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Fabiana Geraldi coordena equipe de arteterapia com refugiados

A equipe, composta de mais três profissionais, atende dez crianças da República Democrática do Congo com idade entre 8 e 12 anos

Por Heloiza Gomes Atualizado em 22 Maio 2017, 14h29 - Publicado em 20 Maio 2017, 00h52
Felipe Fittipaldi/Veja Rio

Em setembro do último ano, a psicóloga e arteterapeuta Fabiana Geraldi procurou a Cáritas Brasileira, na Tijuca, onde funciona o Centro de Acolhida a Refugiados. Lá, propôs formar um grupo experimental de arteterapia para crianças de famílias assistidas pela instituição. A proposta foi prontamente aceita. Desde então, Fabiana coordena uma equipe composta de mais três profissionais, que atendem dez crianças da República Democrática do Congo com idade entre 8 e 12 anos. “O processo terapêutico, por meio da arte, potencializa a criatividade. Isso aumenta a autoestima do indivíduo e o deixa mais forte para se apropriar de suas escolhas”, garante Fabiana, que se reúne uma vez na semana, durante uma hora e meia, com a meninada para fazer desenhos e peças em argila, entre outros trabalhos. De acordo com a psicóloga, não há a menor preocupação estética com o produto final. O importante é fazer com que as crianças que deixaram suas casas de forma abrupta se expressem. “Elas não conseguem falar do trauma da ruptura. Então, a gente trabalha com o simbólico. Assim, a angústia delas vai para os trabalhos e personagens criados”, esclarece.

“As crianças refugiadas não conseguem falar do trauma da ruptura. Então, trabalhamos com o simbólico. Assim, a angústia delas vai para os trabalhos e personagens criados” 

Em oito meses de trabalho, Fabiana garante que o resultado já pode ser percebido. Os meninos chegaram arredios. Eles usavam o material de forma desconexa. Não criavam nada. Aos poucos, começaram a confiar nos arteterapeutas e desenvolveram um vínculo com eles e com o próprio processo criativo. Hoje, de vez em quando, até falam de suas histórias, embora esse não seja o objetivo. “Assim, deixam claro que se sentem olhados e amparados por nós”, acredita a profissional, que sonha em ampliar o projeto em 2018. “Quero buscar apoio, porque, além de haver várias crianças precisando, o ideal é que a terapia não tenha uma data prévia de término”, explica Fabiana, que ainda participa do projeto social Eu Sou, criado pelo arte-edu­cador Hélio Rodrigues para atender jovens da comunidade da Tijuquinha. “Como profissionais, de qualquer área, temos a responsabilidade social de contribuir com a sociedade”, diz.

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