Lesbofobia no Brejo Bar vira caso de polícia: casa já sofreu outros ataques

Nessa segunda (24), as sócias foram ao Decradi fazer o boletim de ocorrência; substância química e garrafas com líquidos foram lançadas durante evento

Por Alessandra Carneiro 25 ago 2026, 11h32 | Atualizado em 25 ago 2026, 11h37
Duas mulheres sorridentes, uma de macacão branco e blusa vermelha, outra de camiseta branca e saia jeans, abraçadas em frente a um letreiro vermelho DO BREJO, COM ORGULHO. À direita, pessoas sentadas em mesas sob um guarda-chuva preto, em um bar com letreiro BREJO BAR
Ataques ao Brejo Bar: as sócias Vanessa Nascimento e Priscila Continentino relatam diferentes agressões desde a abertura  (Instagram/Reprodução)
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Um ataque ao Brejo Bar, no Flamengo, virou caso de polícia. Nessa segunda (24), Vanessa Nascimento, sócia da casa ao lado de Priscila Continentino, esteve na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para registrar a ocorrência. A Polícia Civil investiga o episódio, ocorrido na noite de quinta (20), durante um sarau dedicado à produção e à representatividade lésbica.

Cerca de 70 pessoas, em sua maioria mulheres lésbicas e negras, acompanhavam o encontro de poesia e música quando, por volta das 22h25, uma substância química foi lançada em direção ao bar e ao público. O produto provocou irritação nos olhos e na garganta e obrigou os presentes a deixar o espaço. Garrafas com líquidos, entre eles um que aparentava ser urina, também foram arremessadas. “Ainda não sabemos exatamente qual substância foi utilizada. O que podemos dizer é que o efeito foi muito intenso”, afirma Vanessa. O vizinho agressor ainda não foi identificado.

O ataque de quinta-feira não foi o primeiro. Desde a abertura do Brejo, ovos, tomates, pedras de gelo, água e líquidos que aparentavam ser urina já teriam sido lançados de diferentes apartamentos do prédio contra o estabelecimento e seus frequentadores. As sócias observam que o vizinho Bambi, sede da Fla Tamoios, também concentra grande público e produz intensa movimentação em dias de jogos, mas, até onde sabem, não é alvo de agressões semelhantes. Para elas, a diferença enfraquece a alegação de que os episódios seriam provocados apenas pelo incômodo com o barulho. “Por isso, entendemos que o histórico de agressões, sua recorrência, seus diferentes pontos de origem e o tratamento aparentemente distinto dispensado a outro estabelecimento vizinho com intensa movimentação constituem elementos que precisam ser considerados na investigação sobre uma possível motivação lesbofóbica”, afirma Vanessa.

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A noite tinha um peso simbólico para a casa. Durante o sarau, o Brejo recebeu a vereadora Mônica Benício, que entregou ao estabelecimento a placa “Aqui quem manda é sapatão”, em reconhecimento à atuação do espaço na cultura e na visibilidade lésbica. “É muito grave pensar que justamente essa identidade possa transformar o nosso espaço e as pessoas que estão nele em alvo de violência”, afirmam as sócias em um comunicado.

A casa recebe o acompanhamento do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia e pretende criar protocolos de segurança com a orientação de bombeiras e policiais. “Todas ficamos sem saber como agir diante da situação”, conta Vanessa. Apesar do medo, ela garante que o episódio não encerrará as atividades do espaço: “Não vamos naturalizar uma violência dessa gravidade nem permitir que o medo nos silencie. Seguiremos existindo e ocupando esse espaço”.

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