IA em cena: Rock in Rio oferece experiência imersiva repleta de emoção
Nova edição do festival tem a tecnologia mais presente do que nunca, potencializando a diversão do público com inovações
Em maio de 2011, shoppings cariocas foram tomados por quilométricas filas de fãs ávidos para garantir seus ingressos para a edição que marcaria o retorno definitivo do Rock in Rio ao Brasil — uma espera de uma década.
No RioSul, a multidão chegava até o túnel que liga Botafogo à Avenida Princesa Isabel, em Copacabana. Um cenário impensável para os tão conectados dias de hoje.
Com o avanço tecnológico, todas as transações financeiras relacionadas ao festival ficaram 100% digitais, da compra dos bilhetes à reserva de um horário na tirolesa ou na roda-gigante, incluindo até o mapa dos banheiros — o aplicativo oficial do evento, veja só, informa, em tempo real, quais estão menos lotados.
“A Cidade do Rock é um megalaboratório de soluções hi-tech. Podemos testar desde as novidades do Palco Mundo, que agora tem um painel gigante de LED, até as formas de facilitar o trabalho de milhares de funcionários”, esclarece Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, empresa responsável por promover o mais longevo evento de música da cidade, que dá a largada à sua 11ª edição e agita a cidade desta sexta (4) a segunda (7) e de 11 a 13 de setembro.

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A tecnologia permeia os caminhos do Rock in Rio antes, durante e depois da maratona musical. Um dos principais aliados da área de comunicação é o social listening, um monitoramento on-line que examina comportamentos e depreende padrões para erguer estratégias.
Com a análise dos dados coletados, é possível entender melhor o que o público quer e planejar ações para os 385 000 metros quadrados de gramado. “A ideia é provocar o encantamento”, explica Ana Deccache, diretora de marketing do festival.
Foi justamente ao monitorar por lá o vaivém das pessoas que a venda antecipada de bebidas acabou sendo implementada — chegar à Cidade do Rock de posse de vouchers de chope e refrigerante era uma vontade dos espectadores.
Na mesma toada, a onipresente inteligência artificial (IA) vai identificar os estandes e ativações que mais fazem sucesso junto ao público. “Faremos um mapeamento dos ambientes para saber quais foram mais utilizados para a produção de fotos e vídeos e, sabendo disso, vamos melhorar a oferta nos próximos anos”, antecipa Ana.

