Decolagem autorizada: Galeão vive ótima fase, com novas rotas internacionais
Investimentos públicos e privados e esforço coordenado de inteligência de mercado ajudaram a atrair companhias aéreas
Em 21 de janeiro de 1976, o Aeroporto Internacional do Galeão recebeu o primeiro voo comercial regular do Concorde, supersônico da Air France que ligava Paris à Cidade Maravilhosa, com escala técnica em Dakar, no Senegal.
O tempo de viagem, que hoje dura onze horas, era praticamente reduzido pela metade, porque o avião atingia velocidade superior a 2000 quilômetros por hora.
Naquela noite de verão, o Rio de Janeiro ganhou um capítulo na história da aviação mundial e passou a ocupar uma posição de destaque no cenário global, figurando entre os poucos destinos que recebiam a aeronave mais avançada e desejada da época.
Durante décadas, o Galeão simbolizou a grande porta de entrada do Brasil.
Pelos seus terminais desembarcavam chefes de Estado, empresários, artistas e turistas que se deparavam com um dos principais cartões-postais do hemisfério Sul, enquanto companhias aéreas internacionais disputavam espaço na malha que o colocava entre os aeroportos mais relevantes da América Latina.
Mas a trajetória ascendente encontrou turbulências — o voo de Concorde ligando o Rio a Paris, vale dizer, foi descontinuado em 1982, devido aos altos custos e baixa procura.
A partir dos anos 2000, especialmente com o fortalecimento de outros centros de conexão no país, o Galeão começou a perder protagonismo.
Outras rotas internacionais foram encerradas, frequências reduzidas e investimentos direcionados a outros mercado. “Menos voos significaram menos turistas e menos negócios em solo fluminense”, analisa Lucas Alves, secretário estadual de Turismo.
Em 2015, a esperança voltou, com investimentos bilionários para a modernização pré-Jogos Olímpicos.
A expectativa era consolidar um novo ciclo de crescimento, mas o movimento não se sustentou.
Sete anos depois, o terminal ocupava apenas a décima posição entre os mais movimentados do país, registrando pouco mais de 5,5 milhões de passageiros.
No último ano, entretanto, os ventos mudaram de direção.
Numa guinada que inclui companhias aéreas, concessionária, poder público e entidades de promoção turística, as pistas voltaram a acelerar: em 2025, 17,9 milhões de viajantes circularam pelo Galeão – esse número fez dele o terceiro mais movimentado do país.
Desse total, 2,1 milhões eram turistas estrangeiros, representando um crescimento de 44% em relação ao ano anterior.
Nos últimos meses, dezessete rotas internacionais, incluindo quatro destinos inéditos: Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia; Salta, na Argentina; além de Toronto e Montreal, no Canadá, foram inauguradas.
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“Quando aumentamos a conectividade aérea, criamos condições para que mais visitantes escolham a cidade, fortalecendo não apenas o turismo, mas também a economia e a posição da cidade como hub global de experiências e oportunidades”, celebra Bernardo Fellows, presidente da Riotur.
A projeção é de que, ao longo de 2026, 19,5 milhões de passageiros pousem e decolem no Tom Jobim, administrado agora pela concessionária espanhola Aena, a mesma de Congonhas.
“Os bons resultados têm relação direta com o esforço coordenado de inteligência de mercado e atração de novas rotas, que envolveu os setores público e privado”, avalia Bruno Reis, presidente da Embratur.
O reflexo na economia é imediato: segundo a antiga concessionária, a RioGaleão, cada 1 real gerado ali dentro resulta em 3,20 reais injetados no Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Rio.
O terminal concentra ainda metade de todo o tráfego internacional das companhias low cost que operam no Brasil, ampliando o acesso de turistas ao destino.
Entre os protagonistas da nova fase está a Gol, responsável por 46% de toda a movimentação do aeroporto em 2025.
A companhia lidera a expansão recente da malha aérea e prepara um salto ainda maior para os próximos anos. “Ao comemorar 25 anos de história, iniciamos um capítulo como companhia intercontinental. O Rio tem papel central nesse movimento e vem recebendo mais investimentos”, afirma o CEO Celso Ferrer.
Se um dia o supersônico pousou às margens da Baía de Guanabara para anunciar uma nova era, agora são dezenas de novas rotas e aviões ainda mais tecnológicos que devolvem à capital do estado a condição de cidade hiperconectada ao mundo.
Mundo, aí vamos nós
Novas opções de voos para destinos globais
Nova York
A Gol acaba de inaugurar um voo direto para o aeroporto John F. Kennedy, com três frequências semanais
Lisboa
A partir de 16 de setembro, a Gol vai disponibilizar quatro opções por semana para voar até a capital portuguesa.
Toronto e Montreal
A Air Canada anunciou que vai retomar os voos diretos para Toronto (foto) em outubro e a Air Transat também oferece a ligação para as duas cidades canadenses.





