O motivo que faz do Jardim Botânico do Rio o mais diverso do mundo
Instituto de pesquisas desde 1995, o lugar nasceu em 1808 como horto para a aclimação de plantas exóticas e não se resume a um único bioma
Uma nova trilha no Jardim Botânico, que apresenta plantas africanas agora complementadas com espécies fitoterápicas, comprova a diversidade do local fundado em 1808 por Dom João VI, onde a vegetação não se limita a apenas um bioma. “Aqui você vê uma espécie da Mata Atlântica ao lado de uma da Costa Rica e de outra de Madagascar, porque são todas da mesma família científica. É o Rio na veia: tudo junto e misturado”, brinca Sérgio Besserman, presidente da instituição.
Isso porque o local nasceu como um horto de aclimatação de plantas exóticas, para testar espécies que poderiam ser cultivadas em terras brasileiras — e uma parte deste passado veio à tona recentemente. Em 2022, um saco com ossadas de pessoas escravizadas foi descoberto entre o museu e a Biblioteca Barbosa Rodrigues. Após estudos, descobriu-se que elas pertenciam aos responsáveis pela construção do lugar, que em 1995 se tornou oficialmente um instituto de pesquisas.
“Não se tratou de um trabalho exclusivamente braçal. Esses negros também atuaram como cientistas, já que os portugueses não entendiam nada de agricultura tropical”, frisa Besserman. Como uma forma de reparação, foi criado ali o Memorial das Mãos Negras, dando visibilidade àqueles que edificaram um dos maiores cartões-postais da cidade, reconhecido como único por sua paisagem diferenciada dos demais jardins botânicos do mundo.





