…com Ziraldo

Autor de "O Menino Maluquinho" e ídolo infantil, escritor e cartunista conta suas preferências na cidade

Por Ernesto Neves 1 nov 2011, 20h41 | Atualizado em 5 dez 2016, 15h56
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ziraldo.jpg (Tomás Rangel/)
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Mineiro de Caratinga, no interior do estado, o cartunista e escritor Ziraldo vive no Rio há mais e 50 anos. Carioca por adoção, ele conta que adora visitar a Floresta da Tijuca e ver a paisagem carioca de Niterói. Para ele, o melhor da cidade são os cariocas. “Aqui as pessoas são mais solidárias”, diz, mas afirma ainda que a cidade precisa vencer os altos índices de violência. Ele é autor de “Uma professora muito maluquinha”, que está em cartaz nos cinemas com Paola Oliveira no papel principal. Confira abaixo a entrevista completa.

Quando você chegou ao Rio?

Em 1948.

E o que cativou você? Por que nunca mais saiu da cidade?

Eu sou do interior e cheguei ao Rio numa época em que era a capital. Em Minas, quando a gente crescia, podia escolher dois destinos: o Rio ou Vitória. Assim que terminei o ginásio, escolhi o Rio. Fiquei tão deslumbrado quando cheguei que não saí mais. Vivi os anos dourados do Rio.

O que o Rio tem de melhor?

O carioca. Ele é uma entidade, é a alma da cidade. Aqui é onde o sentido de comunidade funcionou melhor no Brasil. As pessoas aqui são mais solidárias, doces, do que em qualquer outro lugar.

E onde gosta de passear com a família?

Na Floresta da Tijuca. Gosto de ir ao restaurante Floresta?s, e na Cascatinha. A orla da cidade também é muito bonita. Quando minha filha vem ao Rio, levo meus netos para Niterói, gosto muito da vista que se tem de lá.

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Você viajou recentemente à China e vai constantemente ao exterior. Do que mais sente falta quando está fora?

Quando viajo, o que mais sinto falta é o arroz e o feijão. Descobri o que eram iguarias na minha última viagem à China. Passei 15 dias lá. Eles te servem asa de borboleta, orelha de cervo….

E o que te tira do sério?

Não fico estressado com nada. Tenho como vista da minha casa a Lagoa Rodrigo de Freitas. Ou seja, acordo e tenho à minha frente a paisagem mais bonita do mundo.

Mas os problemas da cidade não te incomodam?

Sim. O Rio resistiu a todo esforço que fizeram para destruí-lo. Você vai a outras cidades com a natureza parecida, como a Cidade do Cabo, e vê que lá as coisas são muito mais conservadas, floridas.

Qual o pior problema que o carioca enfrenta?

A violência é a pior coisa do Rio. Há décadas, quando a cidade ainda era calma, um amigo me alertou. Essa quantidade de áreas excluídas se espalhando…É um fato previsto desde a época do filme Rio 40°. A violência mais grave aqui é a da injustiça social. Desde o fim da escravidão, libertaram os negros e não deram oportunidades para eles. Os pobres não tem culpa nenhuma desse caos.

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Qual a maior diferença do Rio de hoje para o dos anos 50 e 60?

Tive uma namorada naquela época que andávamos de Copacabana ao Leblon de madrugada, não havia nenhum perigo. Mas, ainda com toda a violência, acho o Rio melhor lugar do mundo para se viver.

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