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Novo point: areias mais vazias e mar limpo atraem cariocas para São Conrado

Apelidada por locais de "Sanca City", praia reúne quiosques descolados e escolinha de surfe para a comunidade

Por Carolina Ribeiro
6 mar 2026, 08h00 • Atualizado em 6 mar 2026, 10h17
Águas Cristalinas: em 2025, 83% dos boletins do Inea apontaram o mar de São Conrado próprio para banho
Águas Cristalinas: em 2025, 83% dos boletins do Inea apontaram o mar de São Conrado próprio para banho  (Instituto Mar Urbano/Divulgação)
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  • Nos estudos preliminares do projeto do Hotel Nacional, na Praia de São Conrado, nos anos 1960, Oscar Niemeyer (1907-2012) escreveu que sua principal preocupação era “preservar a natureza magnífica e a silhueta das montanhas”. O arquiteto optou, então, pela construção de uma torre envidraçada de 45 andares, que classificou como uma “expressão da técnica contemporânea”. Tombado como patrimônio histórico e cultural, o edifício modernista é um dos ícones da paisagem do bairro — emoldurada pelo Morro Dois Irmãos e a Rocinha à esquerda, a Pedra da Gávea à direita, os jardins do Gávea Golf Club ao fundo e o mar de águas cristalinas. O cenário outrora contemplado por Niemeyer virou o point de muitos cariocas neste verão: enquanto turistas lotam Copacabana, Ipanema e Leblon, uma turma em busca de areias mais vazias encontrou a paz em “Sanca City”, como apelidou a nutricionista e apresentadora Cynthia Howlett, 48. “Sou apaixonada pelo bairro e não quero mais sair. Meu filho de 13 anos vai à praia sozinho, minha filha de 18 joga altinha e eu corro na areia todos os dias”, conta. “É silencioso, fácil de estacionar e quase não tem ambulante”, exalta.

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    Exercício e brinde: a nutricionista Cynthia Howlett corre nas areias pela manhã e gosta de esticar o programa no Musa ou no QuiQui (Ana Paula Amorim/Veja Rio)

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    Ao contrário de outras praias da Zona Sul, em que o perfil dos frequentadores varia conforme as ruas, em São Conrado, é a nova (e boa) safra de quiosques — com menus caprichados e programação animada — que dita o tipo de público. No último fim de semana, o QuiQui promoveu o evento Rio Cultura e Saúde, agitando a pacata faixa de areia com shows, aula de ioga e atividades para crianças. “O SoGa atrai os jovens, de 20, 25 anos, que vão à praia e depois vão dançar. O Musa é instagramável, com café da manhã gostoso e a melhor batata frita trufada. E o Rio Eco Praia é frequentado por surfistas e moradores da Rocinha, com música e churrasquinho”, situa Cynthia, que transita entre todos os ambientes. “É uma praia democrática, mistura os moradores da comunidade com quem vive em condomínio caro”, resume. A repaginada dos quiosques é fruto de uma estratégia traçada pela Orla Rio para ocupar o calçadão depois da pandemia. “Existia um hiato entre o Voo Livre e o Eco Praia, os mais antigos na região. Conseguimos entregar ao bairro opções gastronômicas bastante diversas”, observa o presidente da Orla Rio, João Marcello Barreto, que comemora o burburinho. “São Conrado vive um boom”, completa. Desde 2018 na área, o SoGa dobrou de tamanho recentemente. “O movimento traz segurança para moradores e turistas”, analisa Gabriel Ferrari, fundador do quiosque.

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    Alta Gastronomia: “O bairro vive um boom”, defende João Marcello Barreto, da Orla Rio (Ana Paula Amorim/Veja Rio)

    Asa-deltas e outros equipamentos de esportes radicais compõem o panorama do bairro mas, nos últimos quatro meses, dois acidentes resultando em três mortes tiraram a paz dos frequentadores. Em novembro, o empresário Phil Haegler voava de parapente quando colidiu com uma asa-delta e se chocou contra a fachada de um prédio às vésperas de completar 60 anos. No dia 21 de fevereiro, o instrutor de asa-delta Rodolfo Pascoal, 43, e a turista americana Jenny Rodriguez, 36, faleceram depois de cair no mar. Uma perícia vai determinar as causas do ocorrido. “Quando a minha filha completou 18 anos, pediu um voo de presente de aniversário. Fiquei com o coração apertado, mas me certifiquei de que é um trabalho organizado e responsável”, diz Cynthia, que realizou o pedido de Manu Howlett.

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    Compasso de férias: “A proposta é que o carioca viaje sem sair do Rio”, diz Gabriel Ferrari, do SoGa (Tomas Rangel/Divulgação)

     

    Outro fator determinante para o hype de “Sanca City” é a impressionante melhora nas condições de balneabilidade. Em 2025, o mar esteve próprio para banho em 83% dos boletins divulgados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O número se aproxima da média da Praia do Flamengo, que foi de 90%. Há uma década, os índices de ambas foram 3% e 6%, respectivamente. A notória mudança em São Conrado é resultado da reforma e modernização das estações elevatórias de coleta e tratamento que levam o esgoto dos mais de 70 000 moradores da Rocinha para o emissário submarino de Ipanema, além do reforço na fiscalização do despejo irregular. “Os moradores são beneficiados com uma orla mais limpa e ganhos concretos para o meio ambiente, a saúde pública e a qualidade de vida”, diz Anselmo Leal, presidente da Águas do Rio, responsável pelo serviço. Instrutor da escolinha de surfe Vivendo Um Sonho, projeto social que acolhe cinquenta crianças da Rocinha e comunidades vizinhas, Carlos Belo da Silva, 32, nota os efeitos na prática. “Várias vezes tivemos de cancelar as aulas porque não tinha como colocar a criançada no mar sujo e com cheiro forte de esgoto. Hoje, o cenário é outro”, observa Belo, que também é sócio do quiosque Rio Eco Praia. Que essa moda não seja passageira.

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    Vivendo Um Sonho: o projeto social acolhe cinquenta crianças da Rocinha e comunidades vizinhas com aulas de surfe (Prio; Tomás Rangel/Divulgação)
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    Junto e misturado

    Os motivos e points que explicam o sucesso da orla de São Conrado

    Em 2015, o Inea constatou que o mar de São Conrado esteve próprio para banho em 3% dos boletins divulgados. Em 2025, a média foi de 83%, um avanço significativo, graças aos investimentos na coleta adequada e no tratamento de esgoto. 

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    Nas Redes: Musa ganhou o posto de quiosque instagramável (./Divulgação)

    O encontro de uma brasileira e um australiano em Bali deu origem ao Musa. No quiosque com espírito de cafeteria gringa, estão opções como smooth de cores vibrantes, bebidas com matchá, panquecas e cuscuz para se deliciar — e fotografar, lógico. @musa__rio

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    Tin-tin: Gastrobar Quiqui é ponto de encontro para brindar e petiscar (Tomás Rangel/Divulgação)

    Inaugurado em 2016, o QuiQui é ponto de encontro de quem procura beliscos com sabores do mar para brindar com uma taça de vinho. E ainda tem programação que combina atividades esportivas, exposições e música ao vivo ao pôr do sol. @quiquirio.

    Tudo o que é servido no Rio Eco Praia é preparado por moradores da Rocinha, como os biscoitos artesanais. Sanduíches e sucos naturais são feitos na hora para a turma do surfe que estica o pós-praia no quiosque. @rioecocantao

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    Em Dobro: SoGa cresceu de tamanho e tem menu assinado pela chef Paula Ritter (Tomás Rangel/Divulgação)
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    No canto direito, o SoGa, beach club com menu assinado pela chef Paula Ritter, dobrou de tamanho recentemente. O ambiente estiloso dispõe de sofás e espreguiçadeiras e sempre há diferentes festas e shows de jazz. @soga_beach

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    Figurinha Carimbada: Luisa Périssé é frequentadora oficial dos quiosques de Sanca (Instagram @luperisse/Divulgação)

    A faixa de areia reúne moradores de São Conrado, Rocinha e uma turma da Barra e Zona Sul em busca de espaço livre na areia. É frequentada por jovens e adultos animados e descolados — adeptos de esportes e apreciadores de bons drinques ao cair da tarde, como a atriz Luisa Périssé

    Veterano, o Voo Livre é conhecido por servir o melhor açaí com granola do bairro. Funciona como uma casa de lanches, com sucos e sanduíches artesanais, e é o lugar certo para contemplar os voos de asas- -deltas e parapentes. @quiosque_voolivre

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