ 600 milhões investidos na retomada das obras. A drenagem da água que comprometia a estrutura foi realizada e a estação entrou na fase de concretagem. A Estação da Gávea é fundamental para a mobilidade urbana porque dará continuidade à Linha 4, beneficiando a integração entre Barra, Jacarepaguá e Zona Sul. A previsão é que seja entregue em 2028. Paralelamente, precisamos começar a planejar a possível expansão da linha até a Tijuca, traçado que foi originalmente previsto para a Linha 4.

A Câmara tem destinado recursos para a saúde ao longo dos últimos anos. Quais resultados já aparecem na ponta? Adotamos uma política de economia orçamentária que permitiu devolver cerca de R$ 600 milhões à Prefeitura, destinados prioritariamente à saúde. Um dos principais resultados desse esforço foi a inauguração, neste primeiro semestre, do Super Centro de Saúde de Campo Grande. Desse total, R$ 50 milhões foram destinados à construção da unidade, que tem capacidade para realizar mais de 16 mil atendimentos por mês. Esse modelo amplia o acesso ao atendimento especializado, reduz a necessidade de deslocamento dos pacientes, contribui para diminuir a fila do SISREG e evita o agravamento de muitos casos. Nosso objetivo é continuar colaborando para ampliar a rede de atendimento especializado, especialmente na Zona Norte.

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