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Covid-19: gráfico aponta tendência no aumento de internações no Rio

Número de leitos diminuem. Taxa de ocupação em UTI no município é de 81%. Já a de enfermaria é de 59%

Por Carolina Barbosa - Atualizado em 9 set 2020, 18h28 - Publicado em 9 set 2020, 13h54

Com 1 252 leitos dispensados ao tratamento da Covid-19 em junho, a rede do SUS na capital enfrenta uma queda no número – visto que agora há 881 disponíveis, sendo 251 de UTI – em função do encerramento das atividades do hospital de campanha do Parque dos Atletas.

Ao mesmo tempo, os gráficos monitorados por especialistas apontam uma tendência de ascensão no número de internações, embora as autoridades neguem e garantam que o número na rede é maior do que a demanda atual.

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Dados da Secretaria Municipal de Saúde dão conta de que a taxa de ocupação de leitos de UTI para o novo coronavírus no SUS no município, que abarca as unidades municipais, estaduais e federais, nesta quarta (9) é de 81%, já a taxa de ocupação nos leitos de enfermaria é de 59%. E é exatamente esse último índice que preocupa os mais versados no assunto, uma vez que funcionam como uma “porta de entrada” para a doença.

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“Acendeu-se um sinal amarelo. Os leitos de enfermaria tendem a ser a porta de entrada dos casos mais severos. Nas última semanas, esses números voltaram a subir. O gráfico de internações aponta para uma nova tendência de crescimento, enquanto o número de leitos operacionais continua caindo! Se seguir nessa dinâmica teremos problema. A população já internalizou que a pandemia acabou. No entanto, se considerarmos as subnotificações, teremos em torno de 15% da população infectada, o que ainda representa muito pouco para uma imunidade coletiva”, explica o economista e professor da pós-graduação do IBMEC/RJ Thiago de Moraes Moreira, que desde maio debruça-se sobre dados acerca do vírus no Rio. Seus cálculos, atualizados diariamente, serviram de norte para governantes tomarem decisões importantes na condução da pandemia.

Note: em agosto o número de internações parou de cair e no início de setembro há uma ligeira tendência de alta. A distância entre a capacidade ociosa está cada vez menor Acervo/Reprodução

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Na prática, o que se vê corrobora. Na última semana, uma paciente, que não quis se identificar, esteve no São Lucas, em Copacabana, para uma consulta. Ficou espantada com a lotação no setor destinado ao atendimento do novo coronavírus. Uma médica, na ocasião, comentou que a unidade havia voltado ao mesmo montante de casos do início de abril. No Copa D’Or, também no mesmo bairro, uma pessoa à espera de outro tipo de especialidade, diante da demanda, desejou: “Só espero não ter sido contaminada”. Por lá, há relatos de profissionais de que áreas desativadas foram reincorporadas para reforçar no combate. Procurada, a assessoria da rede, no entanto, informou: “Não houve aumento de internações e nem reabertura de leitos ou alas”. Quanto ao São Lucas, a assessoria do hospital limitou-se a responder, via e-mail: ” O Hospital São Lucas Copacabana não tem aumento acentuado de casos de suspeita de Covid-19″.

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