Tudo sob medida! Impressoras 3D ajudam a solucionar problemas em casa
Mais baratas e fáceis de operar, as máquinas deixam os laboratórios, ganham espaço nas casas dos cariocas e transformam ideias em objetos utéis e personalizados
A fábrica de bolso ganhou espaço dentro de casa. Cada vez mais acessíveis, as impressoras 3D permitem transformar ideias em objetos concretos — de brinquedos e peças de decoração a soluções para pequenos problemas do cotidiano.
A tecnologia empregada, a estereolitografia, foi registrada há quarenta anos nos Estados Unidos e, originalmente, era usada na indústria para acelerar a criação de protótipos de componentes para automóveis e aviões.
“Com o fim das patentes, em 2009, máquinas caríssimas foram reduzidas a impressoras de mesa. Em duas décadas, elas ficaram 90% mais baratas”, explica o professor da Faculdade de Tecnologia da Uerj, Claudinei dos Santos.
No mercado brasileiro desde 2010, elas podem ser encontradas entre 1 800 e 20 000 reais.
Morador do Méier, o engenheiro Thiago Vial, 47 anos, conheceu a tecnologia ainda na faculdade, quando seu uso era restrito aos laboratórios. Há seis anos, comprou uma unidade depois de assistir a diversos tutoriais no YouTube.
“O conceito de pensar com as mãos sempre me encantou. O uso principal hoje divide-se entre a resolução prática de problemas da casa, objetos de decoração para Páscoa, Natal, festas infantis e brinquedos para o meu filho de 8 anos”, afirma.
A facilidade criativa proporcionada pelo equipamento rende momentos descontraídos. Num vídeo com quase 300 000 curtidas, o criador de conteúdo Pedro Faria, 28, apronta uma pegadinha com a namorada, a americana Bri Fancy (a @meiobrasileira no Instagram), com um falso cocô de cachorro em cima do travesseiro.
“Ao mesmo tempo em que ela acha incrível a facilidade de ter um porta-secador de cabelo personalizado, fica incomodada com a quantidade de peças espalhada pelos cômodos. Acabei doando uma parte para os seguidores”, conta.
Já o artista 3D Caio dos Santos, 39, transformou o hobby em fonte de renda. A namorada, Bruna Reis, 31, virou parceira de trabalho.
“No início, gostava de baixar modelos de personagens, imprimir as miniaturas, preparar, lixar e pintar por diversão. Até que surgiu a oportunidade de criar bonequinhos dos participantes do reality show Minha Mãe com Seu Pai, do Globoplay”, lembra.
Desde então, a dupla é procurada pelo Instagram @arteiro.miniaturas para reproduzir memórias tridimensionais, como a foto de dois amigos num show de rock e até maquetes com recordações de família.
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Além do lazer, as impressões têm facilitado iniciativas de inclusão de pessoas com deficiência visual ao ensino de ciências.
Na Uerj, a rede 3DucAssist, fruto de parceria com pesquisadores do Mato Grosso do Sul, transforma imagens e estruturas biológicas de pesquisas em modelos que possam ser explorados pelo tato.
“Nosso acervo reúne mais de vinte protótipos, incluindo vírus, partes da anatomia humana e de animais da fauna brasileira, além de estruturas vegetais. Isso é especialmente importante para sistemas biológicos microscópicos ou muito complexos para serem representados apenas por texto ou audiodescrição”, descreve Eduardo Torres, coordenador do projeto.
Quem pretende operar a máquina em casa deve tomar alguns cuidados. “O equipamento precisa ficar num cômodo climatizado, bem arejado e com fluxo de ar, jamais no quarto de dormir”, aconselha o professor Claudinei dos Santos, da Uerj.
“É fascinante poder modelar e imprimir uma peça exatamente do jeito que preciso. Hoje, não guardo mais tanta sucata em casa e as gambiarras ficaram no passado”, celebra o engenheiro de software Gabriel Paladino, 39, morador de Laranjeiras.
Entre seus projetos caseiros recentes estão um adaptador do tubo de exaustão do ar-condicionado e um suporte para o interfone na cozinha.
“Acredito que, em mais alguns anos, elas vão se tornar tão fáceis de usar que vão virar uma espécie de airfryer, práticas e indispensáveis”, faz coro o colega Thiago Vial. Em breve, a customização estará ao alcance de todos.
Imaginação sem limites
O que pode ser impresso em casa



- Itens domésticos, como suportes de cabos e organizadores
- Miniaturas detalhadas para jogos, brinquedos e bonecos
- Objetos de decoração
- Peças para substituir mecanismos quebrados de eletrodomésticos
- Na medicina e na odontologia, a tecnologia é empregada para produzir modelos anatômicos de estudo e até próteses biocompatíveis personalizadas em diferentes materiais
- Na construção civil, estruturas inteiras de concreto podem ser construídas por braços robóticos







