Por que os níveis de ozônio registrados no Rio são preocupantes

A exposição ao ozônio na cidade foi classificada como “extremamente ruim” — com mais de 110 microgramas da substância nos ares cariocas por metro cúbico

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 set 2026, 11h38
Cristo Redentor no topo do Corcovado, coberto por vegetação, com um pássaro voando no céu azul claro. À direita, prédios residenciais de cor creme com janelas abertas e aparelhos de ar condicionado, sob luz solar
Cidade alerta: Rio de Janeiro figura entre os municípios com maior exposição a ozônio próximo aos solos. (Bruno Martins/Getty Images)
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Uma nova análise global  do observatório europeu Copernicus revelou que o Rio de Janeiro está entre as cidades com maior exposição ao ozônio próximo ao solo em 2026.

Se na América do Sul 31% da população ficou exposta a níveis considerados “bons” e outros 50% a níveis “razoáveis”, no Rio a exposição ao ozônio foi classificada como “extremamente ruim” — com mais de 110 microgramas da substância por metro cúbico, a cidade figura entre as sul-americanas com maior concentração.

Em uma análise geral, no entanto, o subcontinente apresenta uma situação bem menos desfavorável quando comparado com o resto do planeta — quase 40% da população mundial foi exposta a níveis extremamente altos desse poluente ao longo do ano.

Vale ressaltar que esse ozônio não é o mesmo da chamada camada de ozônio, que fica nas partes mais altas da atmosfera e ajuda a proteger a Terra da radiação ultravioleta. Perto do solo, ele é um poluente prejudicial à saúde.

Nessa camada mais baixa da atmosfera, o ozônio não costuma sair diretamente de escapamentos ou chaminés. Ele se forma a partir de reações químicas entre outros poluentes, favorecidas pela luz solar e por temperaturas elevadas.

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Entre as substâncias envolvidas estão os óxidos de nitrogênio, liberados na queima de combustíveis fósseis, e compostos orgânicos voláteis, que podem vir tanto de atividades humanas quanto da vegetação e de incêndios. O calor e a incidência solar podem, portanto, favorecer o aumento das concentrações desse poluente.

Diferentemente de outros poluentes mais conhecidos, o ozônio próximo ao solo é invisível e pode permanecer em concentrações elevadas mesmo longe de sua fonte original.

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Isso acontece porque tanto o próprio ozônio quanto as substâncias que ajudam a formá-lo podem ser transportados pela atmosfera. Dependendo da altitude, o poluente pode permanecer no ar de algumas horas a semanas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona a poluição atmosférica a doenças cardiovasculares e respiratórias, câncer de pulmão e outros problemas de saúde.

Segundo a entidade, 99% da população mundial vive em locais onde a poluição do ar ultrapassa suas recomendações de qualidade.

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O levantamento do Copernicus mostra que apenas 5% da população mundial esteve exposta a níveis considerados bons de ozônio de longo prazo em 2026, enquanto 15% ficou na faixa considerada razoável.

A situação foi especialmente ruim na Ásia: cerca de 60% da população ficou exposta aos níveis mais elevados de ozônio analisados pelo serviço. Ao lado do continente, Europa e América do Norte concentraram as maiores exposições.

Na Europa, sucessivas ondas de calor durante o verão ajudaram a elevar as concentrações. O continente tem conseguido reduzir outros poluentes nas últimas décadas, como dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre, mas o ozônio não apresenta a mesma tendência clara de queda.

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Temperaturas mais altas favorecem as reações que formam o ozônio, ao mesmo tempo em que incêndios e atividades humanas liberam substâncias que participam desse processo.

Na América do Sul, o quadro geral foi melhor do que em grande parte do Hemisfério Norte. Mais de oito em cada dez pessoas ficaram nas duas faixas de menor exposição, segundo o levantamento.

O destaque negativo do Rio mostra, no entanto, que a média continental não significa que todas as cidades enfrentaram as mesmas condições.

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O próprio relatório ressalta que a exposição varia de acordo com fatores como emissões locais, circulação do ar, temperatura, intensidade da radiação solar e transporte de poluentes vindos de outras regiões.

O levantamento revela ainda que a poluição produzida pela fumaça dos incêndios florestais pode atravessar países e até oceanos.

Embora as emissões globais provocadas pela queima de vegetação tenham diminuído nas últimas décadas, a exposição das pessoas à fumaça dos incêndios está aumentando, em parte porque eventos mais extremos têm ocorrido perto de regiões povoadas.

Na América do Sul, porém, as emissões provocadas por incêndios em 2026 ficaram abaixo das observadas em muitos anos recentes, segundo a análise.

O cenário foi diferente na América do Norte. Grandes incêndios no Canadá espalharam fumaça por milhares de quilômetros durante o verão, chegando a cidades dos Estados Unidos e atravessando o Atlântico em direção à Europa. Parte das plumas também alcançou a Groenlândia e o Oceano Ártico.

No Sudeste Asiático, incêndios sazonais também produziram fumaça que atravessou fronteiras. Na Indonésia, o início do El Niño e as condições mais quentes e secas favoreceram o aumento das emissões no segundo semestre.

A poeira dos desertos completa esse quadro de poluentes capazes de percorrer grandes distâncias.

Todos os anos, cerca de 2 bilhões de toneladas de areia e poeira chegam à atmosfera, segundo a Organização Meteorológica Mundial. Em 2026, o serviço europeu acompanhou episódios em que poeira do Saara atravessou o Atlântico e chegou até o Caribe, além de alcançar partes da Europa.

Para os pesquisadores, esses episódios reforçam que a qualidade do ar de uma cidade não depende apenas da poluição produzida dentro de seus limites.

Fumaça, poeira e os compostos envolvidos na formação do ozônio podem viajar por centenas ou milhares de quilômetros, fazendo com que um problema iniciado em uma região afete populações muito distantes.

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