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Cenário recorrente das novelas de Manoel Carlos, o Leblon passa a abrigar uma homenagem permanente ao autor fora da ficção. O escritor e dramaturgo teve o nome dado a uma praça do bairro pela Prefeitura do Rio, reconhecendo a relação direta entre sua obra e a região onde ambientou grande parte de suas histórias. A iniciativa foi determinada pelo prefeito Eduardo Paes e oficializada por meio do decreto nº 57.482, publicado no Diário Oficial do Município desta terça (13).
Situada à Avenida Bartolomeu Mitre, entre as ruas Juquiá e Desembargador Alfredo Russel, a praça, com 719,69 metros quadrados de área, exibirá a inscrição: “Manoel Carlos (1933-2026) – Escritor, dramaturgo e autor. Retratou o cotidiano do bairro em novelas, valorizando paisagens, costumes e debates sociais da cidade”.
Manoel Carlos morreu no último sábado, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Ao longo da carreira, popularizou o Leblon ao ambientar suas histórias no bairro, inserindo personagens inspirados em tipos reais e conflitos cotidianos. Em entrevista ao Memória Globo, o autor explicou sua escolha pelo Rio como cenário recorrente: “Situo as minhas novelas no Rio. Faço coisas muito fortes, sob um céu muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo”.
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Reconhecido por retratar com sensibilidade a alma feminina, Manoel Carlos marcou a teledramaturgia brasileira com personagens que atravessaram diferentes novelas, especialmente as Helenas. O papel apareceu em produções como Baila Comigo (1981), Felicidade (1991), Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas (2003). Regina Duarte foi a atriz que mais vezes interpretou a personagem, em História de Amor (1995), Por Amor (1997) e Páginas da Vida (2006).
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Além das novelas, o autor também assinou minisséries ao longo de cerca de 60 anos de carreira, entre elas Malu Mulher (1980), Presença de Anita (2001) e Maysa – Quando Fala o Coração (2009).
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Manoel Carlos Gonçalves de Almeida nasceu em São Paulo, em 14 de março de 1933, filho do comerciante José Maria Gonçalves de Almeida e da professora Olga de Azevedo Gonçalves de Almeida. Conhecido como Maneco, o autor, apesar da origem paulista, sempre se considerou carioca de coração. Costumava dizer que era carioca por escolha e sempre declarou seu vínculo afetivo com o Rio de Janeiro.
Outros homenageados pela cidade
A iniciativa se soma a uma série de batismos de ruas e praças da cidade que passaram a levar nomes de artistas, escritores e personalidades marcantes da cultura brasileira. Em agosto do ano passado, Gal Costa, MC Marcinho e Anderson Leonardo passaram a integrar o cotidiano urbano do carioca ao batizarem logradouros em diferentes regiões da cidade.
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Na Zona Oeste, um trecho da pista direita da Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, agora se chama Avenida Gal Costa. A cantora, que morreu em 2022, marcou a história da música brasileira com sua voz inconfundível e uma trajetória que atravessou gerações.
Já no Centro, no final da Rua Fioravanti Di Piero, uma praça até então sem nome passou a se chamar Praça Rubem Fonseca, em homenagem ao escritor que teria completado 100 anos em 2025. Rubem morreu no Rio em abril de 2020 e deixou uma obra literária marcada pelo estilo direto e violento, muitas vezes ambientado na própria cidade.
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Outro artista lembrado é Juca Chaves, que agora dá nome a um trecho da Rua Rodolfo Bottino, em Campo Grande. Conhecido por sua veia crítica e humor afiado, o compositor e músico faleceu em 2023. Outros dois nomes do universo musical carioca também foram eternizados na região de Guaratiba, na Estrada da Capoeira Grande. As antigas “Ruas Projetadas A e B” agora homenageiam Anderson Leonardo, do grupo Molejo, e MC Marcinho, um dos grandes nomes do funk melody dos anos 2000.
Também foram homenageados com logradouros públicos personalidades como a socialite Carmen Mayrink Veiga, morta em janeiro de 2017 e hoje nome de rua em Campo Grande, além de políticos como o ex-presidente da Câmara dos Vereadores e ex-deputado estadual Sami Jorge, e o ex-ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) José Gregori.
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