No vasto gramado, a presença de recursos hi-tech pode nem ser percebida, mas é bastante utilizada por funcionários de todas as áreas. “Água, energia elétrica e internet jamais podem faltar”, afirma Ricardo Acto, vice-presidente de operações do Rock in Rio, que lembra que um aplicativo de gestão de alimentos e bebidas acaba de entrar em cena na Cidade do Rock.
“Com ferramentas da IA, criamos um programa que melhora o controle e reduz a quantidade de conferências de estoque”, explica o diretor de tecnologia Leandro Rocha. Um processo que levava até dois meses para ser finalizado agora poderá ser concluído em 24 horas.
Outra iniciativa em teste é a captura de reações do público através de câmeras e sensores, ajudando a compreender aquilo que emociona e cativa a plateia.
Para Acto, o vice-presidente de operações, um único fator é capaz de tirar o sono da equipe. “Mesmo com a previsão do tempo, nunca sabemos como estarão as condições climáticas. A chuva prejudica porque faz muita gente querer ir embora ao mesmo tempo. É algo que foge ao controle.”
Em relação à segurança, o executivo destaca a operação conjunta com a Polícia Civil. “A utilização de câmeras para conter delitos foi iniciada em 2024, e continuaremos a usá-las, desta vez com mais precisão e capacidade de resposta, além de monitorar chips de celulares que forem furtados”, diz.
A grande aposta do Rock in Rio em 2026 chama a atenção — o novo Palco Mundo ganhou telas de 107 metros de largura por 31,5 metros de altura, totalizando uma área de 2 400 metros quadrados de LED. A luz, aliás, é ingrediente central.
Para elaborar o conceito de cada show, o departamento de criação empregou pela primeira vez uma plataforma para gerenciar projeções visuais complexas em tempo real, que opera com ferramentas de IA (olha ela aí outra vez). “Entrei na empresa em 2008 e, àquela época, levávamos meses construindo maquetes para que todos entendessem o que queríamos. Agora fica todo mundo na mesma página virtual”, conta Ana Biavaschi, diretora de cenografia. “Assim sobra mais tempo para sermos criativos”, diz.
Para orquestrar o show de luzes, o designer Terry Cook desembarcou da Inglaterra para a Cidade do Rock. Ele fica numa sala atrás do palco principal e consegue, em frente a uma tela, pilotar todo o espetáculo de luzes. “Há trinta anos, eu projetava tudo em um papel que era enviado para o Brasil via fax”, relembra. No encerramento, em 13 de setembro, haverá uma apresentação inédita de 1 500 drones interagindo com os telões. “Nunca se viu coisa parecida na América Latina”, garante Ana Deccache.
Já a performance Ecco by LightWire, com cinco sessões diárias em uma das arenas, promete ser para lá de imersiva, unindo cenário e figurinos iluminados ao som 3D. “Instiga todos os sentidos do corpo humano e provoca arrepios”, adianta a diretora de produção artística Anna Clara Chermont.
Em meio a algoritmos, prompts de IA e uma robusta análise de dados, o fator humano, claro, não pode ser substituído — discussão presente também na Cidade Rock. “O que acho lindo na curadoria é a possibilidade de apresentar artistas que as pessoas não escutam. Tem que ter emoção e até irritar”, filosofa Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World.
A opção por combinar a banda de k-pop Stray Kids, headliner do Palco Mundo, com Jamiroquai no Sunset, na sexta (11), não foi à toa — é para agradar pais e crianças. Ferramentas computacionais também podem ajudar a selecionar talentos para soltar a voz.
“Analisamos dados de consumo de streaming, engajamento dos cantores e bandas nas redes, medindo alcance e conexão com o público. E o YouTube também nos auxilia a visualizar se as performances dialogam com o espaço”, afirma Roberto Verta, curador do Palco Supernova, cujo line-up vai de Diogo Defante a Zeca Veloso, passando por João Gordo e Matanza Ritual.
Principal atração do Palco New Dance Order na segunda (7), voltado para a música eletrônica, o DJ britânico Fatboy Slim admite que os recursos tecnológicos dão aquele bom sacolejo ao espetáculo. “A adoção de elementos visuais me permite enriquecer o show, que terá projeções sincronizadas com a batida das canções.”
Quanto a adotar a IA na composição propriamente dita, ele já não é tão entusiasta assim. “Quando comecei, nos anos 1990, usávamos mais o cérebro. Atualmente há uma biblioteca infinita de timbres. É interessante, mas o excesso de possibilidades acaba com a disciplina”, pondera.
A cada dia, a Cidade do Rock vai receber cerca de 100.000 pessoas, aglomeração que supera o número de habitantes de 95% dos municípios brasileiros, segundo o último Censo. E ninguém ficará desconectado por lá.
Responsável pela operação, a TIM espalhou pelo Parque Olímpico 120 antenas inteligentes que incluem de forma pioneira a tecnologia High Capacity, que oferece 50% a mais de capacidade de tráfego e amplia a cobertura em 30%.
A novidade é combinada ao 5G Advanced, que possui menor latência, maior velocidade e integração com a IA. “Durante o festival, vamos dedicar uma fatia da rede aos agentes de trânsito e teremos uma parceria inédita com o Centro de Operações para gerar mapas de calor anonimizados para auxiliar na fluidez do tráfego”, informa Marco Di Costanzo, VP de desenvolvimento de tecnologia da TIM.
Com dispositivos de inteligência artificial e automação, a companhia vai utilizar sistemas que identificam padrões de consumo e antecipam locais de maior concentração de público — a própria rede fará ajustes para rebalancear e distribuir o alcance do 5G.
Pesquisas internas do festival apontam que metade das pessoas compra ingressos não pelos shows, mas pela festa. E as ativações que agregam interações tecnológicas inéditas a cada edição, sempre com direito a distribuição de brindes, são um forte chamariz.
No Pavilhão Itaú, as imagens exibidas nos painéis de LED vão interagir com os frequentadores. “Investimos em um sistema que capta movimentos e transforma a presença das pessoas em representações artísticas nos telões”, explica Rodrigo Montesano, superintendente de experiências e conexões de marcas do banco.
Na TIM House, criadores de conteúdo vão participar de atividades diárias para exibir suas habilidades nas redes, algo bem afeito a esta era. Os responsáveis pelos vídeos mais curtidos serão premiados.
“É uma oportunidade de nos aproximarmos de uma nova geração de creators, refletindo a forma como vivemos o entretenimento hoje, compartilhando, comentando e cocriando experiências em tempo real”, afirma Marcos Lacerda, VP de marca e comunicação da operadora.
Nesta edição, que transcorre em tempos de elevada preocupação climática, 100% da pegada de carbono do Rock in Rio será compensada, incluindo o deslocamento do público, através de uma parceria com a Axia.
O festival tem a meta de distribuir 2,5 milhões de pratos de comida ao projeto Ação da Cidadania. O dinheiro pode ser doado pelo público de forma direta, com contribuição via QR code, ou indireta, com valores convertidos de acordo com as compras na Cidade do Rock. Como tudo é show, um “pratômetro” no gramado mostra as contribuições em tempo real.
Ao pensar adiante, uma década para frente, Roberta Medina diz: “Espero que a gente possa usar cada vez mais ferramentas para deixar a experiência ainda mais divertida e sustentável. O Rock in Rio é a prova de que, com bom uso, a tecnologia faz bem ao ser humano”, avalia.
Pai de Roberta, Roberto Medina também cultiva altas ideias sobre o festival que criou. “Em 1985, eu era um jovem com um sonho de fazer o Brasil acontecer e uma grande paixão pelo Rio. Daqui a dez anos, quero ver carros voadores saindo dos shoppings e esteiras para os mais velhos poderem circular melhor pela Cidade do Rock”, diz. “Tenho conversado muito com o ChatGPT, que chamo de Charlie, mas acho que a relação que muda o mundo não é com ele. Só o contato humano resolve a vida”, arremata. O Rock in Rio atravessa os anos sem medo do amanhã.
Metrópole do rock
Os números colossais do festival
3,36 bilhões de reais é o impacto econômico estimado
385.000 metros quadrados é a área da Cidade do Rock
33.900 postos de trabalho
190 Shows
1.300 Artistas
120 quilômetros de fios elétricos, o equivalente a dezesseis voltas na Lagoa
1.314 banheiros
1 Milhão de brindes distribuídos
Fila do gargarejo
Shows que prometem fazer história
4 de setembro
Palco Mundo
Foo Fighters
Palco Sunset
Capital Inicial convida Dado Villa-Lobos

