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Nina Braga criou projeto de recuperação da vegetação nas praias

Socióloga é diretora do Instituto-E, cujo objetivo é promover o desenvolvimento humano sustentável

Por Heloíza Gomes - Atualizado em 20 mar 2017, 19h05 - Publicado em 19 mar 2017, 10h00

Há dez anos a socióloga Nina Braga é diretora do Instituto-E, organização sem fins lucrativos cujo objetivo é promover o desenvolvimento humano sustentável. De lá para cá, comandou várias ações, mas não esconde que seu xodó é o projeto responsável por estimular a adoção dos canteiros de vegetação na orla de Ipanema, do Leblon e da Prainha. “Temos de recuperar as coisas boas do Rio”, diz a diretora, que toca a iniciativa desde 2009. Com o apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e de empresas privadas como Osklen e Havaianas, que adotaram alguns canteiros, 6 000 metros cúbicos de areia foram remanejados para receber 36 620 mudas de espécies nativas. “É importante deixar claro que o impacto não é só estético. Quando se resgata a vegetação, a temperatura fica mais amena, evita-se que a areia tome as ruas em caso de ventania, e ainda há a recuperação da fauna. Já vemos até borboletas voando por ali”, explica Nina.

A iniciativa é conduzida por jardineiros com o auxílio de estudantes do ensino fundamental de instituições públicas. “Vamos às escolas e falamos sobre a vegetação de restinga, os professores preparam cartazes e, depois, as crianças ajudam a plantar as mudas”, conta Nina. “É muito legal. Uma vez, uma menina disse que aquele era o dia mais feliz da vida dela. E por quê? Porque isso dá uma sensação de pertencer a um lugar. O local deixa de ser terra de ninguém. Infelizmente, o carioca acha que o espaço público é de ninguém. Falta cidadania”, afirma a socióloga, que espera ainda poder levar o projeto para outras cidades do Brasil. “Desde o início, a ideia era recuperar toda a costa brasileira, mas, como somos uma organização sem fins lucrativos, precisamos de parceiros públicos e privados, e ainda não conseguimos algo fora do Rio. Tenho esperança de que outros sintam vontade de fazer o mesmo na cidade em que moram.”

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