O que pode acontecer com alunos que fizeram lista sexual no Cruzeiro
Caso é investigado como injúria, difamação, cyberbullying e constrangimento de adolescentes
A Polícia Civil investiga estudantes do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, suspeitos de criar e compartilhar uma lista on-line que classificava alunas de maneira pejorativa. O caso é apurado como atos infracionais análogos aos crimes de injúria, difamação, submissão de criança ou adolescente a vexame ou constrangimento e cyberbullying.
Cerca de 65 alunas menores de idade foram vítimas de comentários como “GOAT” (sigla em inglês para “a melhor de todos os tempos”), “Comeria no lucro”, “Bêbado vai”, “Me arrependi depois” e “Nem olharia”.
Como os envolvidos têm menos de 18 anos, eles não respondem criminalmente como adultos. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), jovens podem ser responsabilizados pela prática de atos infracionais, equivalentes a crimes ou contravenções penais.
A investigação busca identificar quem criou a lista, quem participou da elaboração, quem compartilhou o conteúdo e qual foi o grau de envolvimento de cada estudante.
O que está sendo investigado?
A Polícia Civil apura se as categorias atribuídas às estudantes configuram injúria, quando há ofensa à dignidade ou à honra da vítima por meio de insultos ou expressões depreciativas.
Também é analisada a possibilidade de difamação, já que a lista teria circulado entre alunos da escola, ampliando a exposição das adolescentes e causando prejuízos à reputação delas no ambiente escolar.
Outro ponto da investigação é o artigo 232 do ECA, que trata da submissão de crianças e adolescentes a situações de vexame ou constrangimento. Nesse caso, os investigadores avaliam se a divulgação do conteúdo provocou humilhação pública ou exposição degradante das vítimas.
O inquérito ainda considera a prática de cyberbullying, caracterizada por intimidação, perseguição e humilhação no ambiente digital, geralmente por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas.
O que pode acontecer com os adolescentes?
Se o Ministério Público entender que houve ato infracional e a Justiça da Infância e da Juventude reconhecer a responsabilidade dos estudantes, poderão ser aplicadas medidas socioeducativas previstas no ECA.
As sanções vão desde advertência, reparação de danos e prestação de serviços à comunidade até liberdade assistida, semiliberdade e, em situações mais graves, internação em unidade socioeducativa.
O episódio também pode gerar desdobramentos na esfera cível, como pedidos de indenização por danos morais, além de medidas disciplinares adotadas pela própria escola.
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Em nota, o Colégio Cruzeiro informou que registrou um boletim de ocorrência e denunciou a publicação à plataforma onde a lista foi divulgada. Segundo a instituição, o conteúdo já foi retirado do ar.
A escola comunicou as famílias, afirmou que repudia qualquer atitude que exponha estudantes e disse que está oferecendo apoio às alunas envolvidas.
“O Colégio Cruzeiro, sintonizado com as questões da sociedade contemporânea, reprova e repudia quaisquer atitudes que exponham estudantes. Registramos um boletim de ocorrência, fizemos uma denúncia à plataforma de veiculação exigindo a retirada do conteúdo (já retirado do ar), alertamos os responsáveis e estamos dando apoio às alunas e suas famílias.
Entendemos que nossa função como escola é ensinar a adoção de posturas éticas, responsáveis e salvaguardar nossos alunos.
O Colégio Cruzeiro é uma instituição com 164 anos de existência focada no desenvolvimento integral do ser humano e, ao longo de sua história, já formou muitas gerações e milhares de alunos.”





