Por que as novelinhas verticais vêm fazendo tanto sucesso?

Histórias curtas, ritmo frenético e linguagem direta fazem das novelinhas verticais um fenômeno global — e movimentam uma nova cena audiovisual no Rio

Por Pedro Coutinho 8 Maio 2026, 08h49 | Atualizado em 8 Maio 2026, 11h45
a reconquista do amor credito pop pop pop.jpg
Pílulas de dramas: capítulos de novelas como Reconquista do Amor(acima) e Nosso Horizonte (à dir.), do app Pop! Pop! Pop!, têm capítulos de no máximo 3 minutos  (pop pop pop/Divulgação)
Continua após publicidade

Numa cidade do interior, uma jovem batalhadora mora com a tia gananciosa e a prima consumista. A chegada do herdeiro de um grande investidor mobiliza mãe e filha, que armam um plano para fisgar o ricaço. No entanto, o destino costura os caminhos do partidão com a gata borralheira da família. Em apenas 150 segundos, Nosso Horizonte, produzida para o aplicativo Pop! Pop! Pop!, entrega todo o tom da trama.

nosso horizonte credito instagram thaisvaz.jpg
(instagram @thaisvaz/Divulgação)

Esse padrão é uma exigência das novelas verticais, consumidas exclusivamente pela tela do celular. Repletos de traições e reviravoltas, os capítulos dificilmente ultrapassam três minutos. Com arquétipos definidos, ritmo intenso e imagem comprida, os enredos conquistam um público ávido por entretenimento.

Alavancado em 2022 no Brasil pela plataforma chinesa Kwai, o formato acumula mais de 100 bilhões de visualizações só nesse aplicativo. O sucesso, somado aos custos reduzidos de produção, chamou a atenção das principais companhias de comunicação do país, que decidiram apostar nas novelinhas para fidelizar novos telespectadores ó caso da Editora Abril.

“A ideia é atrair um público novo, que não necessariamente nos acompanha. Já produzimos três microdramas e a meta é disponibilizar outros nove até o fim de 2026”, explica Erik Carvalho, diretor de monetização, logística e clientes da empresa. 

+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

Continua após a publicidade

Só em 2025, esse mercado global faturou 11 bilhões de dólares. Com a popularização do formato no Brasil, gigantes como Globo e TikTok entraram na onda.

A plataforma Globoplay disponibiliza desde originais, a exemplo de Tudo Por Uma Segunda Chance, estrelada por Debora Ozório e Jade Picon, a spin-offs com cenas extraídas de folhetins, caso de Kelmiro, um resumo da trajetória do casal Kelvin (Diego Martins) e Ramiro (Amaury Lorenzo), de Terra e Paixão.

tudo por uma segunda chance credito fabio rocha tv globo.jpg
(Fabio Rocha/TV Globo)

Aproveitando o sucesso do casal Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky), da trama das 9 Três Graças, Loquinha aprofunda o enredo romântico com tomadas inéditas.

Continua após a publicidade

“Era nítido o quanto o público queria conhecer mais dessa dupla. Então, poder trazer uma história dedicada só às duas, como um presente para as fãs, foi extremamente satisfatório”, celebra a atriz Alanis Guillen.

loquinha credito beatriz damy tv globo (2).jpg
(Beatriz Damy/TV Globo)

 

O segmento também se desenha como opção para artistas independentes. Não é incomum uma única pessoa ocupar múltiplas funções, aos moldes de Charlie Chaplin (1889-1977).

“A internet é mais democrática, então consigo conquistar outros públicos”, afirma o carioca Alessandro Cerqueira, ator, diretor, produtor e roteirista que encontrou nos microdramas uma maneira de burlar um meio saturado. Ele abriu uma produtora de novelas verticais e acumula mais de 300 000 seguidores no Instagram. 

Continua após a publicidade

O triunfo das narrativas simples e ‘a jato’ é um reflexo da sociedade pós-moderna. “Essas histórias são calcadas em temas universais, como amor e traição. Isso explica também porque as novelas turcas e coreanas têm tanto apelo”, reflete Pedro Curi, coordenador do curso de cinema e audiovisual da ESPM.

Sem muito espaço para experimentar linguagens, o desenvolvimento das tramas exige ganchos e diálogos expositivos. “A principal diferença de estrutura é o tempo. Na vertical, precisamos seguir regrinhas para captar a atenção do público. Eu gosto de trazer um estímulo diferente a cada três segundos”, diz Alessandro Cerqueira.

A menor complexidade narrativa não se reflete, no entanto, nos sets de filmagens. “É necessário muito planejamento e organização para que dê certo”, analisa Ciro Sales, galã de Nosso Horizonte.

Continua após a publicidade

Quem é do ramo garante que o modelo vertical não vai substituir os folhetins tradicionais ó mas, no ritmo acelerado do consumo atual, as novelinhas parecem feitas sob medida.  

Na tela do celular 

Plataformas para maratonar os microdramas 

iPhone_17_Mockup_5 nova nova
(Nxpop/Divulgação)

 

POP! POP! POP! O app da Abril investe em títulos próprios, como Nosso Horizonte, Reconquista do Amor e Sabor de Família, além de séries internacionais dubladas. 

Continua após a publicidade

GLOBOPLAY. O streaming da Vênus Platinada tem uma aba dedicada ao formato. Despontam os originais Loquinha e Tudo Por Uma Segunda Chance. 

DRAMABOX. A plataforma chinesa é focada em romances intensos, dramas familiares e subcategorias como “amor proibido” e “triângulo amoroso”. No catálogo se destacam Fugir com o Bebê do Chefe e Beijando o Irmão Errado. 

REELSHORT. Também da China, a empresa é especializada em títulos de impacto emocional envolvendo dinheiro e vingança, com Na tela do celular Plataformas para maratonar os microdramas temas ao estilo “relacionamento tabu”. Entre os sucessos estão Volte Para Mim, Meu Amor de Infância. 

SHORTMAX. O app de origem asiática é focado em minitramas imersivas e dispõe de sucessos a exemplo de Encontro do Destino e A Cirurgiã da Última Chance. 

PINEDRAMA. A marca do TikTok é especializada em histórias curtas, com acesso totalmente gratuito e integração com a dinâmica de consumo rápido das redes sociais. Amor às Avessas e O Último Acordo são alguns destaques. 

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês