Lesbofobia no Brejo Bar vira caso de polícia: casa já sofreu outros ataques
Nessa segunda (24), as sócias foram ao Decradi fazer o boletim de ocorrência; substância química e garrafas com líquidos foram lançadas durante evento
Um ataque ao Brejo Bar, no Flamengo, virou caso de polícia. Nessa segunda (24), Vanessa Nascimento, sócia da casa ao lado de Priscila Continentino, esteve na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para registrar a ocorrência. A Polícia Civil investiga o episódio, ocorrido na noite de quinta (20), durante um sarau dedicado à produção e à representatividade lésbica.
Cerca de 70 pessoas, em sua maioria mulheres lésbicas e negras, acompanhavam o encontro de poesia e música quando, por volta das 22h25, uma substância química foi lançada em direção ao bar e ao público. O produto provocou irritação nos olhos e na garganta e obrigou os presentes a deixar o espaço. Garrafas com líquidos, entre eles um que aparentava ser urina, também foram arremessadas. “Ainda não sabemos exatamente qual substância foi utilizada. O que podemos dizer é que o efeito foi muito intenso”, afirma Vanessa. O vizinho agressor ainda não foi identificado.
O ataque de quinta-feira não foi o primeiro. Desde a abertura do Brejo, ovos, tomates, pedras de gelo, água e líquidos que aparentavam ser urina já teriam sido lançados de diferentes apartamentos do prédio contra o estabelecimento e seus frequentadores. As sócias observam que o vizinho Bambi, sede da Fla Tamoios, também concentra grande público e produz intensa movimentação em dias de jogos, mas, até onde sabem, não é alvo de agressões semelhantes. Para elas, a diferença enfraquece a alegação de que os episódios seriam provocados apenas pelo incômodo com o barulho. “Por isso, entendemos que o histórico de agressões, sua recorrência, seus diferentes pontos de origem e o tratamento aparentemente distinto dispensado a outro estabelecimento vizinho com intensa movimentação constituem elementos que precisam ser considerados na investigação sobre uma possível motivação lesbofóbica”, afirma Vanessa.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
A noite tinha um peso simbólico para a casa. Durante o sarau, o Brejo recebeu a vereadora Mônica Benício, que entregou ao estabelecimento a placa “Aqui quem manda é sapatão”, em reconhecimento à atuação do espaço na cultura e na visibilidade lésbica. “É muito grave pensar que justamente essa identidade possa transformar o nosso espaço e as pessoas que estão nele em alvo de violência”, afirmam as sócias em um comunicado.
A casa recebe o acompanhamento do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia e pretende criar protocolos de segurança com a orientação de bombeiras e policiais. “Todas ficamos sem saber como agir diante da situação”, conta Vanessa. Apesar do medo, ela garante que o episódio não encerrará as atividades do espaço: “Não vamos naturalizar uma violência dessa gravidade nem permitir que o medo nos silencie. Seguiremos existindo e ocupando esse espaço”.





