Decolagem autorizada: Galeão vive ótima fase, com novas rotas internacionais

Investimentos públicos e privados e esforço coordenado de inteligência de mercado ajudaram a atrair companhias aéreas

Por Bruno Chateaubriand 24 jul 2026, 07h19
galeao credito riogaleo.png
Fim da turbulência: 17,9 milhões de viajantes passaram pelo Galeão em 2025  (RioGaleão/Divulgação)
Continua após publicidade
Decolagem autorizada: Galeão vive ótima fase, com novas rotas internacionais Priorizar nos meus resultados Google

Em 21 de janeiro de 1976, o Aeroporto Internacional do Galeão recebeu o primeiro voo comercial regular do Concorde, supersônico da Air France que ligava Paris à Cidade Maravilhosa, com escala técnica em Dakar, no Senegal.

O tempo de viagem, que hoje dura onze horas, era praticamente reduzido pela metade, porque o avião atingia velocidade superior a 2000 quilômetros por hora.

Naquela noite de verão, o Rio de Janeiro ganhou um capítulo na história da aviação mundial e passou a ocupar uma posição de destaque no cenário global, figurando entre os poucos destinos que recebiam a aeronave mais avançada e desejada da época.

Durante décadas, o Galeão simbolizou a grande porta de entrada do Brasil.

Pelos seus terminais desembarcavam chefes de Estado, empresários, artistas e turistas que se deparavam com um dos principais cartões-postais do hemisfério Sul, enquanto companhias aéreas internacionais disputavam espaço na malha que o colocava entre os aeroportos mais relevantes da América Latina.

Mas a trajetória ascendente encontrou turbulências — o voo de Concorde ligando o Rio a Paris, vale dizer, foi descontinuado em 1982, devido aos altos custos e baixa procura.

A partir dos anos 2000, especialmente com o fortalecimento de outros centros de conexão no país, o Galeão começou a perder protagonismo.

Continua após a publicidade

Outras rotas internacionais foram encerradas, frequências reduzidas e investimentos direcionados a outros mercado. “Menos voos significaram menos turistas e menos negócios em solo fluminense”, analisa Lucas Alves, secretário estadual de Turismo.

Em 2015, a esperança voltou, com investimentos bilionários para a modernização pré-Jogos Olímpicos.

A expectativa era consolidar um novo ciclo de crescimento, mas o movimento não se sustentou.

Sete anos depois, o terminal ocupava apenas a décima posição entre os mais movimentados do país, registrando pouco mais de 5,5 milhões de passageiros.

No último ano, entretanto, os ventos mudaram de direção.

Continua após a publicidade

Numa guinada que inclui companhias aéreas, concessionária, poder público e entidades de promoção turística, as pistas voltaram a acelerar: em 2025, 17,9 milhões de viajantes circularam pelo Galeão – esse número fez dele o terceiro mais movimentado do país.

Desse total, 2,1 milhões eram turistas estrangeiros, representando um crescimento de 44% em relação ao ano anterior.

Nos últimos meses, dezessete rotas internacionais, incluindo quatro destinos inéditos: Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia; Salta, na Argentina; além de Toronto e Montreal, no Canadá, foram inauguradas.

+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

“Quando aumentamos a conectividade aérea, criamos condições para que mais visitantes escolham a cidade, fortalecendo não apenas o turismo, mas também a economia e a posição da cidade como hub global de experiências e oportunidades”, celebra Bernardo Fellows, presidente da Riotur.

Continua após a publicidade

A projeção é de que, ao longo de 2026, 19,5 milhões de passageiros pousem e decolem no Tom Jobim, administrado agora pela concessionária espanhola Aena, a mesma de Congonhas.

“Os bons resultados têm relação direta com o esforço coordenado de inteligência de mercado e atração de novas rotas, que envolveu os setores público e privado”, avalia Bruno Reis, presidente da Embratur.

O reflexo na economia é imediato: segundo a antiga concessionária, a RioGaleão, cada 1 real gerado ali dentro resulta em 3,20 reais injetados no Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Rio.

O terminal concentra ainda metade de todo o tráfego internacional das companhias low cost que operam no Brasil, ampliando o acesso de turistas ao destino.

Entre os protagonistas da nova fase está a Gol, responsável por 46% de toda a movimentação do aeroporto em 2025.

Continua após a publicidade

A companhia lidera a expansão recente da malha aérea e prepara um salto ainda maior para os próximos anos. “Ao comemorar 25 anos de história, iniciamos um capítulo como companhia intercontinental. O Rio tem papel central nesse movimento e vem recebendo mais investimentos”, afirma o CEO Celso Ferrer.

ceo da gol credito divulgacao.jpeg
Investimentos na cidade: “O Rio tem papel central no movimento da Gol para se tornar uma companhia intercontinental”, destaca o CEO Celso Ferre (./Divulgação)

Se um dia o supersônico pousou às margens da Baía de Guanabara para anunciar uma nova era, agora são dezenas de novas rotas e aviões ainda mais tecnológicos que devolvem à capital do estado a condição de cidade hiperconectada ao mundo.

Mundo, aí vamos nós 

Novas opções de voos para destinos globais 

Nova York 

Continua após a publicidade
new york credito kit suman unsplash.jpg
(kit suman unsplash/Divulgação)

A Gol acaba de inaugurar um voo direto para o aeroporto John F. Kennedy, com três frequências semanais 

Lisboa

lisboa credito Aayush Gupta unsplash.jpg copiar
(Aayush Gupta unsplash/Reprodução)

 A partir de 16 de setembro, a Gol vai disponibilizar quatro opções por semana para voar até a capital portuguesa. 

Toronto e Montreal 

toronto credito sandro schuh unsplash.jpg
(Sandro Schuh/Divulgação)

A Air Canada anunciou que vai retomar os voos diretos para Toronto (foto) em outubro e a Air Transat também oferece a ligação para as duas cidades canadenses.

 

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Domine o fato. Confie na fonte.
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês