Avatar do usuário logado
Usuário

Chegada da Keeta, gigante chinesa, acirra a guerra do delivery no Rio

Com bilhões em jogo, mercado de entregas transformam a cidade em laboratório de uma disputa por restaurantes, entregadores e consumidores

Por Pedro Landim
20 fev 2026, 06h08 • Atualizado em 20 fev 2026, 18h09
Puli Tratoria_Thaissa e entregador credito Ana Paula Amorim.jpg
Múltiplas possibilidades: Thaissa Szapiro, da Puli Trattoria, cadastrou o restaurante em três plataformas (Ana Paula Amorim/Divulgação)
Continua após publicidade
  • As motos se alinham, o sinal verde está aceso e o delivery carioca vive sua largada mais competitiva. O Rio tornou-se vitrine de uma disputa que movimenta 21 bilhões de dólares por ano no mundo. A chinesa Keeta começará a operar na cidade em março, com investimento previsto de 5,6 bilhões de reais no Brasil em cinco anos, entrando na pista dominada pelo iFood (80% do mercado) e já tensionada pela 99 Food. Braço da Meituan, gigante que realiza cerca de 80 milhões de entregas diárias na China – inclusive com o uso de drones -, a empresa chega prometendo rede própria de entregadores e capacetes “inteligentes”, com conexão bluetooth e navegação por áudio.

    Nos bastidores, restaurantes observam a movimentação com expectativa: mais concorrência pode significar taxas mais equilibradas, melhores condições logísticas e, quem sabe, preços mais competitivos para o consumidor final. “A concorrência vai gerar um equilíbrio maior neste mercado”, acredita Thaíssa Szapiro, dona da Puli Trattoria, na Gávea, que está cadastrada nas três plataformas. O Rappi, o quarto concorrente, é mais voltado a conveniência.

    + Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

    A importância do delivery cresce de forma clara, e nomes de peso entram no jogo com olhar atento. O chef Thomas Troisgros conta que 30% da receita do francês Le Blond vem das entregas, e acaba de incluir, a pedido da clientela, o Toto e o bar Tijolada no sistema. Se o T.T. Burger, sua marca de sanduíches, tem contrato de exclusividade com o iFood – ponto nevrálgico do negócio, que inclui táticas de vendas, promoções e visibilidade -, nas outras casas outros caminhos são possíveis.

    “Empresas novatas precisam entender o consumidor, porque não é fácil fazê-lo migrar de plataforma”, opina o chef e empresário. “Todo mundo quer desconto, e as recém-chegadas estão queimando caixa nisso. É claro que vejo vantagem, mas nada salva uma logística fraca, pedidos atrasados e entregues com erro”, acrescenta o analista financeiro José Ricardo Dias, heavy user desses apps.

    Continua após a publicidade

    A lentidão das plataformas para a resolução de problemas é uma queixa comum aos empresários e consumidores ouvidos pela reportagem, e a necessária festa dos cupons, como admite um executivo de uma das grandes companhias, gera crescimento artificial de vendas e não se sustenta a longo prazo. O cenário faz sorrir a clientela dos apps e envolve cifras de respeito. A 99 Food colocou 350 milhões de investimentos só no Rio, fez um show surpresa de João Gomes em Copacabana, em dezembro, pegou o título de “delivery oficial” do Carnaval, além de oferecer descontos robustos e taxa zero para restaurantes no primeiro momento.

    A Keeta acena com cupons de até 200 reais, frete grátis e compensação imediata ao consumidor em caso de atraso. “Comida expressa cultura, e o delivery está muito ligado ao prazer. O Rio de Janeiro é único nesses quesitos”, atesta Danilo Mansano, VP de parcerias estratégicas da Keeta Brasil.

    Danilo Mansano Keeta credito Breno da Matta -311 (1).jpg
    Potencial carioca: “Comida expressa cultura, tudo a ver com a cidade”, diz Danilo Mansano, VP de parcerias estratégicas da Keeta Brasil, que fornecerá capacetes com bluetooth para os entregadores (Breno da Matta/Divulgação)
    Continua após a publicidade

    Head de comunicação institucional do iFood, que em um ano injetou 1,1 bilhão de reais nestas praias, Rafael Corrêa afirma: “Nossa estratégia não é só competição por preço, mas compromisso com inteligência de mercado e geração de valores sustentáveis”.

    Longe do discurso oficial, no entanto, pipocam disputas judiciais, com ações em diferentes esferas, a começar pelos contratos de exclusividade, que chegaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Acionado na Justiça, o iFood também abriu processo por concorrência desleal contra a 99 Food que, por sua vez, foi alvo da Keeta por supostas tentativas ilegais de contratações e compra de exclusividade. Em novembro, na Baixada Santista, a estreante chinesa registrou boletim de ocorrência depois que desconhecidos teriam se passado por funcionários, com crachás falsos, para espionar o novo sistema implementado em restaurantes. Isso tudo reforça o potencial do país.

    “Somos o maior mercado de delivery da América Latina, crescendo cerca de 9% ao ano. Com mais plataformas, mais gente vai pedir comida. Quem está na zona de conforto tem de se mexer”, analisa a consultora Bianca Fraga, do grupo Mindhub.

    Continua após a publicidade

    Entre cupons generosos, batalhas judiciais e promessas de tecnologia de ponta, o Rio virou laboratório de um setor que acelera sem olhar para trás. Resta saber quem vai cruzar a linha de chegada com fôlego – e quem ficará pelo caminho quando os descontos cessarem e a fidelidade do consumidor entrar em jogo. 

    joao gomes credito divulgacao 99 food.jpg
    Estratégia pesada: para desbancar o iFood, responsável por 80% do setor, o 99 Food promoveu show gratuito de João Gomes em quiosque na Praia de Copacabana (99 Food/Divulgação)

    Ai, que fome

    Os mais pedidos pelos fluminenses 

    Continua após a publicidade
    TT_goiabacon_porAlexWoloch-5322 (1) (1).jpg.jpeg
    T.T. Burger: Thomas Troisgros fez acordo com o iFood (Alex Woloch/Divulgação)

    Hambúrguer
    Sanduíche natural
    Café da manhã
    Comida árabe
    Marmitas
    Poke
    Batata frita
    Sorvete
    Açaí 

    Fonte: iFood

    Publicidade

    Essa é uma matéria fechada para assinantes.
    Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

    Domine o fato. Confie na fonte.
    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do RJ

    A partir de R$ 29,90/mês