Como eram os golpes aplicados por quadrilha paulista em táxis do Rio
Polícia prende três integrantes do bando e apreende 85 cartões bancários, dez máquinas de cartão e cinco placas de veículos
Três suspeitos de integrarem uma quadrilha especializada em aplicar golpes contra passageiros de táxi na Zona Sul do Rio foram presos por homens da Polícia Civil da 9ª DP (Catete) nesta quarta (22). Segundo reportagem do jornal O Globo, o grupo, formado por criminosos de São Paulo, induzia as vítimas, em sua maioria idosos, a pagarem corridas em máquinas de cartão adulteradas. “Não entregue o seu cartão na mão do motorista. Passe você mesmo na máquina. Desconfie de quem recusa dinheiro ou recebimento em Pix. E sempre verifique, ao receber o cartão de volta, se é realmente o seu cartão”, observa o delegado Leandro Aquino, titular da 9ª DP (Catete).
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O golpe era aplicado no momento do pagamento. Sempre que o passageiro digitava a senha, os criminosos capturavam a informação e trocavam o cartão verdadeiro por outro, pertencente a uma vítima anterior.
Foram apreendidos durante a ação 85 cartões bancários — entre eles os de quatro vítimas já identificadas pela investigação e o de um turista estrangeiro —, dez máquinas de cartão e cinco placas de veículos, além de um táxi usado pelo grupo. “Se você saiu de táxi e depois viu no extrato uma compra que não fez ou recebeu de volta um cartão que não é seu, registre a ocorrência na delegacia mais próxima ou pela delegacia on-line. É esse registro que permite ligar o seu caso ao que foi apreendido”, afirmou o titular da 9ª DP (Catete).
Localizado nas imediações da praça do Largo do Machado, no Catete, o carro usado pela quadrilha foi encontrado graças ao monitoramento da Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas). No local, um suspeito foi preso.
As investigações começaram após uma vítima relatar que teve o cartão retido durante o pagamento de uma corrida e recebeu outro no lugar. A partir da análise de imagens e de informações obtidas pelo setor de inteligência, os policiais identificaram um veículo utilizado como táxi, sem identificação de cooperativa. De acordo com a apuração, os criminosos trocavam frequentemente as placas do automóvel para dificultar o rastreamento — em apenas oito dias, eles foram flagrados circulando com quatro diferentes.
Ainda conforme as investigações, ao final da corrida, o motorista recusava pagamentos em dinheiro ou Pix, alegando não ter troco, e direcionava a vítima para o pagamento com cartão. A máquina adulterada simulava uma falha na leitura, enquanto um aplicativo instalado em um celular capturava a senha digitada. Em seguida, o cartão era trocado por outro semelhante, que já ficava separado no veículo. De posse dos cartões e das senhas, os criminosos realizavam compras e saques imediatamente.
Os agentes conseguiram conectar diferentes ocorrências a partir de um detalhe deixado pelos próprios criminosos. Na terça (22), uma aposentada de 73 anos percebeu a troca do cartão no momento em que o recebeu de volta e tentou recuperar o original. O motorista arrancou com o veículo, levando a bolsa da vítima. O cartão que permaneceu com ela, porém, pertencia a outra pessoa que já havia sido vítima do mesmo golpe. A coincidência ajudou os policiais a confirmarem o padrão de atuação e chegarem aos criminosos.
Após a abordagem, os policiais seguiram para um imóvel alugado temporariamente pelo grupo, no Santo Cristo, na Zona Norte da capital, utilizado como base durante a permanência dos criminosos no Rio. No local, outros dois integrantes foram presos. Os agentes também recuperaram um objeto subtraído de uma das vítimas, encontrado dentro da mochila de um dos presos.
As investigações apontaram que o grupo mantinha uma estrutura organizada e utilizava o deslocamento entre São Paulo e o Rio de Janeiro para praticar os golpes. Um dos presos já havia sido capturado anteriormente pelo mesmo tipo de crime. A investigação continua para localizar outras possíveis vítimas e identificar outros integrantes da associação criminosa.






