Colegial descolado e executivo moderno: a gravata dita modismos femininos

Das semanas de moda aos blockbusters, peça-chave do guarda-roupa masculino e corporativo ganha ares mais livres, versáteis e sem gênero

Por Luiza_Maia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 Maio 2026, 08h00
Em cena: personagem de Deborah Secco na novela Elas por Elas incorporou o estilo corporativo modernizado
Em cena: personagem de Deborah Secco na novela Elas por Elas incorporou o estilo corporativo modernizado (Raul Bittencourtt/Divulgação)
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Símbolo tradicional de seriedade, por muito tempo restrita ao armário masculino, a gravata ganha novos ares, mais livres e versáteis, e se firma como peça-chave também no closet feminino. O hype é evidente: o acessório se destacou nas últimas semanas de moda de Paris, Nova York e Milão, e pelos corredores do Rio Fashion Week, chamando a atenção nos looks de estrelas como Zendaya, Demi Moore, Nicole Kidman, Beyoncé, Deborah Secco e Bruna Marquezine. No universo pop, o movimento também se confirma: o recém-lançado O Diabo Veste Prada 2, sequência do blockbuster protagonizado por Meryl Streep e Anne Hathaway, põe o apetrecho em evidência para além do óbvio, combinado a camisetas básicas e vestidos de alta- -costura. Essa releitura descomplicada impulsiona marcas a reinventar a peça, adaptando-a a diferentes públicos e ocasiões. “Vimos muitas gravatas em desfiles internacionais, com styling despojado. Isso tem tudo a ver com o estilo carioca, que traz informalidade sem perder o charme”, nota Deborah Azulay, à frente da Azulay Acessórios, em Ipanema. Além da versão lisa, a marca aposta em modelos cravejados de broches ó outra tendência em alta — e num colar corrente que reinterpreta o formato.

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Símbolo de poder: Bruna Marquezine é uma das famosas que apostou no visual (instagram @brunamarquezine/Divulgação)

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Criada no século XVII, como peça utilitária de uniformes militares, a gravata ganhou, ao longo do tempo, status de distinção. No século XX, tornou-se um símbolo do universo corporativo e político, associada a posições de autoridade, enquanto as mulheres passaram a adotá-la como forma de afirmação em espaços dominados por homens. “O uso se flexibilizou e hoje representa desde fluidez de gênero e glamour até reafirmação de status e poder, seja feminino ou masculino”, explica Paula Acioli, pesquisadora e analista de moda. Essa releitura não é totalmente nova: no início dos anos 2000, ícones pop como a cantora Avril Lavigne e a banda RBD adotaram o acessório, e agora o movimento ganha força com a geração Z, impulsionado por estéticas em alta como preppy (colegial descolado), office core (executivo modernizado) e grandpa core (confortável e nostálgico). “Ela ganha protagonismo, inclusive em usos experimentais, como lenço no pescoço, faixa de cabelo ou cinto”, explica Bárbara Barreira, head de estilo da Youcom, braço da Renner focado nos jovens.

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Vida real: Ju Black, criadora de conteúdo, adotou a peça com diferentes usos (Instagram @eujublack/Divulgação)

 

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A geração Z consome moda como linguagem, não por regra, e enxerga a peça como ferramenta de expressão pessoal, explorando materiais como o couro. “Eu tinha acabado de me mudar e, com as roupas ainda desorganizadas, usei uma como cinto para ir ao mercado. Entendi que poderia usá-la em qualquer ocasião”, conta a influenciadora digital Jublack, 31 anos. Adepta de bazares e brechós, a criadora de conteúdo vê no acessório uma oportunidade de explorar novas possibilidades de estilo a partir de peças de segunda mão. Já a artista carioca Bia Siqueira, 30, tem um forte vínculo afetivo com a peça: a única de seu guarda-roupa tem um Mickey estampado. “Herdei da minha mãe, que comprou a peça nos anos 1990 e é a minha grande inspiração. Ela nunca se prendeu muito a essas distinções entre masculino e feminino”, explica a jovem. Em uma premiação no ano passado, Bia usou a gravata para homenagear o look icônico da atriz Julia Roberts no Globo de Ouro de 1990, considerado até hoje um dos mais ousados dos tapetes vermelhos de Hollywood. Entre releituras e novos usos, a gravata se reinventa e reafirma a moda como um território de expressão ó cada vez mais livre de regras fixas e aberta a interpretações. 

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Ícone pop: no filme O Diabo Veste Prada 2, em cartaz nos cinemas, o acessório aparece em diversas cenas (Aeon/GC/GettyImages/Divulgação)

É hora de arriscar 

Dicas para incorporar o acessório com naturalidade 

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Ícone personalizável: com bottons e broches (./Divulgação)

> Repaginada Com camisa e blazer, em nó frouxo ou levemente desalinhado 

> Despojada Sobre t-shirt básica, criando contraste entre o formal e o casual

 > Em composições híbridas Junto a broches, correntes ou estampas marcantes 

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> No pescoço Como um lenço, mais solta, sem nó estruturado, dando um ar despretensioso Como cinto Substituindo a ferramenta tradicional em calças ou saias 

> No cabelo Amarrada em rabo de cavalo ou coque 

> Sobre vestidos Contrapondo a leveza do visual com um toque de alfaiataria 

 

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