Lavanderias regulares e de autosserviço vivem expansão na cidade
Apartamentos cada vez menores e o boom de estadias por temporada impulsionam esse fenômeno na capital fluminense
Foi-se o tempo em que recorrer a uma lavanderia era um luxo restrito a peças que exigiam cuidados. Levar as roupas a estabelecimentos especializados e resolver outras tarefas enquanto isso virou rotina para uma parcela de cariocas.
De acordo com o DataSebrae, a capital fluminense tem 835 lavanderias ativas, o equivalente a 43,63% das 1.913 registradas em todo o estado.
Só em 2025, foram abertas 142 novas unidades em solo carioca. Copacabana concentra 10,4% do total do município e, na sequência, vem a Barra, com 8,7%. “São regiões com forte presença de apartamentos, inclusive os de menor metragem, alta densidade populacional e grande circulação de moradores. Copacabana reúne ainda um fluxo expressivo de turistas e imóveis destinados a locações de curta duração”, afirma a gerente de mercado do Sebrae Rio, Raquel Abrantes.
O levantamento reúne tanto as regulares quanto as de autosserviço, que têm ganhado espaço. “O self-service vem se popularizando em diversos setores, como o comércio, e a tecnologia ajuda a impulsionar esse modelo. As máquinas são automáticas, assim como a dosagem dos produtos, o que facilita o uso”, explica o presidente da Associação das Empresas de Lavanderias, Othon Barcellos.
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Os apartamentos compactos já são uma parcela importante dos lançamentos imobiliários da cidade, segundo dados do Secovi-Rio. Estúdios — as antigas kitnets — e unidades de apenas um quarto representavam 12,3% das novidades no primeiro semestre de 2021. No mesmo período de 2026, a participação saltou para 40,7%, com 4 711 imóveis recém-construídos à disposição.
Para Rafael Thomé, presidente do Secovi-Rio, a expansão combina alterações nos hábitos de moradia com os efeitos dos juros altos, que reduziram a presença de compradores de espaços maiores e fizeram a oferta migrar para exemplares mais baratos.
Com menos espaço dentro de casa, a ordem é priorizar a funcionalidade. “O movimento é de enxugamento: cozinha integrada à sala, área de serviço reduzida a um nicho e ambientes com múltiplas funções. Portanto, o que não cabe no apartamento passa a aparece na área comum dos condomínios”, resume Thomé.
Em muitos empreendimentos novos, essa lógica se traduz em lavanderias compartilhadas pelos moradores, além de espaços de lazer , brinquedotecas, bem-estar e de coworking. O aumento das moradias compactas ocorre em paralelo ao crescimento gradual do número de pessoas vivendo sozinhas.
Dados do IBGE apontam que o estado do Rio de Janeiro tem a maior proporção de domicílios com um só morador no país. “São geralmente estudantes, jovens adultos, profissionais em início de carreira e casais sem filhos, que querem morar perto do trabalho ou de eixos de transporte”, analisa Thiago Reis, gerente de comunicação e dados da plataforma QuintoAndar, de compra, venda e aluguel de imóveis.
É o caso do publicitário Eduardo Lins de Araújo, 28, instalado num estúdio de 24 metros quadrados no Flamengo. Sem área de serviço, Araújo abdicou da ideia de ter uma máquina em casa e passou a aderir ao autosserviço. “A falta de espaço é o principal motivo. Toda semana, levo as roupas para a lavanderia porque não tenho outra opção”, conta.
Para o chairman do Grupo Froth, Fábio Roth, à frente das redes 5àsec e LavPop, a possibilidade de o próprio cliente operar as máquinas ajudou a democratizar o acesso. “Em cerca de uma hora, o consumidor consegue lavar e secar uma carga sem precisar se dedicar à atividade durante o ciclo. O benefício não é só a velocidade, mas a liberdade”, afirma.
De olho nesse mercado em expansão, o grupo prevê abrir cinquenta novas operações no estado até 2027, 35 da LavPop e 15 da 5àsec. O avanço das locações de curta temporada por meio de plataformas digitais também ajuda a explicar a demanda pelas lavanderias de rua.
Em junho de 2026, o Rio chegou a mais de 48 000 anúncios ativos de imóveis para aluguel por temporada, segundo levantamento da ONG internacional Inside Airbnb, alta de 11% em relação ao mesmo mês de 2025.
Copacabana concentra também a maior densidade dessas ofertas entre os destinos analisados pela organização. “Faço um guia para os hóspedes e indico ao menos duas lavanderias self-service”, conta Thiago Machado, responsável por três apartamentos de temporada em Ipanema.
O administrador também recorre a esses negócios para higienizar roupas de cama e banho em alta temperatura. E essa demanda, hoje, vai além da Zona Sul. “O turista não quer ficar só nas regiões tradicionais, ele circula pelo Rio inteiro. E, como muitos estrangeiros estão acostumados com o autosserviço, acabam incorporando esse hábito à viagem”, comenta Bruno Leite, fundador da Lave & Pegue, criada no Rio há seis anos.
Desde 2025, os clientes da rede têm acesso a armários com senha, o que permite que eles encontrem as roupas já dobradas. Afinal, quem quer desfrutar do Rio — seja de forma permanente ou temporária — não tem minutos a perder.
Modo econômico
Os números do novo hábito de consumo
40,7% dos lançamentos no primeiro semestre de 2026 tinham menos de 40 metros quadrados
13% estão na Barra Olímpica

56 litros de água são usados por equipamentos industriais para lavar 10 quilos, 60% a menos que uma máquina de lavar convencional
40 reais é o preço médio para lavar e secar 10 quilos de roupa
Fonte: Secovi-Rio e Associação Nacional das Empresas de Lavanderia (Anel)





