Tudo sob medida! Impressoras 3D ajudam a solucionar problemas em casa

Mais baratas e fáceis de operar, as máquinas deixam os laboratórios, ganham espaço nas casas dos cariocas e transformam ideias em objetos utéis e personalizados

Por Renata Busch 9 out 2026, 10h27 | Atualizado em 9 out 2026, 11h19
O engenheiro Thiago Vial vai da decoração aos brinquedos: “O conceito de pensar com as mãos sempre me encantou”, reflete
O engenheiro Thiago Vial vai da decoração aos brinquedos: “O conceito de pensar com as mãos sempre me encantou”, reflete (Felipe Bezerra/Divulgação)
Continua após publicidade
Tudo sob medida! Impressoras 3D ajudam a solucionar problemas em casa Priorizar nos meus resultados Google

A fábrica de bolso ganhou espaço dentro de casa. Cada vez mais acessíveis, as impressoras 3D permitem transformar ideias em objetos concretos — de brinquedos e peças de decoração a soluções para pequenos problemas do cotidiano.

A tecnologia empregada, a estereolitografia, foi registrada há quarenta anos nos Estados Unidos e, originalmente, era usada na indústria para acelerar a criação de protótipos de componentes para automóveis e aviões.

“Com o fim das patentes, em 2009, máquinas caríssimas foram reduzidas a impressoras de mesa. Em duas décadas, elas ficaram 90% mais baratas”, explica o professor da Faculdade de Tecnologia da Uerj, Claudinei dos Santos.

No mercado brasileiro desde 2010, elas podem ser encontradas entre 1 800 e 20 000 reais.

Morador do Méier, o engenheiro Thiago Vial, 47 anos, conheceu a tecnologia ainda na faculdade, quando seu uso era restrito aos laboratórios. Há seis anos, comprou uma unidade depois de assistir a diversos tutoriais no YouTube.

Continua após a publicidade

“O conceito de pensar com as mãos sempre me encantou. O uso principal hoje divide-se entre a resolução prática de problemas da casa, objetos de decoração para Páscoa, Natal, festas infantis e brinquedos para o meu filho de 8 anos”, afirma.

A facilidade criativa proporcionada pelo equipamento rende momentos descontraídos. Num vídeo com quase 300 000 curtidas, o criador de conteúdo Pedro Faria, 28, apronta uma pegadinha com a namorada, a americana Bri Fancy (a @meiobrasileira no Instagram), com um falso cocô de cachorro em cima do travesseiro.

O criador de conteúdo Pedro Faria vive pregando peças na namorada, a americana Bri Fancy: “Tive que doar algumas peças,
O criador de conteúdo Pedro Faria vive pregando peças na namorada, a americana Bri Fancy: “Tive que doar algumas peças, porque ela estava incomodada com a quantidade”, conta ele. (./Divulgação)
Continua após a publicidade

“Ao mesmo tempo em que ela acha incrível a facilidade de ter um porta-secador de cabelo personalizado, fica incomodada com a quantidade de peças espalhada pelos cômodos. Acabei doando uma parte para os seguidores”, conta.

Já o artista 3D Caio dos Santos, 39, transformou o hobby em fonte de renda. A namorada, Bruna Reis, 31, virou parceira de trabalho.

“No início, gostava de baixar modelos de personagens, imprimir as miniaturas, preparar, lixar e pintar por diversão. Até que surgiu a oportunidade de criar bonequinhos dos participantes do reality show Minha Mãe com Seu Pai, do Globoplay”, lembra.

Continua após a publicidade

Desde então, a dupla é procurada pelo Instagram @arteiro.miniaturas para reproduzir memórias tridimensionais, como a foto de dois amigos num show de rock e até maquetes com recordações de família.

+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

Além do lazer, as impressões têm facilitado iniciativas de inclusão de pessoas com deficiência visual ao ensino de ciências.

Continua após a publicidade

Na Uerj, a rede 3DucAssist, fruto de parceria com pesquisadores do Mato Grosso do Sul, transforma imagens e estruturas biológicas de pesquisas em modelos que possam ser explorados pelo tato.

“Nosso acervo reúne mais de vinte protótipos, incluindo vírus, partes da anatomia humana e de animais da fauna brasileira, além de estruturas vegetais. Isso é especialmente importante para sistemas biológicos microscópicos ou muito complexos para serem representados apenas por texto ou audiodescrição”, descreve Eduardo Torres, coordenador do projeto.

Quem pretende operar a máquina em casa deve tomar alguns cuidados. “O equipamento precisa ficar num cômodo climatizado, bem arejado e com fluxo de ar, jamais no quarto de dormir”, aconselha o professor Claudinei dos Santos, da Uerj.

Continua após a publicidade

“É fascinante poder modelar e imprimir uma peça exatamente do jeito que preciso. Hoje, não guardo mais tanta sucata em casa e as gambiarras ficaram no passado”, celebra o engenheiro de software Gabriel Paladino, 39, morador de Laranjeiras.

Entre seus projetos caseiros recentes estão um adaptador do tubo de exaustão do ar-condicionado e um suporte para o interfone na cozinha.

“Acredito que, em mais alguns anos, elas vão se tornar tão fáceis de usar que vão virar uma espécie de airfryer, práticas e indispensáveis”, faz coro o colega Thiago Vial. Em breve, a customização estará ao alcance de todos.

Imaginação sem limites

O que pode ser impresso em casa

  • Itens domésticos, como suportes de cabos e organizadores
  • Miniaturas detalhadas para jogos, brinquedos e bonecos
  • Objetos de decoração
  • Peças para substituir mecanismos quebrados de eletrodomésticos
  • Na medicina e na odontologia, a tecnologia é empregada para produzir modelos anatômicos de estudo e até próteses biocompatíveis personalizadas em diferentes materiais
  • Na construção civil, estruturas inteiras de concreto podem ser construídas por braços robóticos
Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Multidão em protesto na rua, com pessoas de costas e braços erguidos, e capas da revista Veja com manchetes sobre política e notícias, promovendo jornalismo de qualidadeMultidão de pessoas de costas, com braços erguidos, em uma rua urbana com prédios altos e árvores. À direita, várias capas da revista Veja sobrepostas, com títulos como Furo Cruzado e Vale-Tudo
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês