Crepúsculo de Cubatão: atmosfera underground chega à outra sala escura

História do reduto dos chamados darks vai parar no cinema, em documentário selecionado para a Première Brasil Midnight Movies, do Festival do Rio

Por Paula Autran 18 set 2026, 06h02
Grupo de jovens, a maioria vestindo roupas escuras, em frente a uma boate à noite. Um homem de camisa roxa estampada e cabelo escuro olha para frente. Outro homem de jaqueta preta sorri, abraçando uma mulher de blusa rosa. O chão é de paralelepípedos com tampas de bueiro. A cena transmite um clima de diversão e agitação noturna
Crepúsculo: fechado há 37 anos (Redes Sociais/Divulgação)
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Trinta e sete anos após cerrar as portas, a casa noturna que se tornou símbolo da cena underground do Rio nos anos 1980 — reduto de uma trupe que se vestia de preto, usava maquiagem pesada e dançava virada para a parede ao som de Siouxsie and the Banshees e The Cure — tem sua atmosfera de volta em outro tipo de sala escura. Dirigido por Cláudia Pereira, o documentário Chuva Ácida: Histórias do Crepúsculo de Cubatão foi selecionado para a Première Brasil Midnight Movies, do Festival do Rio, que começa 1º de outubro.

Pôster em preto e branco com uma figura borrada no topo, parecendo uma pessoa de perfil. Abaixo, o título CHUVA ÁCIDA em letras brancas, com HISTÓRIAS DO CREPÚSCULO DE CUBATÃO menor. Um selo OFFICIAL SELECTION 2020 FestivaldoRio está no centro. Na parte inferior, uma lista de créditos da produção em letras pequenas
Chuva ácida: pesquisa inicial do documentário foi feita no âmbito do Museu das Juventudes Cariocas (MuJuCa), projeto que reúne memórias de quem passou por esta fase da vida em diferentes décadas (./Divulgação)

A partir de depoimentos de DJs, funcionários e frequentadores, combinados com registros raros de arquivo, o filme reconstrói o ambiente cultural ao redor do antro gótico do pós-punk. “Tudo começou quando um casal de ingleses resolveu abrir um clube para quem não se identificava com a sonoridade mais colorida da época poder dançar, e achou aquele espaço cheio de canos que parecia uma fábrica”, relembra a antropóloga e professora da PUC-Rio, que batia ponto lá e conseguiu entrevistar os fundadores, Ursula Westmacott e Christopher Crocker, hoje na faixa dos 80 anos e de volta à Inglaterra.

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“Nem tudo o que era vivido naquela época é tão diferente”, frisa ela, que desenvolveu a pesquisa inicial no âmbito do Museu das Juventudes Cariocas (MuJuCa), projeto que reúne memórias de quem passou por esta fase da vida em diferentes décadas.

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