5 de setembro
Palco Mundo Avenged Sevenfold
Palco Sunset Black Pantera convida Nervosa
6 de setembro
Palco Mundo
Black Eyed Peas
Barão Vermelho convida Fernando Magalhães

7 de setembro
Palco Mundo
Elton John
Gilberto Gil
Palco Sunset
Péricles canta Motown
Global Village
Joyce Moreno, Leila Pinheiro e Fernanda Takai
New Dance Order
Fatboy Slim


11 de setembro
Palco Mundo
Stray Kids
Alok
Palco Sunset
Jamiroquai
Jota.Pê convida Luedji Luna e Zaynara
12 de setembro
Palco Mundo
Maroon 5
Pedro Sampaio
Demi Lovato
Palco Sunset
João Gomes e Orquestra Brasileira Gilsons convidam Daniela Mercury e Olodum
Espaço Favela
Timbalada
Global Village
Mestrinho
Hamilton de Holanda

13 de setembro
Palco Mundo
Ivete Sangalo
Twenty One Pilots
Palco Sunset
Joelma convida Viviane Batidão
Marina Sena convida Céu
Zara Larsson

Manual da diversão máxima
Dicas certeiras para aproveitar o Rock in Rio por Monique Keller, fundadora da página do Instagram @showsnorio

Separe o dia para curtir o evento. Chegue cedo e aproveite ao máximo as ativações
Baixe o aplicativo com antecedência para ter a agenda dos shows nas mãos e reservar os brinquedos assim que chegar
Escolha roupas confortáveis. Nos pés, nem invente. Vá de tênis
Leve uma mochila pequena, com pouco peso, e inclua o essencial: carregador portátil, protetor solar, capa de chuva, canga, casaco, garrafa para água ou copo dobrável, remédio para dor de cabeça e álcool gel
Vá ao banheiro e se alimente durante os shows, porque nos intervalos os demais ambientes ficam mais cheios
Aproveite o pôr do sol, por volta das 17h, para fazer fotos no letreiro principal e na roda-gigante
A cobertura do Rock in Rio por VEJA Rio é um oferecimento de TIM.







