O Rio de Iemanjá

No dia 2 de fevereiro - e durante o ano inteiro - cariocas cultuam Iemanjá, a rainha do mar. Veja quem é devoto do orixá e onde acontecem as celebrações pela data na cidade

Por Louise Peres 1 fev 2013, 20h04 • Atualizado em 5 jun 2017, 14h11
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iemanja-02.jpg (Redação Veja rio/)
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  • Às vésperas da noite de Réveillon, centenas de milhares de cariocas e turistas já começam a se dirigir à beira da praia para enviar oferendas, fazer pedidos e desejar boas vibrações para o ano que se inicia. O alvo das preces é Iemanjá, também conhecida como a rainha e protetora do mar, considerada uma das entidades femininas mais importantes e populares cultuadas no Brasil e cuja festa é celebrada país afora no dia 2 de fevereiro. Apesar da maior parte delas acontecer em Salvador, na Bahia, com um cortejo de barcos que saem pelas águas do litoral baiano em saudação à mãe das águas, o Rio também tem uma forte ligação com a divindade africana. “Ela nos faz resgatar valores africanos de respeito à natureza, algo tão fundamental hoje em dia”, explica a designer e pesquisadora carioca Julia Vidal, dona de uma grife que resgata elementos das mitologias africanas. Há cinco anos ela produz o evento Venha Ver Iemanjá, que reúne uma série de manifestações culturais – exposições, shows, dança, moda e artes plásticas -em homenagem à vaidosa orixá. “Depois de estudá-la, fiquei ainda mais encantada pela história, força e beleza dessa figura, que representa a maternidade, a proteção e a esperança”, conta.

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    Ela não é a única a cultuar a mãe de todos os orixás que, na cultura africana, é representada como uma mulher de ventre fértil, seios volumosos e comportamento maternal. Regina Casé, Marisa Monte e a chef Roberta Sudbrack são apenas algumas das figuras do Rio que também admiram a divindade afro-brasileira. “Iemanjá guia e orienta o rumo da minha cozinha. Costumo sempre dizer que no RS não sou eu quem decide o menu, mas o pescador e o mar, porque trabalhamos diariamente com o que ele nos oferece”, revela a chef Roberta Sudbrack, que faz questão de manter, na cozinha de seu restaurante, uma imagem da protetora das águas. “Foi um presente da Adriana Calcanhotto e é tratada com toda deferência pelos meus cozinheiros. Todos os dias é presenteada com uma taça de champagne antes de começar o serviço, para abrir os caminhos e iluminar o nosso dia”, diz ela.

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    Uma cidade tão intimamente ligada ao mar como o Rio não poderia jamais deixar de cultuar Iemanjá. Definitivamente, o dia 2 de fevereiro não passará em branco. Além do Venha Ver Iemanjá, que acontece em Ipanema, o grupo Afoxé Filhos de Gandhi-Rio presta suas reverências à entidade a partir das 8h da manhã, na Cinelândia. Confira abaixo a programação.

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    Afoxé Filhos de Gandhi-Rio

    8h – Concentração na Cinelândia para a cerimônia de abertura.

    9h – tradicional saudação aos orixás – conhecida como Xirê. Após o ritual os participantes seguem em cortejo pelas ruas do Centro do Rio até à Praça XV.

    A Barcas S/A colocou gratuitamente à disposição dos fiéis uma embarcação para transportar 1200 interessados em acompanhar a 48ª edição da entrega das oferendas para Iemanjá. O embarque está previsto para às 11h. A embarcação segue até a praia de Icaraí, em Niterói, para realizar a entrega das oferendas e, em seguida, retorna à Praça XV.

    13h – Filhos de Gandhi realizam apresentações de ijexá, samba de roda e muito afoxé, com início previsto para às 13h.

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    Venha Ver Iemanjá

    Loja Julia Vidal. Rua Visconde de Pirajá, 550/ 407, Ipanema. A partir de 10h.

    Coquetel de lançamento da linha de moda Venha ver Iemanjá.

    Com:

    Dj MAM – Trilha sonora em homenagem a Iemanjá e as praias e rios cariocas

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    Mostra de fotos da festividade “Presente das Iabás”, promovida pela Casa Asê Egi Omim, no Rio de Janeiro

    Mostra “Vizinhos Distantes”, do fotógrafo alemão Michael Ende

    Artistas plásticos e artesãos, sob curadoria de Petruza Portilho

    Cia Ballet das Iabás

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