Crepúsculo de Cubatão: atmosfera underground chega à outra sala escura
História do reduto dos chamados darks vai parar no cinema, em documentário selecionado para a Première Brasil Midnight Movies, do Festival do Rio
Trinta e sete anos após cerrar as portas, a casa noturna que se tornou símbolo da cena underground do Rio nos anos 1980 — reduto de uma trupe que se vestia de preto, usava maquiagem pesada e dançava virada para a parede ao som de Siouxsie and the Banshees e The Cure — tem sua atmosfera de volta em outro tipo de sala escura. Dirigido por Cláudia Pereira, o documentário Chuva Ácida: Histórias do Crepúsculo de Cubatão foi selecionado para a Première Brasil Midnight Movies, do Festival do Rio, que começa 1º de outubro.
A partir de depoimentos de DJs, funcionários e frequentadores, combinados com registros raros de arquivo, o filme reconstrói o ambiente cultural ao redor do antro gótico do pós-punk. “Tudo começou quando um casal de ingleses resolveu abrir um clube para quem não se identificava com a sonoridade mais colorida da época poder dançar, e achou aquele espaço cheio de canos que parecia uma fábrica”, relembra a antropóloga e professora da PUC-Rio, que batia ponto lá e conseguiu entrevistar os fundadores, Ursula Westmacott e Christopher Crocker, hoje na faixa dos 80 anos e de volta à Inglaterra.
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“Nem tudo o que era vivido naquela época é tão diferente”, frisa ela, que desenvolveu a pesquisa inicial no âmbito do Museu das Juventudes Cariocas (MuJuCa), projeto que reúne memórias de quem passou por esta fase da vida em diferentes décadas.







