Influenciadores transformam o Rio em matéria-prima de piadas virais

O cotidiano da cidade e os hábitos dos cariocas inspiram vídeos de humor que batem milhões de visualizações

Por Pedro Inácio Xavier 16 out 2026, 08h45 | Atualizado em 16 out 2026, 11h07
Jovem mulher sorridente com óculos e camiseta do Eminem, sentada sobre caixas de madeira empilhadas sob céu azul
 (Angelo Pontes/Divulgação)
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Num vagão lotado, Samanta Alves surge vestindo roupa social e empunhando um microfone. Em seguida, ela puxa o coro da clássica O Show Tem que Continuar, de Arlindo Cruz; leva uma patada de uma passageira e ainda presencia uma confusão.

Enquanto as situações inusitadas pipocam pelo trem do ramal Japeri, a influenciadora digital faz juz ao título da canção e interage com os passageiros sem perder o bom humor. O vídeo — que acumula 20,4 milhões de visualizações — brinca com um contexto familiar a muitos cariocas, mas também à comunicadora, que antes de se dedicar à internet cursava direito e vivia o “clima caótico” do transporte público, de terninho e uma bolsa cheia de processos.

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Cria de Madureira, na Zona Norte, ela passou a compartilhar suas vivências nas redes sociais após o incentivo de Antônio, seu companheiro. Desde então, Samanta capricha nas gírias e no “jeitinho carioca” em quadros como Na Condução, Na Galera e Di Cria e de Playboy. “As cenas são imprevisíveis e espontâneas, o que deixa tudo muito leve e verdadeiro”, celebra a jovem de 25 anos, seguida por 3,2 milhões de pessoas.  “Fico feliz de ter conseguido viralizar falando sobre o meu bairro, acho importante mostrar o subúrbio carioca por uma ótica positiva.”

Embora a naturalidade e a vida real encantem, a construção de personagens também arranca risadas. Com as esquetes da personagem “carioca”, Lívia Linhares provou que, mesmo sendo natural de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, consegue brincar com a cultura do Rio, onde mora atualmente.

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Para isso, a atriz usa recursos da comédia como a quebra de expectativa e o exagero, além de fazer um contínuo trabalho de observação pela cidade para seus mais de 700 000 fãs nas redes. “A identificação do público se manifesta no alcance dos vídeos e nos elogios que recebo dos seguidores na rua”, conta.

O professor Danilo Nunes, à frente de um curso sobre marketing de influência na pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), defende que criadores de conteúdo como Lívia e Samanta se destacam por transformar a identificação regional em valor para as marcas. “A relação entre o comunicador e seu público, ainda que nichado, vem sendo muito valorizada pelas marcas, então esse recorte é um atrativo.”

“Gosto da forma como a Samanta Alves traz o subúrbio para falar do Rio, indo além do que é mostrado em cartões-postais e nas novelas”, diz o estudante de história Caio Feitosa, 25, que não perdeu a chance de tietar a humorista no gramado do Rock in Rio.

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Rir de figuras e acontecimentos que marcam o cotidiano do Rio é uma tradição que se renova a cada plataforma lançada. Em espetáculos do Teatro de Revista, por exemplo, a sátira já era um recurso utilizado com esse propósito.

No perfil do Instagram Malhassaum, os atores Dig Verardi, do Rio Grande do Sul, e Fernanda Fuchs, do Paraná, publicam vídeos de humor que brincam com estereótipos de bairros cariocas e com situações muito próprias da cidade. “Os personagens são caricaturas, mas suas características são facilmente identificadas em pessoas próximas”, opina Fernanda. “Além de entreter, os conteúdos são retratos históricos, porque representam o que tem acontecido no Rio”, complementa Verardi, que costuma encarnar um playboy do Leblon e o vovô garoto, de sunga e tênis esportivo.

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Professor titular aposentado do departamento de cinema e vídeo da Universidade Federal Fluminense (UFF), João Luiz Vieira explica por que o gênero nunca sai de moda. “A comicidade traduz a identidade brasileira. Trocadilhos, piadas de duplo sentido e referências à época, ainda que transformados, seguem provocando o riso.” Afinal, a realidade é dura e a comédia é necessária para trazer leveza à vida dos cariocas.

Tem que rir

Perfis hilários para seguir no Instagram

Samanta alves

@mantaalves

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3,2 milhões de seguidores

O vídeo em que ela tenta animar os passageiros no ramal Japeri dos trens acumula 20,4 milhões de visualizações.

Lívia linhares

@livialinharess

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749 000 seguidores

A campista incorporou o sotaque da capital fluminense e provoca risadas com esquetes como a da passageira do metrô que tenta descobrir quem pode ser o primeiro a levantar para que ela se sente. Esse foi visto 8,2 milhões de vezes.

Mulher jovem, de cabelos castanhos e lisos, sorrindo amplamente com dentes brancos, vestindo blazer preto e colares finos, em frente a uma cortina branca
. (Arthur Marba/Divulgação)

Thiago Alcântara

@iae.break

3,2 milhões de seguidores

O dia a dia nas favelas é retratado com graça e crítica pelo criador de conteúdo. Suas publicações mais assistidas chegam a 19 milhões de visualizações.

Homem sorridente, cabelo loiro descolorido, camisa vermelha e preta, posa em sacada com vista panorâmica do Rio de Janeiro ao pôr do sol, com montanhas e favelas ao fundo
. (@iae.break/Instagram)

Bruno Thierry

@rockycria

1,5 milhões de seguidores

Morador da rocinha, ele alterna produções nas quais faz rir e conta curiosidades sobre a favela mais populosa do Brasil. Ao comparar a realidade da comunidade com o jogo GTA, conquistou 7,6 milhões de visualizações.

Homem sorridente de camiseta verde e bermuda preta, com tatuagens no braço, apontando para o céu. Ele está em um telhado, com uma favela e montanhas verdes ao fundo, sob um céu nublado
. (@rockycria/Instagram)

Dig Verardi e Fernanda Fuchs

@malhassaum

437 000 seguidores

A dupla de amigos é queridinho das marcas e fatura com as “publis”, como se chamam as propagandas nas redes. O vídeo em que retratam os foliões do carnaval carioca atingiu 17,8 milhões de views.

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Multidão em protesto na rua, com pessoas de costas e braços erguidos, e capas da revista Veja com manchetes sobre política e notícias, promovendo jornalismo de qualidadeMultidão de pessoas de costas, com braços erguidos, em uma rua urbana com prédios altos e árvores. À direita, várias capas da revista Veja sobrepostas, com títulos como Furo Cruzado e Vale-Tudo
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