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Morre o jornalista Lula Branco Martins

Falecido nesta segunda (27), vítima de um AVC, aos 53 anos, ele passou por redações como a do Jornal do Brasil e da VEJA RIO

Por Pedro Tinoco - Atualizado em 28 mar 2017, 19h48 - Publicado em 28 mar 2017, 19h42

Lula Branco Martins era jornalista e adorava o que fazia. Lá nos primórdios, no Jornal do Brasil do começo dos anos 90, aparecia nos plantões de fim de semana – obrigação que nós colegas cumpríamos a contragosto – mesmo quando não era escalado. O JB, naquele tempo, ficava na Avenida Brasil, 500, atual endereço do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), ponto que, convenhamos, é meio contramão. No jornal, foi repórter, redator e editor. Como chefe, é lembrado até hoje pela disposição e pela criatividade. Aquela vontade doida de trabalhar provocou estranhamento no início (quem, em sã consciência, vai ao plantão sem ser convocado?), até ficar claro que era só isso mesmo: uma vontade doida de trabalhar que ele carregou o resto da vida.

Na redação da revista VEJA RIO, já neste século XXI, ele recorria com frequência ao violão, ou cartazes coloridos, ou versos de sua própria lavra, entre outros artifícios para vender suas pautas mirabolantes. Com esse mesmo estilo, Lula fez fama no curso de Comunicação Social da PUC-RJ, onde se formou em 1990 e dava aulas desde 2006. No primeiro dia do ano letivo, costumava se vestir de monge (cortava o cabelo, inclusive, com aquela clássica “clareira” no cocuruto) e transformava a aula inaugural em uma inesquecível missa cantada. Lula adorava os Beatles. E amava Carnaval, a ponto de ter feito um curso profissionalizante de carnavalesco. A vontade doida, ficou claro, era, na verdade, uma bem-vinda vontade de fazer diferente. E bem. Lula era minucioso. Coordenou uma bela edição especial sobre os 80 anos do Cristo Redentor, em 2011, publicada por VEJA RIO, pautando algumas matérias, apurando e escrevendo outras e conferindo pessoalmente detalhes como a distância, a pé, da estação do trem, no Cosme Velho, e o monumento, lá no alto do Corcovado. “Cerca de 8 quilômetros, sempre subindo”, escreveu. Lula, falecido nesta segunda (27), vítima de um AVC, aos 53 anos, era tão surpreendente que, na verdade, se chamava Wilson.

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