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Marcello Bossois fundou o projeto Brasil sem Alergia

Iniciativa oferece tratamento médico gratuito em Caxias, Realengo, Nova Iguaçu e Iguaba Grande

Por Heloiza Gomes - 21 jan 2017, 13h00

Há cerca de dez anos, o médico alergista e imunologista Marcello Bossois foi convidado para visitar a Associação Comunitária de Pais e Amigos do Parque Fluminense, em Duque de Caxias. A ideia era que ele desse um apoio temporário aos moradores daquela região, mas o suporte acabou se tornando permanente. “A procura foi muito grande porque praticamente toda a população de Caxias tem alergia, por causa da fuligem da (refinaria) Reduc. Com isso, nunca mais saímos de lá”, revela Bossois, que conta com a companhia da esposa, a médica Patrícia Schlinkert, no Brasil sem Alergia, iniciado em 2007. O projeto cresceu tanto que, hoje, tem cinco postos de atendimento: em Caxias (com duas unidades), Realengo, Nova Iguaçu e Iguaba Grande. Nos dois últimos, cobra-se uma taxa de 10 reais ou 1 quilo de alimento não perecível, mas, nos restantes, as consultas são gratuitas. “Não temos auxílio nenhum do governo. Até tentamos consegui-­lo, mas encontramos as portas fechadas. Contamos apenas com a Cruz Vermelha e a ajuda pontual de algumas indústrias farmacêuticas”, relata o médico, que, no entanto, não se deixa abalar. “Dá muita satisfação ver a melhora do paciente que não teria condições de se tratar”, garante ele.

“Dá muita satisfação ver a melhora do paciente que não teria condições de se tratar”

Mesmo sem o apoio governamental, o Brasil sem Alergia consegue assistir cerca de 10 000 pessoas por mês. E sem burocracia, algo bem diferente do que ocorre nos serviços públicos. Não é preciso ser encaminhado por nenhum médico ou instituição. Basta marcar a consulta pelo site http://www.brasilsemalergia.com.br. “Recebemos qualquer um. Mas, como estamos com a nossa capacidade esgotada, gostaria que aqueles que têm plano de saúde ou algum poder aquisitivo dessem preferência a outros colegas”, apela Bossois, que é pesquisador assistente do Departamento de Genética da Universidade Laval, no Canadá, e no segundo semestre passará a atender gratuitamente também na Santa Casa de Misericórdia, no Centro. “Além de promovermos a reabertura do serviço, montaremos o primeiro laboratório internacional de terapia gênica do Brasil, voltado para o desenvolvimento da imunoterapia para o câncer”, adianta ele.

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